Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

O génio da lâmpada... ou apenas mais uma fantasia de Carnaval

 

 
 
O Carnaval é uma época de excessos e com ele muitos fenómenos que se acreditava pertencerem apenas ao reino dos sonhos acontecem de verdade e espantam todos aqueles que os presenciam. Falo de coisas tão distintas como a censura, a materialização de algumas personagens das histórias de encantar ou mesmo o facto de eu me mascarar pela primeira vez em 30 anos.
 
A minha fantasia para esta época foi-me apresentada há já muitos meses e pareceu-me desde logo muito interessante, pois permitia aliar a consciencialização política com o revivalismo que está tão em moda nestes últimos tempos.  Eu deveria disfarçar-me de Sex Bomb  inspirando-me nos conflitos na faixa de Gaza e na canção de Tom Jones com o mesmo nome. A escolha do modelito foi fácil, pois tal como Tim Gunn tem a sua lista de 10 elementos básicos em qualquer guarda-roupa, também uma Sex Bomb elenca a sua dezena de artigos prioritários sem qualquer dificuldade: as botas de cano alto, as meias de rede, a mini-saia, o cinto de explosivos, a camisola de decote em V profundo, o lenço de inspiração talibã, o baton vermelho, o verniz vermelho, o lápis eye-liner preto e até existe também um elemento à escolha de quem quer este disfarce como seu. No meu caso este último adereço correspondeu a uma máscara que permitia esconder o meu rosto pois não queria, em caso algum, ser reconhecida por ninguém.
 
A noite decorreu sem sobressaltos e de agradável teve tudo: fui o centro das atenções masculinas (embora revele o meu desapontamento e incompreensão em relação a alguns homens que me chamavam de Zorro à medida que passava…), conheci o Paulo Bento e o Maradona (este último em versão muito melhorada e livre de toxicodependências), beijei quem comigo se cruzava deixando a minha marca como se de um carimbo se tratasse e dancei ao som de clássicos como “Mamã, eu quero…” ou “A cachaça não é água, não…” (registo o facto de apesar dos meus 30 anos de ausência de festejos carnavalescos, o hiato musical não passar de uma pequena fenda milimétrica…).
 
A folia dos dias seguintes, e apesar de exteriormente não ser mais do que a Veruska do costume, foi mais do que a esperada e culminou nos acontecimentos da noite de quarta-feira de cinzas. Nessa tão marcante noite conheço um piloto proprietário de dois jactos particulares que atrai até mim um outro homem que insistia em dizer-me que satisfaria todos os meus desejos.  Hoje sei que o piloto era o Aladino, o outro homem o génio da lâmpada e eu apesar de não ter encarnado mais nenhuma vez a personagem de Sex Bom, ela já tinha encarnado em mim.

 

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publicado por Veruska às 20:59

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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

A taxa "Robin dos Bosques"... ou como paguei um queijo fresco e trouxe dois

 
Aqui há umas semanas ouvi nos noticiários, que o estado português pretendia vir a aplicar em Portugal a chamada taxa “Robin dos Bosques”.  Esta taxa não é nada mais, nada menos do que um imposto aplicado às petrolíferas e cujo montante cobrado é depois aplicado em causas sociais. Embora o Presidente da Comissão Europeia tenha sido favorável à sua aplicação, as petrolíferas rejeitaram desde o início esta nova contribuição.
 
Logo de seguida, e apesar de tanta controvérsia, várias entidades comerciais e também consumidores, começaram desde logo a aplicar a já referida taxa “Robin dos Bosques”, não esperando por qualquer consenso das autoridades governativas.  Gostaria assim de partilhar com quem lê este texto o caso da Staples e também testemunhar como eu própria revelei uma forte adesão a tudo isto não fosse eu uma mulher tão receptiva à mudança, arrojada e “muito à frente” do meu tempo.
 
