Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Coisas insólitas (II)... ou como não sou a única a viver dentro de um livro do Murakami

 

O meu fascínio pelo Japão começou em menina. Nessa altura, a cultura japonesa era praticamente uma incógnita para os portugueses acabadinhos de sair de um período de “cegueira”, mas não sei bem explicar porquê, a vontade de conhecer o que se passava por lá, ia crescendo devagarinho dentro de mim.

 

Não se tratava de uma paixão exacerbada mas sim de um amor construído de forma lenta e sólida. Queria andar pelas ruas de Tóquio, visitar templos, jogar pachinko e tentar compreender como é que aquele povo gostava tanto de Manga.

 

Depois vieram as leituras. Comecei com Yukio Mishima, seguiu-se Kenzaburo Oe e por fim o maior de todos, Haruki Murakami. Deste último já li quase tudo. Comecei com Sputnik, Meu Amor, escolhido de entre vários na prateleira porque estava mal de amores e precisava de carpir a minha dor…Seguiram-se muitos outros, Norwegian Wood, Em Busca do Carneiro Selvagem, Kafka À Beira-Mar (um dos livros do meu Top 3), Crónica do Pássaro de Corda, Auto-Retrato do Escritor Como Corredor de Fundo, etc., etc.

 

Neste momento estou prestes a acabar o 2º volume de 1Q84 e apesar de, para mim, nem tudo neste livro ser irrepreensível, é com alegria que me congratulo que o universo fantasioso de Murakami invadiu já a sociedade e a política portuguesas.  Nesta obra, um dos protagonistas é um professor de Matemática que acumula com a profissão de ghostwriter escrevendo um livro que se torna num grande sucesso, ganhando um prémio e atingido vendas muito elevadas.

 

Em Portugal existe já pelo menos uma empresa a oferecer este serviço – a Culture Print. De acordo com esta notícia, a empresa oferece os seus préstimos de escrita de livros, blogues e discursos a quem tenha dificuldade em exprimir-se por palavras.

 

Julgo que o último cliente a solicitar este tipo de serviços terá sido o Serviço Nacional de Saúde, pedindo-lhes que redigissem a missiva que está a chegar a alguns laboratórios farmacêuticos, “exigindo perdões significativos da dívida em atraso, em troca do fornecimento de medicamentos e diagnósticos in vitro, para avançarem com o seu pagamento”.

 

         Não há dúvida que o estilo de Murakami está lá (a “fantasia” da proposta encontrada para se resolverem as dívidas e a “solidão” intuída para quem não embarque nesta solução), embora fique um pouco aquém do original. Não sei se será um best-seller.


publicado por Veruska às 15:05

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

O orgasmo é amarelo... ou como a publicidade subliminar existe mesmo


                                                                                          

Desde muito pequena que o conceito de publicidade subliminar não é desconhecido para mim. Não consigo precisar quando é que tomei conhecimento deste tipo de propaganda, mas desde esse momento que sei contar a história de que um americano teria introduzido alguns fotogramas com a imagem da Coca Cola numa película de um filme normal.  Os espectadores não teriam consciência da visualização do logotipo da marca, mas o seu inconsciente saberia muito bem aquilo a que tinha sido submetido e reconheceria de imediato a bebida,  potenciando assim a sua compra. Hoje sei que tal situação é atribuída a James Vicary no ano de 1957 e que, provavelmente, toda esta estória não passará de um mito urbano.

 

Desconheço o que se faz actualmente nesta área, mas acredito que a publicidade subliminar é aplicada nos mais variados campos em Portugal.  Eu própria sou alvo deste tipo de anúncios embora não consiga dizer nem quando, nem como. Só sei que cada vez que vou apenas dar um passeio acabo por comprar uma série de peças de roupa, sapatos, colares, pulseiras, revistas e até produtos de mercearia e de limpeza de que estava “mesmo a precisar”.

 

Não é só na área do consumo que este tipo de divulgação actua; agora também a área da sexologia conta com o seu importante contributo, sendo a Cláudia Vieira o veículo pela qual ela se dissemina. Para esta conclusão contribuiu a tomada de conhecimento de um vídeo que mostra a forma como o cérebro de uma mulher se oxigena durante um orgasmo. As imagens foram obtidas através de uma técnica de ressonância magnética e mostram o cérebro a oscilar entre as cores vermelha (baixa oxigenação) e amarela/branca (elevada oxigenação), correspondendo esta última clímax máximo.

