Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

O Cartão do Cidadão... ou como irradio felicidade por estar mais alta

 

  

 

Numa segunda-feira muito fria e cinzenta cheguei, por volta das 7h e 30min (da manhã, claro), à porta da Conservatória do Registo Civil de Faro. Não me ia casar, não me ia divorciar ou registar qualquer criança como minha descendente, ia pura e simplesmente fazer o meu Cartão de Cidadão pois o meu Bilhete de Identidade estava prestes a caducar.
 
Já tinha ouvido estórias maquiavélicas sobre todo o processo:
- que só atendiam 10 pessoas por dia,
- que a “máquina” onde se tirava a fotografia era muito lenta (????),
- que apenas uma funcionária fazia o atendimento,
- que algumas pessoas não conseguiam ser atendidas, depois de um dia inteiro de espera,
- etc.
 
Decidi então aceitar os conselhos de quem já tinha passado pelo processo, acordei cedo e rumei ao centro de Faro com uma garrafa de água, uma barra de cereais e um livro dentro da mala. Fui a décima sétima a chegar, tal como prontamente me disseram sorrindo-me de volta e afirmando “hoje ainda vai ser atendida…”. Nessa primeira hora e meia de espera, resolvi sentar-me num murete controlando simultaneamente as pessoas que chegavam, certificando-me que elas percebiam que estavam atrás de mim e as páginas do meu livro do Agualusa. Durante esse período foi-me impossível abstrair do monólogo levado a cabo por um recém-divorciado que estava ali porque necessitava de actualizar o seu estado civil. Pois, eu dele fiquei a saber quase tudo: que tinha dois filhos, o que pagava de pensão alimentar, que não pretendia casar-se nunca mais mas sim ir casando, etc, etc.
 
Pouco antes das nove horas e depois de terem conseguido desligar o alarme que tinha tocado ininterruptamente todo o tempo em que tinha estado por ali, um segurança chegou até junto de nós e distribuiu umas senhas provisórias ordenando as 30 pessoas que iriam ser atendidas nesse dia. Claro que tal tarefa se revelou muito complicada pois alguns dos presentes tentavam “dar o golpe”. 
 
A etapa seguinte mostrou-se ainda mais complicada de ser ultrapassada e ainda com menor sentido. As portas do edifício foram abertas e todos correram escada acima em direcção ao local de atendimento. Foi então que o segurança, que exercia a função de “protector da máquina de senhas”, ordenava a todos que formassem uma fila de acordo com a numeração das fichas provisórias. Mais confusão, mais gente a dar o golpe, mas depois de alguma luta, lá consegui uma senha definitiva com o número 17.
 
Desafio seguinte, arranjar um cadeira vaga para que pudesse continuar a ler o meu livro do Agualusa.  Agi como se de uma ave de rapina me tratasse: avaliei o espaço, identifiquei os mais fracos (eu sou boa pessoa e não queria roubar nenhuma cadeira a nenhuma velhota) e desloquei-me em voo picado para o único assento livre longe do painel de chamada mas perto, muito perto, do recém-divorciado que agora já era desprezado por todos com a excepção de dois adolescentes. Durante horas a fio, li, ouvi o recém-divorciado a contar mais histórias que não interessavam a ninguém (mas sempre de olhos fixados no livro, não fosse ele tentar conversar comigo), ouvi uma senhora do atendimento a ordenar aos gritos às pessoas que esperavam pela sua vez a calarem-se, vi mais pessoas a “dar o golpe”, vi outros utentes que demoraram mais de hora para fazerem o almejado Cartão do Cidadão pois não gostavam da fotografia que a máquina registava, etc, etc.
 
Por volta das 13 horas, já depois do recém-divorciado ter ido embora, tentei convencer algumas das pessoas que ainda esperavam a fazerem uma reclamação no respectivo livro. Registo aqui o espanto por ninguém, à excepção de mim, o querer fazer. Por volta das 13h e 30min fui finalmente atendida, excepcionalmente bem atendida e tudo não demorou mais de 15 minutos.  
 
Como notas positivas, registo o facto de ter lido mais um livro e de a verdade voltar novamente a imperar – posso ter esperado 7 horas para ser atendida mas a minha altura voltou a ser 1,68 m e não os 1,66 m do tempo em que nada disto era “tecnológico”.
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publicado por Veruska às 21:13

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2 comentários:
De guiga a 6 de Fevereiro de 2009 às 17:35
AS tuas aventuras prendem-me! LOL

Tenho de tirar o cartão do cidadão... É maneira de passar do metro e meio! LOL

Bom fim-de-semana!
Beijos *.*
De Veruska a 6 de Fevereiro de 2009 às 21:51
Pois, se calhar para isso vale a pena esperar 7 horas. :)

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