Detectei a situação referente à Staples, quando lá me dirigi a fim de imprimir um documento. Quando chegou a minha vez inquiri sobre o preço de cada página, dei a pen ao funcionário para que a ligasse ao computador e até lhe disse que ele lhe devia dar “um jeitinho” para que fosse reconhecida, pois ela por vezes “faz mau contacto”.  Paguei as impressões, pedi uma factura e quando cheguei a casa detectei que me tinham sido cobrados 0,10 € de TAXA DE ABERTURA DE FICHEIRO DE PEN / CD ATÉ 10 FOLHAS. Depreendi logo que a Staples já roubava aos ricos para dar aos pobres, embora não tivesse compreendido quem eram os ricos (eu não seria de certeza) e quem seriam os pobres que iriam usufruir de tal medida. No entanto, acredito que depois de passado o período experimental de aplicação do imposto tudo se irá clarificar.
 
Já o meu caso pessoal está intimamente relacionado com o facto de eu ser uma vítima da escalada dos preços dos combustíveis e por essa razão dever usufruir das contribuições angariadas por esta medida.  Decidi então por minha própria iniciativa aplicar a taxa no hipermercado Jumbo. Este hipermercado prima pela falta de operadores de caixa, sobretudo às horas de maior afluxo, e é quase impossível, ao final da tarde, conseguir um tempo de permanência inferior a 30 minutos nas filas das caixas.  Para tentar ultrapassar esta dificuldade tentei por algumas vezes usar as caixas self-service sem sucesso - ou porque os códigos dos produtos não são reconhecidos ou porque o pagamento não se efectua ou porque a máquina simplesmente encrava.
 
Mas apesar de tudo isto, num momento de desespero vejo uma dessas caixas ali toda verdinha sem ninguém de volta dela e corro para lá antes que qualquer outro cliente a alcançasse. Pego nos sumos e corre tudo bem, a seguir vêm os iogurtes e nem uma mensagem de erro, mais um conjunto de iogurtes e começo a ficar cheia de confiança.  Quando chega à vez dos queijos frescos fico apreensiva pois normalmente o operador necessita sempre de digitar manualmente o código; sinto as mãos a suar e o coração a palpitar mais fortemente mas numa total surpresa oiço o “plim” de que tudo estava bem.  
 
Pensava já que não iria encontrar nenhum obstáculo quando tentei passar o código da outra embalagem de queijo fresco que estava muito bem agarradinha à primeira e nada. Mais duas ou três tentativas e nada. A máquina pedia-me que colocasse o produto no saco. Tentei manter a calma e lentamente tentei separar as duas embalagens ao mesmo tempo que pensava que aquilo não iria resultar – haveria sempre um desequilíbrio de massa nos cestos da máquina pois tinha levantado duas embalagens e só podia depositar uma e como consequência também não poderia registar outra.  Olho para um lado, olho para outro e vejo um mar de gente à espera de vez e a operadora que dá assistência ocupada a resolver um problema. A rapidez de raciocínio era obrigatória, pois teria de decidir o que fazer sem prejuízo da minha parte e além do mais estava com muita pressa.  
 
Não hesitei e apliquei a taxa “Robin dos Bosques” – coloquei os dois queijos frescos no check-out, paguei o que tinha a pagar e os 0,62 € do queijo que não paguei reverteram a meu favor, a vítima dos aumentos sucessivos da gasolina.
publicado por Veruska às 21:43

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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

No Algarve tudo é diferente... ou como o serviço CTT Expresso "trabalha" em Faro

Como já expliquei várias vezes, quando me decidi por Faro para viver, não me apoiei em nenhuma espécie de conhecimento sobre esta cidade ou sobre o Algarve, não procurei conselhos de quem já conhecia o modo de viver da região e nem sequer prestei mais atenção ao Jornal da Noite da TVI (o único que presta um serviço de informação isento sobre o que realmente se passa aqui por esta terra…). Simplesmente peguei no mapa e decidi que Faro poderia ser um bom lugar para trabalhar e viver.
 
