Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013

O segredo está em observar a natureza... ou como por vezes já uso tampas de cor diferente para fechar as caixas tupperware

 

 

A minha experiência da maternidade deve-se muito à descontração, aos médicos, mas sobretudo àqueles que me rodeiam.  Ainda me recordo do meu grito de ajuda algo silencioso que ao ser entendido apenas por uma pequena minoria, quase que fez com que a minha imagem de perfeição caísse por terra.  “Eu não percebo nada de bebés” ou “sei lá o que fazer com eles” ou ainda “sempre excluí esses seres da minha vida” foram expressões que desencadearam nas pessoas das minhas relações (sexuais e não sexuais) um esgar semi sorridente e com algo de preocupante.

 

Depressa aprendi que tinha de ler livros, ou não fosse eu uma teórica. Do Dr. Oz ou dos pediatras famosos que aparecem na televisão depressa me fartei e quando já quase desistia da empreitada lá me recomendaram os livros do Dr. T. Berry Brazelton. Esse sim, iria de encontro à minha filosofia.  Depois do aval do próprio pediatra do meu filho (quiçá tão da velha guarda como o próprio Braselton) resolvi vender todos os outros livros sobre maternidade que tinha em casa e centrar-me no meu calhamaço de várias centenas de páginas. Foi uma boa decisão. Não tenho problemas com o sono do miúdo, com a sua alimentação e até já consegui poupar algumas idas ao pediatra só porque o miúdo chora sem razão aparente.

 

Claro que existem ainda situações em que o livro não ajuda, mas para isso lá me vou baseando no meu instinto que afinal tem muito de maternal e naquilo que aprendi ao longo da minha vida académica e profissional. Tudo o resto, ou cai no domínio do improviso ou no da observação de quem me rodeia.

 

E é aqui que entra a família de cinco, com ar perfeito que consegue monopolizar as educadoras e auxiliares do infantário do meu filhote. Basta só chegar o betinho das calças de pregas azuis celestes, com camisa a condizer e sapatos de vela, que todas as atenções se focam nele. À medida que vai dizendo bom-dia larga uma ou outra laracha sobre os três filhos (idades entre 1 ano e talvez 5) permitindo-lhe uma saída monumental do estabelecimento deixando todas as meninas que lá trabalham no estado semi-orgástico.

 

Nesse estado semi-orgástico fiquei eu, no dia em que vi a família inteira num centro comercial. Um dos filhos no carrinho, os outros a correr, a mãe totalmente descabelada a tentar controlá-los e o pai com um tabuleiro de cafés tentando não perder nenhum dos seus descendentes.

 

Agora sei que não interessa sermos perfeitos. Também sei agora que se já não insistir em fechar as caixas tupperware com as tampas da mesma cor, ninguém se vai importar com isso.

publicado por Veruska às 15:59

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Quarta-feira, 7 de Agosto de 2013

Uma noite mal dormida... ou como também eu já aprendi a arranjar justificações injustificáveis

 

Foto: "Verusko" 

 

 

A maternidade não me amaciou. Não é por ter dado à luz um ser totalmente dependente de mim, que fiquei deslumbrada pelo universo dos bebés e afins. Desde há muitos meses a esta parte que tenho pautado a minha conduta como mãe, por uma rotina que me escraviza baseada em ideias de um livro que me custou os olhos da cara.

 

Até esta noite, os problemas muitas vezes relatados por outras mães e pais nunca tinham acontecido comigo. Nunca sofri com a alimentação da cria, o seu sono, a sua higiene ou as suas brincadeiras. Ou melhor, nunca tinha sofrido, pois esta noite fui premiada com três horas de “mamã, anda cá”, “papá” e até um “Ruca” furioso.

 

Três horas de gritaria cá em casa que ecoaram pela madrugada dentro, sendo “ecoaram” a expressão mais adequada para descrever as emoções desencadeadas nos meus vizinhos. Tenho a certeza que noção de vítima que certeza assolou as mentes daqueles que comigo partilham este prédio se desvaneceu lá para a uma da manhã altura em que a gritaria ainda ia a meio.

