Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Que coisa estúpida... ou mais uma ode às mulheres maravilhosas


 

Fui educada de forma conservadora. Não podia brincar na rua, usar mini-saia, sair para ir dar uma volta e muito menos ter amigos rapazes.  Tudo estava programado ou pelo menos desejado por quem em mim mandava.  Devia terminar os estudos e ir trabalhar para uma loja, talvez para um escritório pois tinha feito um curso de datilografia. Perante as minhas elevadas notas e o meu desejo de ir para a Universidade, lá segui esse caminho que acabou por ser permitido sem luta, acompanhada do discurso de terceiros sobre a etapa do casamento que deveria acontecer após o início dos namoros, finda a Universidade.

 

Perante a minha resistência à formação de uma futura boa esposa lá tive de ouvir os clássicos “o teu marido vai saber o que leva para casa pois não prestas para nada” ou “para mandar fazer, tens de saber como” e ainda “como é que podes ser boa nos estudos se em casa não fazes nada bem feito”. Com o passar dos anos fui refletindo sobre tudo o que me era dito, sem embora nunca o ter contestado. Tudo ia passando de forma fluida e sabia que um dia a sensação libertadora de uma independência plena iria chegar até mim.  Pelo meio percebi que vivemos num mundo dominado por homens que têm incutido ao longo de milénios a ideia subliminar de que as mulheres são seres especiais,  que almejam a proteção no interior do seu lar e a ocupação em tarefas pouco exigentes que mental quer fisicamente, e que a tomada de decisões é algo muito desgastante e por isso deverá ser evitado.  Tudo isto não passa de uma artimanha muito bem urdida (tão bem urdida que muitas mulheres são levadas por ela) para disfarçar muitas das incompetências masculinas em que a falta de esforço salta logo à vista.

 

Felizmente vivo no mundo ocidental e muito do que já quis fazer foi-me permitido pela sociedade que me rodeia, embora reconheça que sendo nós animais sociais a plena liberdade é apenas uma mera utopia. É por essa razão que não consigo ficar indiferente às afirmações do vice primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, de que uma mulher decente não ri de forma ruidosa em frente de terceiros. Cá para mim acho, e chego mesmo a acreditar, que esse senhor terá uma pilinha muito pequenina, muito pequenina mesmo e que desconhece totalmente o que fazer com ela, caso contrário não inibiria um comportamento tão saudável.

 

publicado por Veruska às 14:44

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2 comentários:
De A rapariga do autocarro a 3 de Agosto de 2014 às 18:06
Eu continuo achar que anda tudo maluco!
De Tio do Algarve a 22 de Outubro de 2014 às 18:37
É incrível como no século XXI há pessoas que digam essas atoardas...E, pior que isso que acreditem que é assim que deve ser.
Não consigo compreender como há mulheres que aceitam esse tipo de atitude!

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