 

É precisamente na cor amarela que reside a ideia principal de tudo isto.  As tendências de moda deste ano, cedo nos disseram que o amarelo seria a cor da moda. Roupa, sapatos e acessórios amarelos é que seriam um investimento seguro. Populares e celebridades usam a cor, umas vezes em pequenos apontamentos, outras de forma integral. E foi precisamente isso que Cláudia Vieira fez; vestiu um vestido amarelo na cerimónia dos Globos de Ouro deste ano.

 

Nas redes sociais, na comunicação social e nas crónicas de opinião já muito se disse sobre esta opção de indumentária da actriz e apresentadora. Mas o que ninguém sabia é que ela cumpria um papel enquanto desfilava na passadeira vermelha – levar o nosso inconsciente a desejar intensamente entregar-se ao prazer.  Infelizmente a técnica não foi bem sucedida, pois não foi apenas o inconsciente a aperceber-se desta manobra publicitária.

publicado por Veruska às 21:55

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Cenas da vida privada... ou como eu desprezei um podólogo


                                                                                          

 

Sempre achei que os pés devem ser tratados.  Gosto de os ver hidratados, com as unhas bonitas e pintadas, sem ressequimentos nos calcanhares e dentro de uns sapatos de salto alto estonteantes de belos. Por essa razão, decidi aproveitar a borla promovida pela Junta de Freguesia de Montenegro (Faro) e lá fui eu usufruir de uma consulta de podologia com o intuito de descobrir se tinha unhas encravadas ou não.

 

A expectativa era em muito ultrapassada pelo temor de ter de extrair por completo a minha unha do dedo mindinho do pé. Desde há anos, que a mesma me dói  sobretudo quando a moda me obriga a usar sapatos de biqueira estreita, situação com um elevado grau de incompatibilidade com o formato do meu pé.

 

Depois de ter esperado quase uma hora para ser atendida, percebi que o técnico estava a chegar quando uma auxiliar entre dentes disse ao jovem bonacheirão que passava que já várias pessoas o aguardavam. Prontamente fui encaminhada para o gabinete onde o Dr. se apressou a pedir-me desculpa pelo atraso verificado. Em dois minutos foi feito o rastreio e o veredito não podia ser mais assustador. Quanto a calosidades, unhas encravadas e desidratação não havia nada de preocupante, mas já no que dizia respeito aos fungos, a situação mudava totalmente de figura e seria necessário não só uma intervenção que duraria cerca de um ano, como uma reeducação ao nível do meu calçado e dos meus comportamentos em relação aos pés.

 

Teria de deixar de pintar as unhas, situação que causou em mim o maior desalento imaginado. Afinal de contas o tempo “das sandálias” já começou e só ainda não tinha as unhas pintadas porque tinha a consulta de podologia agendada.

 

Seriam-me permitidos sapatos de salto alto, embora não muito alto, com atacadores e assim “um salto que acompanhasse todo o sapato”. O receio invadiu-me, já que os sapatos de cunha não são os meus preferidos.

 

Poderia usar botas; umas botas “tipo texanas com a biqueira larga” modelo que nem consigo imaginar.

 

            Ainda lhe perguntei:

 

            - Mas, ó Dr. o que é que faço às centenas de euros que tenho dentro dos meus armários????!!!!

            - Pois é, a senhora pertence a uma classe tramada, em que o aspecto físico é muito importante.

 

            A partir daqui já não registei mais nada. Só queria sair dali. Estou certa de que me sentiria como o Miguel Relvas, mas ao contrário.  Não sabia nada da vida privada do podólogo, mas também eu só desejava um blackout que impedisse que a informação sobre os meus pés chegasse até mim.

publicado por Veruska às 15:23

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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Só entra quem tem bilhete... ou como até os penetras têm de pagar


                                                                                          

 

A palavra bilhete pode ter vários significados, mas quando associado a um espectáculo só pode corresponder à admissão do mesmo. Por essa razão nunca estranhei que para se aceder a uma projecção cinematográfica, a uma peça de teatro, a um evento desportivo ou sabe-se lá que mais, fosse necessário esse documento.