            Confesso que o choque foi muito grande. Apesar de vir de uma vila, sentia que Faro era muito mais provinciano do que Cascais! Lentamente lá me fui adaptando e há medida que o tempo passava até ia conseguindo encontrar algumas vantagens nesta nova forma de vida. A primeira foi o acesso gratuito à internet. Por aqui não é o SAPO, o Kanguru, ou a NetCabo que detêm a maior quota de mercado, pelo menos no prédio onde moro, é mesmo a net V*****. Este operador trabalha apenas com velocidades de acesso muito elevadas mas infelizmente e como em tudo na vida, tem a desvantagem de ter limitado as comunicações P2P.
 
            Uma outra diferença reside na entrega do correio expresso. As encomendas chegam-nos através dos vizinhos e não pelo carteiro, embora este último não esteja totalmente ausente de todo o processo.  O vizinho, depois de jantar, dirige-se ao nosso domicílio e pergunta-nos se estaríamos à espera de alguma encomenda. Quando a resposta é afirmativa, a embalagem é-nos entregue e ao mesmo tempo informa-nos que já tentou encontrar o destinatário em vários andares mas não conseguiu. O vizinho também estranha que o pacote venha endereçado a um tal de D*****, e como ele sabe, não mora ali nenhum homem (é escusado explicar, que o nome masculino D***** é o meu apelido!).
 
            Alguns minutos depois de acusada a recepção, o destinatário recebe uma chamada telefónica de uma pessoa que se intitula o carteiro e que apesar de ter conhecimento do número de telemóvel da pessoa para quem telefona não faz ideia de qual será o seu nome. Nessa altura o presumível carteiro pergunta se a encomenda chegou em bom estado e certifica-se de que tudo decorreu sem problemas e informa que em Faro o serviço CTT Expresso não faz serviço nocturno e que simplesmente a Fnac Online desconhece facto.
 
            Aqui a vantagem é a eficiência do serviço de reclamações. Não fosse a intenção manifestada ao vizinho, de que uma encomenda se entrega ao destinatário e não a outros e que por essa razão uma reclamação iria ser formalizada, duvido que o presumível carteiro me tivesse telefonado!
 
publicado por Veruska às 18:51

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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Um jantar afrodisíaco... ou como todos estamos em sintonia poética

 

 

 

 

 

Perdição rima com amar até mais não;
Eram só ideias que não me saíam da mente – Mais não!
Pára de me tocar assim
Com os sabores do jantar afrodisíaco…
 
Afro ou Dionísio
A questão não é a raça
É a beleza do ser
E o que interessa é a graça.
 
Graça? Qual graça? Isto é uma completa desgraça!
É verdade, até sou engraçada…
E depois? E depois, uma vagina quente e molhada!
 
(Autoria: JG, Veruska, JV, CL, LC, JA)
 
 
Depois de passado um ano sobre a última vez, mais três casais (sem qualquer ligação entre eles, excepto a amizade que os unia) juntaram-se numa casa fechada e sem testemunhas, com o pretexto de mais uma vez celebrar o Dia de São Valentim.
 
À hora marcada lá foram chegando os convidados (registe-se aqui o facto de alguns terem recebido chamadas dos seus pais em jeito de despedida e esperando que fosse desta vez que os seus filhos/as se envolvessem romanticamente com alguém) todos muito elegantes e chiques acompanhados pela garrafa de vinho necessária à festa e os textos que seriam usados na desgarrada poética.
 
A comida de tão afrodisíaca que era, despertava na anfitriã algum temor pela forma como poderia acabar tal convívio; conjugar numa mesma noite efeitos tão díspares como aumento da frequência cardíaca, irritação dos órgãos genitais e aumento da testosterona poderia levar a situações não desejadas…
 
 
Mesmo antes da desgarrada de poesia e já sob o efeito de algum do vinho que corria a rodos, formou-se logo ali um colectivo de autores que arriscou na escrita de um poema que de alguma forma transparecesse o que se vivia nessa noite. Da qualidade dos versos escritos pouco se pode dizer tal é a sua riqueza de vocabulário, arrojo, métrica e recursos estilísticos, que revelam desde início uma total alheação por parte dos autores de tudo o que se passava na casa.
           
