Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Desapareceu a bandeira de Timor... ou como eu gostava tanto de fazer compras na ZARA


                                                                                          

 

 

Não há qualquer dúvida de que uma bandeira é um símbolo que pode representar, entre outras, uma nação. Existem em várias formas, tamanhos, cores e podem ser inspirados nos mais diversos temas.  Umas têm brasões, outras instrumentos de trabalho ou simplesmente riscas.  Uma coisa é certa, uma bandeira é muito mais do que um simples pano.

 

É por isso que constato com alguma surpresa que a “bandeira histórica que subiu ao mastro no momento em que os timorenses” voltaram a ter um país, desapareceu e ninguém sabe como ou quando. Como revelou Ramos-Horta “como era grande demais para hastear no mastro do palácio, a bandeira foi colocada na fachada do edifício”, ao fim de alguns dias foi guardada e pelos os vistos, alguém a levou sem autorização.

 

Também por aqui, situações semelhantes têm ocorrido nas lojas da marca ZARA. De repente as peças de roupa que captam o meu olhar quando passeio pela loja deixaram de existir no meu tamanho (muitas das peças só se vendem agora na versão S e M). Como sou destemida não me deixo desanimar por esta ausência de formatos grandes e escolho os exemplares de tamanho médio para os experimentar. Com grande pena minha, tais artefactos mostram-se sempre insuficientes para cobrir este meu corpo ainda afectado pela recente maternidade.

 

Claro que as vantagens desta situação são imensas – não gasto dinheiro, não acumulo roupa, não levo os meus guarda-fatos ao colapso, etc, etc. Mas como sou uma pessoa com muito de “estranho” na minha vida, constato que lá no fundo eu estou é em sintonia com Timor. Tal como na Nação timorense, alguém me está a destituir dos meus símbolos. 



publicado por Veruska às 19:37
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Preciso de uma Candy... ou como o Big Brother nos observa


                                                                                          

 

O dia de hoje foi marcado por dois acontecimentos que apesar de aparentemente desconexos, muito revelam sobre a verdadeira essência da nossa existência.  Os eventos a que me refiro resultam do facto de a minha internet wireless não estar a funcionar adequadamente e de hoje ter ido comemorar o Dia da Mãe no infantário frequentado pelo meu filho.

 

Quem lê este post, poderá achar que a relação entre tudo o que já afirmei ou mesmo a ideia transmitida pelo título poderá ser oca de qualquer conteúdo, ideia que sairá reforçada no final deste texto, mas parte do encanto de se manter um diário semi-fantasioso desta minha humilde existência reside no universo fantástico da minha imaginação que, de importante, pouca coisa debita.  

 

Tudo começa com uma chamada quase enigmática de uma pessoa que se intitulava meu gestor ZON para o próximo mês. A pessoa em causa disponibilizava-se para me ajudar em tudo o que estivesse ao seu alcance para resolver o problema de ligação do meu notebook à net wireless. Claro que esta chamada não surgiu de forma espontânea. Foi necessário passar muito tempo ao telefone com assistentes que se mostravam impotentes para resolver o problema, enviar meia dúzia de reclamações para três instituições diferentes e receber dois técnicos em casa para avaliar o que estava a correr mal.

 

Mas hoje, depois de falar com o meu gestor ZON, recebo uma chamada de um outro técnico muito conhecedor da situação. Diz-me logo em tempo real quais os equipamentos que tenho ligados à net, pede-me para ligar e desligar o router e rejeita qualquer hipótese de se fazerem mais testes de configuração do portátil. Ela fala-me dos equipamentos que tenho ligados em casa referindo-se à consola, ao portátil “normal” e até a uma impressora wireless que eu julgava desligada.  Foi mesmo ele que detectou em primeiro lugar a ligação do notebook dizendo-me “já tenho um VERA-PC ligado; sabe-me dizer a que equipamento se refere?”

 

Claro que sabia e muito bem. Tratava-se do computador que tantos problemas estava a dar e como que por milagre estava novamente a funcionar depois de quase um ano de jejum de ZON wi-fi. Tentei questioná-los sobre o que tinha feito e como o teriam feito, pois a única acção que tinha realizado foi o de ligar e desligar o router. Nada me adiantaram e salientaram por várias vezes que teria sido uma coincidência o reinício do router ter ocorrido em simultâneo com o reinício de actividade do meu “pequenino”. Fiquei espantada, muito espantada mesmo, pois desconhecia que seria possível alguém que se encontra em Lisboa ter tal conhecimento daquilo que se passa dentro da minha casa. 

 

Depois do espanto veio a preocupação. Encontro-me num processo de litígio com a ZON e a PC Medic (empresa que presta a assistência informática aos clientes ZON) e de repente tudo fica resolvido e de uma forma que me leva quase a pensar que afinal nunca houve problema nenhum.