 

Actualmente é prática comum emitir bilhetes, mesmo para espectáculos gratuitos.  Esta prática que visa otimizar a atribuição de lugares e evitar que magotes de pessoas se desloquem aos locais onde decorrem os já referidos espectáculos não é alvo da minha simpatia.  É recorrente muitas dos indivíduos que conseguiram os ingressos não assistirem ao espectáculo prejudicando quem não conseguiu lugar ou quem ficou em lugares piores.

 

Não sei se a justificação para os problemas surgidos hoje no treino da Selecção no Estádio Municipal de Óbidos estará relacionada com o anterior descrito, mas mesmo que as semelhanças sejam inexistentes, é compreensível que a indignação assalte quem quis assistir à preparação dos nossos futebolistas e não conseguiu. O que é certo é que “contas feitas, entre bilhetes distribuídos, “intrusos” e “indignados” o primeiro treino com a selecção completa foi presenciado por cerca de 3000 adeptos” e tudo de graça.

 

Já em Lisboa, existe um projecto – o Alfama-te - que tenta aliciar pessoas a entrarem em festas sem convite.  Segundo explica um dos mentores do projecto na revista do Expresso de 19 de Maio, é possível organizar uma festa de aniversário, com um mínimo de 50 convidados, que pagarão o seu jantar, desde que se esteja disposto a deixar entrar pessoas que não se conhecem de lado nenhum. Numa primeira impressão poderá pensar-se que os penetras destas festas “levam a melhor” pois não é todos os dias que se consegue comer e beber sem pagar, mas na realidade nem tudo é o que aparenta.  Quem quiser participar nestas “crash parties” terá de pagar bilhete. Existem mesmo duas modalidades de ingressos: a regular ou a low cost para quem se fizer acompanhar de uma prenda para o aniversariante.

 

O conceito é tão novo que nem consigo opinar sobre se ele me agrada ou não, mas tenho a certeza de que em breve ele será adoptado por muitas outros projectos, organizações e instituições e quiçá, mesmo pela Selecção Nacional de Futebol. A sua aplicação é praticamente ilimitada e imagino já um senhor a cobrar um valor simbólico por cada invasão de campo no final dos jogos.

 

publicado por Veruska às 22:53

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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Desapareceu a bandeira de Timor... ou como eu gostava tanto de fazer compras na ZARA


                                                                                          

 

 

Não há qualquer dúvida de que uma bandeira é um símbolo que pode representar, entre outras, uma nação. Existem em várias formas, tamanhos, cores e podem ser inspirados nos mais diversos temas.  Umas têm brasões, outras instrumentos de trabalho ou simplesmente riscas.  Uma coisa é certa, uma bandeira é muito mais do que um simples pano.

 

É por isso que constato com alguma surpresa que a “bandeira histórica que subiu ao mastro no momento em que os timorenses” voltaram a ter um país, desapareceu e ninguém sabe como ou quando. Como revelou Ramos-Horta “como era grande demais para hastear no mastro do palácio, a bandeira foi colocada na fachada do edifício”, ao fim de alguns dias foi guardada e pelos os vistos, alguém a levou sem autorização.

 

Também por aqui, situações semelhantes têm ocorrido nas lojas da marca ZARA. De repente as peças de roupa que captam o meu olhar quando passeio pela loja deixaram de existir no meu tamanho (muitas das peças só se vendem agora na versão S e M). Como sou destemida não me deixo desanimar por esta ausência de formatos grandes e escolho os exemplares de tamanho médio para os experimentar. Com grande pena minha, tais artefactos mostram-se sempre insuficientes para cobrir este meu corpo ainda afectado pela recente maternidade.

 

Claro que as vantagens desta situação são imensas – não gasto dinheiro, não acumulo roupa, não levo os meus guarda-fatos ao colapso, etc, etc. Mas como sou uma pessoa com muito de “estranho” na minha vida, constato que lá no fundo eu estou é em sintonia com Timor. Tal como na Nação timorense, alguém me está a destituir dos meus símbolos. 

publicado por Veruska às 19:37

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