Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Fim do cinema em Faro... ou uma grande tristeza que me invade

Sou uma pessoa dada à autorreflexão. Gosto de estar em silêncio, sossegadinha como que em modo contemplativo de uma realidade que apenas se encontra dentro de mim. Gosto de fazer listas mentais de assuntos sem importância, que prontamente se esquecem assim que a ociosidade se vai embora. Simpatizo com a ideia de planear a minha vida, como se de planificação ela dependesse. E adoro, simplesmente adoro, a sensação de descanso a invadir os meus músculos, ossos e tudo o que faz de mim um ser com vida.

 

E a questão que se pode colocar já na sequência de tudo o que foi escrito anteriormente é: e onde praticas tu essa arte? Ao que eu respondo sem hesitar – no cinema. É que eu adoro relaxar no cinema. Aqueles momentos em que se chega cedo à sala, numa sessão de início de tarde, imediatamente a seguir à abertura da porta em que ainda não se iniciou a projeção da publicidade nem da música ambiente é o meu momento. Naqueles minutos que antecedem o início da película, numa cadeira confortável, na penumbra, em que há um silêncio ecoante e ainda nem vivalma nas redondezas é quando nos acercamos do nirvana.

 

Não acho nada que seja difícil ficar “a sós com os meus pensamentos, sem fazer nada”, contrariando o estudo recente que veio a público. Pelos vistos a maior parte das pessoas não tem esta aptidão e consideram mesmo que a experiência de ficarem durante 6 a 15 minutos a pensar numa sala vazia é desagradável. Mas este estudo vai ainda mais longe e revela que a maior parte dos homens, prefere mesmo auto administrarem ligeiros choques elétricos em troca destes momentos de inação.

 

Agora que os cinemas em Faro fecharam – sim, somos uma capital de distrito sem cinema mas com muitas outras estruturas em pleno e excelente funcionamento – eu vou ter de terminar com as minhas sessões de meditação. Acredito que também mais algumas pessoas encarem tudo isto com uma lágrima ao canto do olho. Fosse eu um homem, estaria agora interessado em comprar uns fios de cobre e umas pilhas e não em refletir sobre assuntos que não interessam nada a quem tem acesso a uma boa velocidade de internet e a um bom disco multimédia.

publicado por Veruska às 15:22

link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Vamos esquecer isto... ou a dança ausente da minha memória

 

 

No início dos anos 90, convivi, se é que se pode chamar assim, com o Gustavo Santos. Tinha umas aulas de hip-hop cujos meninos dos então Hexa, frequentavam de vez em quando.  Na altura, aquele jovem, mais jovem do que eu, não se destacava por entre os demais. Não me recordo se era expressivo na sua dança, se o seu talento era ilimitado ou se se aprimorava no seu desempenho. Mais tarde reconheço-o no seu percurso mais mediático, como apresentador do Querido Mudei a Casa e como coach.

 

Graças ao ócio que volta e meia me invade e que me leva a contrariá-lo com as coisas mais estranhas que se possam imaginar, hoje arrisquei pela primeira vez na visualização de um dos seus vídeos. Sob o tema “Quanto esperarias pelo amor da tua vida?”, o autor faz afirmações fantásticas e até aceitáveis como “esperar não dá em nada” ou “o amor da minha vida sou eu” e outras que se revelaram como um admirável mundo novo. Saber que a mente se chama assim porque nos engana a todo o instante ou que o agora não é o presente, foi demais para esta tarde descontraída. Sob pena de terminar o meu dia na ala psiquiátrica do Hospital de Faro, rapidamente deixei de me concentrar nas suas palavras e passei a focar-me na sua expressão corporal.

 

Pois é, ao longo do seu discurso, Gustavo gesticula, faz semicírculos no ar com os dedos, dá golpes de karaté laterais, apalpa maminhas imaginárias e até saca de duas pistolas e atinge a entrevistadora.  Tenho tanta pena de não ter aproveitado a hipótese de ter visto de perto a forma como dançava.

publicado por Veruska às 14:28

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Diário de uma cardíaca (6)... ou a chave da vida

 

Gosto de levar o puto ao infantário já equipada para correr.  Aproveito a caminhada como aquecimento ligeiro e encho-me de deleite quando oiço o miúdo de dois anos perguntar-me se estou a usar o relógio da ginástica (dispositivo mágico caríssimo oferecido pela cara metade, que a partir do meu pulso debita informações como a frequência cardíaca e o local onde me encontro; esta última informação muito importante para quem comigo divide cama e mesa).  É uma realidade que o esforço despendido na atividade da corrida é tremendo, mas cada vez mais penso em continuar e em melhorar as minhas marcas (ontem baixei de 8 min/km para 7 min/km e foi muito bom).