 

“-Mas será que ela não faz nada”, ou “-Estamos f”#$%&!” devem ter sido ideias recorrentes e por isso catalisadoras do meu comportamento do dia de hoje – ermita e silencioso, como que para compensar a ausência de paz sonora nos oito andares do meu prédio.

 

Mais logo, quando “der as caras” e se for confrontada com algum comentário mais irónico sobre “a doença do pequenino” acho que minto e digo que ele tem uma otite. Assim não só justifico esta noite mal dormida como as próximas cinco, caso venham a existir.

 

Tenho vindo a aprender com as notícias!

 

publicado por Veruska às 14:47

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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

O meu filho não tem tido otites... ou uma cura homeopática para a doença de que padecemos

 

O Inverno que passou revelou-se soalheiro e pouco chuvoso, mas ao invés de ele me trazer recordações simpáticas, identifico-o em grande medida com as otites do meu filho.  Assim que iniciou a sua vida no infantário, as doenças não pararam de chegar, criando em mim a ansiedade de ver um bebé com poucos meses de vida em sofrimento.

 

Nunca me cheguei a culpabilizar por esses factos, mas o que é certo é que sentia sempre um desconforto muito grande por cada embalagem de antibiótico que o miúdo tinha de tomar (cada dente, uma otite…cada otite, um antibiótico…).

 

Com o Verão tudo isto passou e as bactérias resolveram fixar-se na adulta cá de casa, fazendo com que necessitasse de fazer vários ciclos de antibiótico (mais concretamente, três) numa época em que disfrute do Sol e do mar deveriam ser os únicos objetivos.

 

Com a chegada de mais uma estação fria, húmida e ventosa, a preocupação ressurge. Não queria estar de novo doente, nem que o meu miúdo repetisse o sucedido 6 meses antes e muito menos pôr em causa a frequência das aulas de natação que ele deveria iniciar por volta dos 12 meses. Após manifestação destas preocupações ao pediatra e mediante a sua total ausência de soluções, decidi iniciar-me no mundo da homeopatia.  A esperança de que algo poderia ajudar no problema que temia que viesse a repetir-se, superava em muito a desconfiança nas terapias alternativas e por isso lá comprei as bolinhas doces para dar ao miúdo 3 vezes ao dia.

 

No mesmo dia em que iniciei a administração das mini-pastilhas, sou informada através de uma reportagem da TVI de que os medicamentos homeopáticos se baseiam em diluições sucessivas até o seu princípio ativo deixar de estar presente. Senti-me desde logo ludibriada, pois afinal tinha pago quase 10€ por sacarose e ainda por cima como o meu filho não tinha consciência da razão pelo qual estava a fazer a terapêutica, o efeito placebo também não existiria.

 

Quase 3 meses depois do início da toma das bolinhas, o meu filho ainda não teve uma única otite. Já choveu, já fez frio, ele já andou ao vento e até já lhe nasceram 5 dentes e nada. Consequência da homeopatia ou não, o que é certo é que o problema não surgiu nestes últimos meses e a natação poder-se-á mesmo iniciar nas próximas semanas.

 

Mas não é só no meu lar que a homeopatia começa a ter um papel de destaque na resolução antecipada de potenciais problemas. A nação apresenta-se doente e por isso é vital que se encontre forma de restabelecer o equilíbrio e por isso nada melhor do utilizar as bolinhas de sacarose.

 

Foi o que se assistiu ontem na TVI durante a entrevista do Passos Coelho.  As declarações do Primeiro Ministro indiciaram uma diluição da importância hierárquica de alguns elementos do governo (“o nº 2 no Governo é o ministro das Finanças e terceiro é o ministro de Estados e dos Negócios Estrangeiros") mas tal como um placebo, as consequências reais estão aí para durar.

 

É verdade que a homeopatia pode não ter um funcionamento plausível, mas lá que parece que ela funciona, parece!

