Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

O Allgarve em todo o seu esplendor... ou como os homens adoram um transexual

 

 
Quando há seis anos atrás escolhi o Algarve para morar, sabia que jamais poderia viver longe do mar. Pouco conhecia desta região e quando olhei para o mapa decidida a escolher o local onde iria morar decidi logo ali escolher uma cidade; era muito importante continuar a ter uma vida semelhante à que tinha em Lisboa (precisava do ginásio, dos cinemas, das lojas, dos museus, da vida nocturna…). Depois de uma pesquisa rápida optei por Faro, não por me parecer a escolha mais adequada, mas sim por me parecer a menos má – afinal tratava-se da capital de distrito.
 
Como a vida nunca é linear, acabei por ir parar a Olhão trazendo apenas uma mala cheia de roupa no carro e a vontade de começar uma vida a sério! Três meses depois mudei-me para Faro e à medida que ia conhecendo a região, a desilusão ia-se instalando: a dimensão de uma grande cidade não estava presente, o provincianismo das pessoas não me agradava, o calor atrofiava o meu cérebro e até o trânsito da hora de ponta de Lisboa me fazia falta (recordo com alguma nostalgia os pequenos-almoços feitos em frente à televisão vendo atentamente a situação do trânsito na capital …).
 
Hoje, já tanto tempo depois, continuo a achar que Faro não tem a dimensão de uma grande cidade, que os algarvios são demasiado provincianos, que o calor me atrofia o cérebro e que as gigantescas filas de trânsito podem deixar saudades, mas como em tudo na vida, adaptei-me - passei a ter um grande prazer: nas caminhadas à beira-mar ou no Ludo, na possibilidade de desfrutar da praia durante todo o ano (surf, surf, surf… :)), no facto de poder ir a todo o lado sem necessitar de utilizar um meio de transporte ou na oferta cultural a preços muito inferiores aos de Lisboa. Claro que nem tudo é perfeito e a grande falha são mesmo os ginásios (muito, mas mesmo muito fraquitos).
 
Nestes anos que tenho passado por aqui não houve uma estagnação total, mas pouco coisa mudou. Como não devo ser a única a pensar assim, desde há dois anos a esta parte e durante o Verão, o Algarve transforma-se em Allgarve – “um programa integrado de eventos de animação que pretende, através do life-style, glamour e espírito cosmopolita que estes imprimirão, proporcionar experiências que marquem todos os que nele participarem”. Como às vezes dizem que eu sou uma “betinha” (apesar de não concordar…), os conceitos de life-style, glamour e espírito cosmopolita assentam em mim como uma luva e por essa razão decidi participar nos vários eventos de animação que vão ocorrendo um pouco por todo o Sul. Comecei pela festa “Allgarve Inaugura” no Largo da Sé de Faro, onde iria assistir a vários concertos de algumas bandas emergentes (Rita Redshoes, DeVotchKa e Hércules & Love Affair) e dançar ao som da música do DJ Rui Pragal da Cunha (um mito vivo, mas que se não parar com esta actividade poderá passar rapidamente apenas a mito, tal foi a sua má prestação a misturar as músicas…). 
 
Os vários espectáculos foram muito bons, mas a última banda superou todas as expectativas; tanto a sua actuação em palco como a sua imagem foram muito originais – a secção de metais tocou harmoniosamente, o guitarrista luso-português vibrou durante toda a actuação, a vocalista aparentava ser um pequeno rapazinho e o vocalista parecia uma linda e sensual mulher que deixou boquiabertos todos os homens presentes no recinto e os levou ao mais absoluto êxtase (aqui faço uma pequena paragem só para mais uma vez constatar a fraca acuidade visual masculina).     
    
Mas foi mesmo esta banda que mais se adequava ao espírito de todo o programa Allgarve – quando não acontece nada de realmente novo pode-se sempre “editar” o que já existe!
 
publicado por Veruska às 14:06

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Domingo, 8 de Junho de 2008

Perdidos (...no Ludo) - Episódio 1623

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Heather já tinha perdido a conta aos dias em que estava naquele local rodeado por mar e por campos de golfe. Tanto ela como os seus companheiros mais próximos, Ramón e John, já tinham percorrido aquele sítio vezes sem conta e continuavam sem perceber tão denso mistério. 
 
Tudo tinha começado há muito tempo atrás, quando o voo da Easyjet BN1516 que provinha de Londres e tinha como destino Faro, se despenhara. O avião partira-se ao meio e caíra no meio daquele imenso sapal. Vários sobreviveram ao desastre, e depressa se instalou no ar a confiança de que iriam ser rapidamente encontrados – todos acreditavam que o acidente se tinha dado já perto do destino e que as autoridades iriam realizar tudo o que estava ao seu alcance para os socorrer.
 
Os primeiros dias foram de agonia. Apesar de muitos sobreviverem houve outros que acabaram por falecer vítimas dos vários traumatismos sofridos. Foi nessa altura, que daquele conjunto de desconhecidos, os líderes se destacaram e vários grupos se formaram: os empreiteiros que habilmente construíam estruturas que pudessem oferecer algum conforto aos sobreviventes; os colectores que providenciavam a comida, sobretudo peixe e uma ou outra ave que conseguiam capturar; os exploradores que se ocupavam em desvendar os segredos da região… Era neste último grupo que se inseriam Heather Pinker, Ramón Gonzales e John Smith – três cidadãos britânicos que já tinham visitado o Algarve por diversas vezes. Heather era a mais obstinada e aventureira do grupo e por essa razão envolvia-se frequentemente em conflitos com os seus colegas, mas no entanto era adorada por todos. Ramón e John tinham um carisma impossível de explicar e uma personalidade motivada pela descoberta, que acentuava a compatibilidade entre eles.
 