 

Enquanto corro só me lembro do que li algures há muito tempo, talvez décadas  - Will Smith considera que a chave da vida é correr e ler.  A corrida ensina-nos a não desistir e a leitura ensina-nos a aprender com a experiência dos outros.  Durante a maior parte da minha vida só pratiquei a segunda opção, começo agora com a primeira.  O entusiasmo tem sido crescente e o bem estar proporcionado por esta atividade matinal é viciante.  E mais do que tudo, o facto de se aproximar mais uma reavaliação da minha condição cardíaca ainda torna tudo isto mais importante.

 

Também penso muito no Haruki Murakami e no seu auto retrato enquanto corredor de fundo e também eu consigo ter uma imagem de mim enquanto animal em esforço em que mais nada interessa, ou melhor, quase mais nada interessa. Faço aqui esta ressalva porque a realidade farense leva-me a estar de olho no bairro degradado que circundo nesta minha prática matinal e na comunidade cigana que o embebe.  Se de início a segurança era a minha principal preocupação, agora é mais o descortinar de coisas estranhas que acontecem como a existência de dois grupos, um de mulheres e crianças e outro de homens, que contemplam a ria e que não estabelecem contactos entre si que ocupa parte do meu cérebro. A outra parte ocupa-se em acreditar que qualquer um dos outros frequentadores desportistas com quem me cruzo me encare como uma verdadeira desportista capaz de alcançar as marcas mais incríveis de sempre.

 

publicado por Veruska às 13:59

link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|
Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Um post útil (2)... ou como comprar um colar statement no e-bay


 

Sou uma menina de Cascais! Nunca o escondi. Nasci no Monte Estoril, andei num colégio de freiras, toda a vida desfrutei da baía de Cascais e nunca gostei dos Delfins.  Conheci figuras públicas,  andei na escola com elas, de algumas fui professora e com muitas me cruzei no meu dia a dia atarefado.  Na realidade, eu é que devo ser a VERDADEIRA MENINA DE CASCAIS, ou pelo menos uma das não ilustres constituintes desse grupo. 

A minha família não é acionista de bancos, não mora na Quinta da Marinha ou numa outra qualquer quinta cascalense e muito menos se passeia em Ferrari’s ou carros topo de gama. Não tenho madeixas loiras no cabelo (embora confesse que já as tenha tido…), não me bronzeio como se não houvesse dia de amanhã e não trato todas as pessoas “por você”. Não sou magra como um espeto (com alguma pena minha), não como apenas metade de um queque na esplanada e não digo presente em vez de prenda.  Mas tenho sotaque de “tia da linha” (mas também, quantos é que não o têm em Faro??!!), a altivez de menina bem e o gosto, embora dissimulado, pelas quinquilharias “do chinês”.

 

E é neste último ponto que reside o âmago da minha partilha de hoje. Se no passado partilhei com todos a melhor forma de comprar um triquini no e-bay, hoje faço e a pedido de muitos (aliás parte do Algarve e talvez de Portugal esteja em suspenso até publicação deste post) o mesmo, mas com os colares statement.

 

1. Caracterizar o objeto de desejo

Há sempre que saber muito bem o que se quer. Eu, por exemplo, não gosto de plásticos. Gosto de metais, resinas e couros, mas de plásticos não.  Também quero sempre colares em que é possível o ajuste ao pescoço. Ter um babete que não fica perto do pescoço, mas que acaba por ficar em cima das mamocas não é bonito e não fica bem.

 

 2. Fazer a pesquisa do mercado

Aqui é necessário perder 1 ou 2 horas no início. Esta pesquisa inclui não só a do e-bay, mas também as das lojas e de blogs de moda para marcarmos uma ou outra tendência que nos agrade. Depois torna-se fácil, pois aquilo que queremos acaba sempre por aparecer mais cedo ou mais tarde (o “chinês” também vai sempre à Pedra Dura, Zara, etc. e tem os mesmos gostos que nós, e que a Pipoca e a Mini-Saia). Aconselho visitar o e-bay por 10 ou 15 minutos todos os dias mais ou menos à mesma hora; primeiro veem-se os artigos newly listed e depois os ending soonest.