 

publicado por Veruska às 17:08

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Quinta-feira, 5 de Julho de 2012

Sofia Aparício pensa que é uma princesa... ou como tremo só de pensar na minha pós-cesariana

O meu filho nasceu de uma cesariana muito complicada. A possibilidade do desfecho culminar numa tragédia para mim, para ele ou para ambos era muito alta e por isso todo percurso que levou até esse momento foi penoso, cheio de altos e baixos, conflitos emocionais e medos impossíveis de descrever.

 

            Mas foram nos dias de recuperação em meio hospitalar, que se seguiram ao parto do meu filho, que se desenrolaram os acontecimentos que desencadeiam hoje em mim um novo temor. Por esses dias, uma senhora muito jovem, de cabelo comprido, figura elegante, olhar vibrante e ausente, vai convalescer na enfermaria onde me encontrava.  Por estar acamada na outra ponta do quarto, não pude entabular qualquer conversa com a jovem que intuia simpática (intuação totalmente errada e grandemente condicionada pela forte medicação analgésica que condicionava o meu pensar).

 

            Chegada a hora das visitas, apercebi-me que afinal ela não seria portuguesa, que tinha dois filhos terríveis e que o marido era muito pouco civilizado. Nesse período em que a enfermaria se transformava com a animação das conversas cruzadas entre quem estava presente, se exultavam os bebés recém-nascidos e se tentavam encontrar pontos de contacto entre quem se desconhecia, eu sofria, sofria e muito. Os filhos da senhora, que agora já não me parecia tão bela (mudança de opinião despoletada pelo avistamento de alguns dentes de ouro), corriam ao longo do quarto, chocando frequentemente com a minha cama, provocando a contração muscular do meu corpo que acentuava as já muito intensas dores.

 

            Depois de mais alguns episódios de desregramento total que incluíram o esposo a fumar em plena enfermaria, os miúdos a desenrolarem todo o papel higiénico do wc das grávidas/puérperas e outras coisas que me recuso a explicitar neste blog, lá foram eles expulsos tendo  da enfermaria e confinados a um quarto individual.

 

            Sete meses depois, aquilo que já parecia esquecido volta de novo a assombrar-me. A jovem magra que podia ter muito “bom aspecto” mas que parece “acabada”, os cabelos compridos ligeiramente desgrenhados, o sorriso forçado e inexpressivo parece reaparecer numa manequim fantástica – Sofia Aparício.

 

            Pelos vistos, Sofia julga-se “uma princesa” e por isso adorna-se com um dente de ouro. Eu acho que mais cedo ou mais a tarde a vou ver a pedir num semáforo…

            

publicado por Veruska às 14:31

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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Quero contratar um(a) enfermeiro(a)... ou como todos devemos ser poupadinhos

 

 

Preciso de uma baby sitter. Não sei se me vou sentir confortável deixando o meu filho com uma estranha, mas o que é certo, é que preciso de ter um pouco da minha vida de pré-maternidade. Procurei e facilmente encontrei uma que preenchia os vários requisitos, desde a competência ao preço que praticava.

 

Planeei uma saída, pré-programei tudo com a ama escolhida e tudo parecia correr bem. Na véspera ao reconfirmar tudo fui confrontada com um aumento de preço de 3 euros por hora em relação ao combinado. Achei caro, tentei renegociar e consegui um abatimento de 2 euros por hora.

 

Continuei a achar caro. Tudo o que lhe era pedido é que ficasse a ver televisão na sala enquanto o meu filho dormia (eu sei, tenho muita sorte; o miúdo dorme 11 horas seguidas durante a noite). Compreendo que o pacote mais básico da ZON não seja um atractivo, mas ganhar dinheiro de forma fácil não seria de desprezar em tempos de crise.

 

Mas hoje senti-me de novo optimista em relação ao assunto.  Vou desistir da minha baby sitter e contratar um enfermeiro ou uma enfermeira…e já agora vou dispensar também a empregada!

publicado por Veruska às 22:31

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