            Depois desta ousadia, rapidamente o colectivo de autores se transformou num conjunto de declamadores evidenciando-se o estilo de cada um através do que liam e como liam: a “menina de Cascais” leu um poema casto e pouco ordinário de José Régio, os que possuíam veia artística preferiram Bertolt Brecht, a erudita leu amiúde textos de vários autores desde Bocage a António Boto, a mestranda em literatura comparada leu três textos muito actuais sobre o cortejamento (de Ovídio), a noite de núpcias (de Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores) e o adultério (também de Miguel Sousa Tavares in Equador) e o beato, fã de procissões e de bivalves preferiu alguns autores brasileiros que embora brejeiros, revelavam uma profundidade de sentimentos difícil de expressar.
 
            A noite terminou já quase de manhã com a sensação de missão cumprida!
 
publicado por Veruska às 22:56

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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Eu consumo marcas brancas... ou será que são elas que me consomem a mim?

 

Os tempos são de crise e mesmo que eles não o fossem, provavelmente eu optaria por comprar muitos dos meus produtos de consumo das chamadas marcas brancas. Estes produtos são mais baratos do que os de marca e têm de ter qualidade igual ou superior ao líder de mercado. É por isso que compro sempre os produtos de limpeza, algumas mercearias, alguns frescos e alguns produtos de higiene deste tipo.
 
Desconheço todas as envolventes deste negócio, mas acredito que este tipo de abordagem comercial se está a generalizar e neste momento é muito mais abrangente do que o universo dos produtos para o lar. Uma das áreas com enorme potencial de desenvolvimento prende-se com o tipo de homens que actualmente se encontram disponíveis para relacionamento amorosos.
           
            Estes homens de marca branca aparentemente são iguais ou melhores do que os seus colegas de marcas comerciais: vestem roupa que os favorecem, possuem carro próprio, são avistados em cinemas, bares e discotecas e até incluem nas suas rotinas diárias a actividade física que os mantêm sãos e bonitos.  Mas ao contrário das marcas brancas de qualidade, possuem incorrecções que os tornam um produto defeituoso indesejável para qualquer consumidora mais exigente.
 
            Estas irregularidades incluem a falta de inscrições obrigatórias, a não especificação das condições de conservação, a falta de algumas indicações quantitativas, a não informação do prazo de validade e a denominação incorrecta de venda. Veja-se cada uma delas em detalhe:
 
Não especificação das condições de conservação
 
Para que a sã convivência entre os dois géneros seja pacífica, é importante conhecer em detalhe quais os produtos de cosmética utilizados por este homem de marca branca. Não há nada de mais constrangedor do que perceber que o parceiro é quem necessita de mais espaço de casa-de-banho para guardar os seus cremes, champôs, bálsamos…E se a maquilhagem estiver presente entre as suas coisas, então aí a incorrecção ainda é mais grave.
 
Falta de algumas indicações quantitativas
 
Este item prende-se com o desconhecimento de alguns dados pessoais e passíveis de quantificação como por exemplo o estado civil, a idade, as reais motivações das acções que desenvolve. Com frequência homens cujo único relacionamento que envolve intimidade é com a sua mãe, tentam ardilosamente convencer alguma mulher menos cautelosa de que adorariam que esta fosse a mãe dos seus filhos.
 
Não informação do prazo de validade
 
            Apesar de o prazo de validade de um homem de marca branca não ser muito relevante uma vez que a sua durabilidade é muito grande, é importante estabelecer limites bem definidos no tempo para que toda o possível envolvimento romântico não se arraste infinitamente de forma indefinida.
 
Denominação incorrecta de venda
 
            Muitos destes homens são catalogados como heterossexuais metrossexuais quando na realidade a única verdade é apenas a que está relacionada com a sua metrossexualidade.
 
Como conselho, acentuo a necessidade de procurar fazer escolhas acertada e nunca deixar para segundo plano dados aparentemente insignificantes mas de extrema importância na qualidade do produto final.
publicado por Veruska às 00:06

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