 

3. Escolher os free shipping

No que diz ao preço a pagar, este não deve ultrapassar os 5 euros (claro que se quisermos algo parecido com os artigos J.Crew, se calhar já compensa pagar 10 €; eu pelo menos já o fiz). Colares a 6, 7 e 8 euros existem aos pontapés nas lojas. Ah, e falo de custos totais, por isso o free shipping é obrigatório.

 

4. Em compra por leilão, licitar perto do final do período de disponibilidade

A forma de comprar pode ser direta ou então entrar em jogo num leilão. Não se pense que um leilão é sempre um bom negócio. Na maior parte das vezes não o é, pois o preço final é frequentemente superior ao pedido pelo vendedor em compra direta. No entanto vale a pena experimentar, sobretudo porque o site tem a opção de estabelecer um teto máximo de licitação e de fazer tudo sozinho por nós.  Quem quiser sentir a emoção do jogo e fazer o trabalho do computador, basta licitar no fim do período de disponibilidade vencendo os outros que também querem andar bonitas como nós.

 

5. Criar a nossa lista de vendedores preferidos

Quando se encontra o “chinês” que vende os produtos supimpas que nós gostamos, podemos ser umas malucas e adicioná-lo à nossa lista de vendedores preferidos. Assim quando queremos uma peça nova, vamos diretamente à sua loja e a transação é mais agradável e menos morosa.

 

6. Não desesperar com a espera pela encomenda

Demora tempo (normalmente mais de um mês), mas compensa. Não é todos os dias que se compram peças a 1,2,3 euros e lindos. Caso alguma coisa corra mal, é só escrever ao vendedor e reclamar. A situação resolve-se sempre com a devolução do dinheiro para a nossa conta pay-pal e nunca há problemas (pelo menos nunca os tive).

publicado por Veruska às 14:21

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Sábado, 28 de Junho de 2014

A minha longevidade... ou as boas novas para mães tardias

 

 

A consciência da minha mortalidade chegou por volta dos 35 anos.  Nessa altura, e não sabendo porquê, percebi que não ia ficar por aqui para sempre. A partir de então, esse é um pensamento, que emoldurado pelo últimos minutos do Sete Palmos de Terra não deixa de me provocar uma nostalgia de algo que ainda é o meu presente.

 

As boas novas vêm com as promessas de longevidade que vou ouvindo por aqui e ali. Recordo, embora sem orgulho, dos ensinamentos do Dr. Oz e do seu colega Dr. Royzen que me levaram a enveredar pelo caminho dos multivitamínicos agora tão caídos em desgraça e dos cânticos em sânscrito das aulas de swhastya yoga que prometiam ondas de bem estar que perdurariam durante horas, essenciais para prolongar o nosso estado jovial.

 

Se dos cânticos me livrei logo após a primeira sessão (confesso que nesse dia a minha imagem idiota refletida pelo espelho, sentada, a bater palmas e a cantar coisas incompreensíveis esforçando-me por me concentrar na vibração dos sons enquanto pagava uma pipa de massa para lá estar, foi avassaladora), já no que diz respeito às vitaminas foram necessários vários anos e vários médicos para que a luz invadisse o meus espírito. Mas surge agora mais uma boa nova. Parece que mulheres que engravidaram de forma natural mais tarde na vida, poderão possuir genes que lhes permitirão viver mais anos.

 

Eu sabia ou melhor, a minha intuição já estava na posse desta informação quando recusei fazer uma histerectomia umas duas semanas antes de engravidar. Haveria um plano quase divino (e ponho aqui o quase, porque de Deus não quero saber nada) de me manter neste planeta durante o período de tempo mais longo possível.

 

Espero agora serenamente pelos meus 85 anos, altura em que o meu filho de 45, já deve ser autossuficiente e que a reforma já estará próxima. Espero depois viver até aos 150 e gozar os meus últimos anos numa ilha paradisíaca com as poupanças de uma vida (de funcionária pública, claro).

 

publicado por Veruska às 14:23

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

.eu

.pesquisar

 

.Agosto 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.últimos reflexos

. O poder da publicidade......

. Que coisa estúpida... ou ...

. Concentração motard de Fa...

. A minha estratégia para i...

. Não acho piada à Kim Kard...

. Fim do cinema em Faro... ...

. Vamos esquecer isto... ou...

. Diário de uma cardíaca (6...

. Um post útil (2)... ou co...

. A minha longevidade... ou...

.caixa de Pandora

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2011

. Agosto 2010

. Abril 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Uma experiência quase cie...

. Os vossos favoritos

.links

.espreitadelas

Contador grátis
Link

.mais comentados

blogs SAPO

.subscrever feeds