 

De seguida dirijo-me ao infantário do meu filho para assistir à festa de comemoração do Dia da Mãe com a expectativa de confraternizar com as restantes mães e conhecer alguns dos coleguinhas do meu filho. Calço umas botas mais confortáveis que os sapatos de salto alto que tinha usado durante o dia todo, agarro no telemóvel e no meu porta-chaves com um rinoceronte em peluche e vou a correr para a escolinha. Depois dos cumprimentos iniciais lá vou eu com o miúdo ao colo para um canto com sombra iniciar as novas amizades.  Vou falando com as mães que também chegaram cedo como eu e a medo lá vamos trocando experiências e rindo com as gracinhas de cada um dos nossos filhos.

 

Mas à medida que mais convidadas vão chegando vou reparando que algumas delas se fazem transportar de uma mala de plástico. A forma é a de um pequeno baú, mas as cores seduzem qualquer um. Há em cor-de-rosa, em dourado com brilhantes e até com imitação de pele de cobra. Estas mães juntam-se em grupo, falam de forma descontraída, mas nunca, nunca, abandonam a sua Candy (mala da Furla).

 

Agora percebo porque é que isto acontece. Também já elas terão tido litígios com a ZON e para que as suas vidas se mantivessem em segredo trataram de colocar todos os seus maiores bens numa câmara isoladora plástica. Eu também preciso de uma!



publicado por Veruska às 23:32
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Domingo, 6 de Maio de 2012
O desemprego jovem em Portugal... ou como de pequenino é que se torce o pepino


 

Em muitas situações a resolução para os problemas está nas hipóteses mais simples, e não nas mais complexas. Aliás, em muito aspectos da nossa vida quotidiana o que é singelo, sem enfeites, puro ou natural sobrepõem-se em muito ao que é entrelaçado ou denso. Também na forma como se gere uma nação, esta premissa deve ser aplicada pois a sua adequação é quase universal a todas as situações.

 

O primeiro-ministro, Passos Coelho, não negligencia o que atrás foi exposto, pois já por muitas vezes o ouvimos fazer declarações simples, pejadas de inocência quase ocas de conteúdo mas que depressa são compreendidas pela população. Recorde-se a expressão “menos piegas” ou a mais recente “não querer dourar a pílula”. Mas como das palavras se deve passar aos actos, já foram encetados projectos que visam ultrapassar algumas das dificuldades que atravessam o nosso país, nomeadamente no campo do desemprego.

 

Como tem vindo a ser noticiado, o desemprego é um dos grandes problemas actuais do país, tendo o governo português proposto “à Comissão Europeia a atribuição de bolsas que promovam estágios profissionais e empreguem esses estagiários”. Esta medida poderia beneficiar 91 mil jovens sem trabalho, mas para ser levada a cabo necessitará do apoio de Bruxelas, que poderá tardar ou mesmo não se concretizar.

 

De forma a superar de imediato esta situação, o governo decidiu então deixar-se de linguagem simplificada e partir para a acção , tendo as iniciativas começado já na escola do 1º Ciclo do Pontal, em Portimão.  Aqui foram criadas patrulhas de segurança, constituídas pelos alunos cuja missão é “tomar nota do nome dos colegas da escola que apresentam comportamentos inadequados”, promovendo-se assim o desenvolvimento de competências ao nível da observação, interpretação dos factos e “bufaria” preparando-os desde cedo para cargos políticos.

 

Já no ensino secundário se aplicam outras estratégias, mais inspiradas em conceitos como “improvisação”, “desenrasquanço” ou “ilusão” preparando-se os adolescentes para a função de “testa de ferro”. A primeira acção foi levada a cabo por dois jovens que tentaram assaltar a avó de um deles com recurso a um íman, uma serra de 15 cm e uma corda de 1,27 m.

 

Aguarda-se agora com expectativa a abordagem a realizar pelos estudantes universitários, mas estou certa de que estes poderão almejar cargos ainda mais distintos.

 

 



publicado por Veruska às 10:14
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Não consegui fazer compras no Pingo Doce... ou como um activista francês consegue entrar numa central nuclear


                                                                                          

 

Já há vários dias que corria o rumor de que o Pingo Doce iria fazer uma promoção bombástica. O desconto de 50% parecia ser consensual, embora não se soubesse concretamente quais as condições que iriam ser aplicadas.

 

Sendo eu uma incondicional dos supermercados da Jerónimo Martins, preparei-me para o evento pensando no que necessitava de adquirir e a melhor forma de o fazer no menor espaço de tempo possível organizando tudo o que precisava apenas num carrinho. Efabulei sobre tudo o que poderia acontecer nesse dia. Gostaria de comprar fraldas e afins a preços baixos, acrescentar uns cremes hidratantes, repor o stock de produtos de limpeza e trazer umas guloseimas.  A poupança que tencionava fazer seria enorme, porque sendo eu uma grande aficionada dos produtos de marca própria do dito supermercado estaria já a ganhar com o baixo preço a que elas são vendidas.

 

Preocupava-me o facto de ser o feriado de 1º de Maio, dia em que por motivos vários, teria de participar nas comemorações que iriam realizar-se em Alte. Não conseguiria realizar as compras logo à abertura e corria o risco de ao final do dia já haver muita confusão.