Naquele dia resolveram mais uma vez rumar ao lado Norte da ria com o objectivo de explorar a ponte de madeira que lá se situava. Decidiram ir quando o Sol assinalava o meio-dia, hora em que era mais fácil evitar os Outros (nativos que habitavam a ria e que frequentemente, de manhã e ao final da tarde, eram avistados caminhando, correndo, andando de bicicleta ou jogando golfe). Já sabiam pela sua experiência que estes seres apesar de parecerem amistosos, capturavam as pessoas e obrigavam-nas a permanecer no seu meio. Enquanto caminhavam, os nossos personagens principais raramente falavam. Conheciam-se já tão bem que frequentemente comunicavam de forma extra-sensorial - um pequeno arquear de sobrancelhas apontava o local onde estavam os flamingos, um ligeiro esgar do rosto indicava o bando de patos selvagens que iniciava o seu voo ou um olhar de soslaio para voltar a observar mais uma vez o monte de sal rodeado por quatro baixos muros cujo segredo ainda não tinha sido desvendado.
 
- Já se avista ponte – sussurrou Heather.
- Sim – respondeu John – estamos quase lá. A partir do sítio onde está a Máquina temos de ter mais cuidado para evitar os Outros. O golfe está próximo…
A Máquina era um mecanismo associado ao sistema de canais de água da ria. Existiam vários destes engenhos e no início alguns tinham sido mesmo destruídos, mas este, o oitavo a ser encontrado, era preservado até se decidir o que fazer com ele.
- Olhem! O que é aquilo?
- O quê?
- Aquilo. – dizia Heather enquanto apontava com o indicador direito – Parece uma mota.
- É uma mota! – exclamou John à medida que se aproximava e já com a adrenalina a disparar.
Não havia dúvida tratava-se de uma Sach Lebre de matrícula  8-NMP e em cima do selim um velho capacete com a inscrição “Good Luck.
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publicado por Veruska às 21:00

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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

O amor nem sempre é lindo... ou como o ponto final pode estar ausente da pontuação

 

 
Talvez por não ter ainda sido encontrada a sua explicação científica, o amor é sempre considerado como a “coisa mais linda do mundo”. Enquanto se ama de forma correspondida os dias parecem passar de forma muito veloz, o sono ou a falta dele deixa de ser determinante para o nosso bem-estar durante o dia e o sorriso é uma constante. Mas como em tudo na vida, tal êxtase não se mantém para sempre, chega sempre a altura em que o amor acaba e é necessário alterar as prioridades, adaptar-se à nova situação e sobretudo dormir, dormir muito…
 
É sobre este “fim” que me quero debruçar hoje. Mais propriamente sobre as semelhanças que existem entre um relacionamento amoroso e a iliteracia (o analfabetismo funcional, que impede as pessoas de compreender o significado de uma frase ou até de uma palavra). 
 
A comunicação é essencial numa relação amorosa. Ambos os intervenientes devem interagir produzindo e recebendo as mais diversas mensagens e, para que o sucesso esteja presente, estas devem ser sempre entendidas. Quando falo em comunicação estou referir-me não só à verbal mas também à não verbal; todos sabemos que uma imagem pode valer mais do que mil palavras e é essa a única razão, mas mesmo a única razão, que nos pode levar a um relacionamento com homens que em vez de falar mascam pastilha elástica, que em vez de beijar, fazem uma pressão de elefante sobre a boca ou que em vez de acariciar a pele parece que lavam roupa suja num tanque!
 
Sendo estes homens portadores de belos glúteos tonificados por horas intensas de ginásio, fluentes em “ginasês” (linguajar muito utilizado por frequentadores assíduos de ginásios, spa’s e afins) e auto-intitulados  “Love Personal Trainer” (LPT), seria de esperar que outras características como a sedução, o erotismo e até a facilidade na troca de ideias sobre generalidades também estivessem presentes. Mas na realidade não! Os LPT’s são homens com uma reduzida capacidade de comunicação, e por essa razão semelhantes a quem tenta escrever um texto sem conhecer a gramática.
 
Na redacção de um texto é essencial saber utilizar de forma correcta a pontuação: o ponto de exclamação, os dois pontos, as reticências, o ponto de interrogação, o ponto final…, pois é esta que lhe atribui a expressividade. Numa relação o mesmo acontece:
- é muito importante saber exprimir correctamente todos os sentimentos e emoções que nos invadem quando estamos apaixonados;
-  é estimulante não dizer tudo, deixando que a imaginação faça o seu papel;
– é fundamental saber quando fazer uma pausa e enunciar as práticas sexuais que necessitam de ser melhoradas;
- é necessário dominar a arte de fazer uma pergunta de forma despercebida quando se desconfia de infidelidade;
- é imprescindível saber quando tudo chegou ao fim.
 
Relações sem emoção e ausentes de expressividade, correspondem a textos sem pontuação. É um facto que a iliteracia é um problema real - há quem não saiba o significado de um ponto final!
publicado por Veruska às 21:05

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