 

O meu dia decorreu sem acesso aos meios de comunicação social e as poucas notícias de que tive conhecimento vieram pelo telefonema de uma amiga que me relatou alguma confusão, umas prateleiras vazias e me aconselhou algumas estratégias para me ser prontamente atendida nas caixas.

 

Espalhei a boa-nova ao longo do dia e quando finalmente me dirigi ao Pingo Doce em Faro (Figuras) deparei-me com um cenário de alguma confusão mas que se parecia afastar do caos a que mais tarde vim a ter conhecimento.  Estacionei o carro com alguma facilidade (consequência de ser cliente assídua da superfície comercial e saber já como posso estacionar em “lugares alternativos”), agarrei em vários sacos reutilizáveis, peguei no meu filho de 5 meses, endireitei as costas, respirei fundo e iniciei a marcha que me levaria ao interior do supermercado.

 

A zona da fruta/legumas estava cheia de produtos e a da charcutaria embalada também, o que me proporcionou algum alento.  As pessoas amontoavam-se e os produtos também. Muitos tinham adoptado a mesma estratégia de levar um bebé com eles, outros achavam indecente que se estivessem a usar crianças neste tipo de situação.

 

Empinei o nariz e comecei a tentar chegar aos corredores mais internos para avaliar se valeria a pena enfrentar aquela confusão. Ao fim de poucos metros fiquei logo bloqueada por carrinhos, sacos com compras, caixas com amontado de objectos, etc. Tive de sair dali rapidamente.  E foi mesmo rapidamente. Tive sorte e colei-me a um senhor de cadeira de rodas que me foi servindo de “abre-alas”.

 

            Por todo o lado se fala nos aspectos negativos em redor desta promoção sem precedentes, mas ninguém fala daquilo que já se aprendeu com o que aconteceu em Portugal.  Refiro-me concretamente ao jovem que conseguiu entrar numa central nuclear francesa.  Ele “chegou num parapente a motor à central nuclear francesa de Bugey, accionou um dispositivo que libertou fumo e depois aterrou no interior da central”.  Estou certa de que terá passado o Dia do Trabalhador a tentar fazer compras no Pingo Doce.



publicado por Veruska às 12:48
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Domingo, 29 de Abril de 2012
Uma combinação improvável... ou como podemos estar tranquilos quando vamos ao médico


 

 

 

As notícias sobre a má aplicação do erário público sucedem-se. Praticamente não há dia em que não se descubram novos défices, facturas não declaradas ou fugas aos impostos.  Numa tentativa de recuperação, também quase todos os dias somos confrontados com a aplicação de novas taxas, aumentos ou ultimatos para se pagar o que se deve.

 

Tais factos, não são exclusivo de nosso país, mas sim ocorrem de forma transversal em praticamente todo o mundo ocidental. Há trocas de governo em grande parte dos países da Europa, a Espanha está em recessão e apresenta uma elevada taxa de desemprego, a Grécia atravessa uma crise tão profunda que já nem há palavras para a descrever e até os Estados Unidos não são imunes a esta escassez de liquidez.

 

E como é em tempos difíceis que o engenho se aguça e a criatividade se acentua, por todo o lado surgem combinações improváveis na esperança de que elas ajudem a alcançar os intentos de quem os promove. Uma dessas combinações juntou Jimmy Fallon, Barack Obama e os The Roots (de quem sou realmente fã). Este trio improvisado comentou/cantou uma das questões da actualidade nos Estados Unidos – o aumento das propinas – ao som de música melosa e cheia de groove.

 

Por cá o aumento das propinas também está na ordem do dia, com as universidades a fazerem ultimatos na esperança de recuperarem todo o dinheiro em falta. No entanto, não se usa a música como arma de angariação de simpatia dos cidadãos, nem um político que fale publicamente sobre o assunto defendendo o estudante. Usam-se sim, estratégias de ameaça que passam por penhoras ou cancelamento de matrículas.

 

Outra estratégia que também está a ser utilizada leva o que se disse atrás, ainda mais longe.  Como os estudantes, normalmente parcos em rendimentos,  não dispõem de grandes meios para fazer face a esta despesa que de simbólico não tem nada e transforma o ensino universitário público quase em particular, há que estimular a população em geral a contribuir para a resolução deste problema.

 

A primeira acção consistiu na divulgação de uma situação em que um estudante de medicina, depois de interromper a toma de medicamentos para a doença do foro psiquiátrico que possuía, agrediu os pais à dentada.  É desnecessário comentar a ironia de tudo isto, mas estou certa de que todos que como eu usufruem do Sistema Nacional de Saúde estão mais alertas e solidários com todos os estudantes que se encontram em dificuldades. “Bem trabalhados” até seríamos capazes de contribuir para um fundo cujo destino final seria o de resgatar as universidades com problemas.

 

Aguardo agora a divulgação de mais combinações improváveis que envolvam outras classes profissionais, como por exemplo os banqueiros ou os presidentes de grandes grupos económicos.

 



publicado por Veruska às 20:28
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