Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Vamos esquecer isto... ou a dança ausente da minha memória

 

 

No início dos anos 90, convivi, se é que se pode chamar assim, com o Gustavo Santos. Tinha umas aulas de hip-hop cujos meninos dos então Hexa, frequentavam de vez em quando.  Na altura, aquele jovem, mais jovem do que eu, não se destacava por entre os demais. Não me recordo se era expressivo na sua dança, se o seu talento era ilimitado ou se se aprimorava no seu desempenho. Mais tarde reconheço-o no seu percurso mais mediático, como apresentador do Querido Mudei a Casa e como coach.

 

Graças ao ócio que volta e meia me invade e que me leva a contrariá-lo com as coisas mais estranhas que se possam imaginar, hoje arrisquei pela primeira vez na visualização de um dos seus vídeos. Sob o tema “Quanto esperarias pelo amor da tua vida?”, o autor faz afirmações fantásticas e até aceitáveis como “esperar não dá em nada” ou “o amor da minha vida sou eu” e outras que se revelaram como um admirável mundo novo. Saber que a mente se chama assim porque nos engana a todo o instante ou que o agora não é o presente, foi demais para esta tarde descontraída. Sob pena de terminar o meu dia na ala psiquiátrica do Hospital de Faro, rapidamente deixei de me concentrar nas suas palavras e passei a focar-me na sua expressão corporal.

 

Pois é, ao longo do seu discurso, Gustavo gesticula, faz semicírculos no ar com os dedos, dá golpes de karaté laterais, apalpa maminhas imaginárias e até saca de duas pistolas e atinge a entrevistadora.  Tenho tanta pena de não ter aproveitado a hipótese de ter visto de perto a forma como dançava.

publicado por Veruska às 14:28

link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Um post útil (2)... ou como comprar um colar statement no e-bay


 

Sou uma menina de Cascais! Nunca o escondi. Nasci no Monte Estoril, andei num colégio de freiras, toda a vida desfrutei da baía de Cascais e nunca gostei dos Delfins.  Conheci figuras públicas,  andei na escola com elas, de algumas fui professora e com muitas me cruzei no meu dia a dia atarefado.  Na realidade, eu é que devo ser a VERDADEIRA MENINA DE CASCAIS, ou pelo menos uma das não ilustres constituintes desse grupo. 

A minha família não é acionista de bancos, não mora na Quinta da Marinha ou numa outra qualquer quinta cascalense e muito menos se passeia em Ferrari’s ou carros topo de gama. Não tenho madeixas loiras no cabelo (embora confesse que já as tenha tido…), não me bronzeio como se não houvesse dia de amanhã e não trato todas as pessoas “por você”. Não sou magra como um espeto (com alguma pena minha), não como apenas metade de um queque na esplanada e não digo presente em vez de prenda.  Mas tenho sotaque de “tia da linha” (mas também, quantos é que não o têm em Faro??!!), a altivez de menina bem e o gosto, embora dissimulado, pelas quinquilharias “do chinês”.

 

E é neste último ponto que reside o âmago da minha partilha de hoje. Se no passado partilhei com todos a melhor forma de comprar um triquini no e-bay, hoje faço e a pedido de muitos (aliás parte do Algarve e talvez de Portugal esteja em suspenso até publicação deste post) o mesmo, mas com os colares statement.

 

1. Caracterizar o objeto de desejo

Há sempre que saber muito bem o que se quer. Eu, por exemplo, não gosto de plásticos. Gosto de metais, resinas e couros, mas de plásticos não.  Também quero sempre colares em que é possível o ajuste ao pescoço. Ter um babete que não fica perto do pescoço, mas que acaba por ficar em cima das mamocas não é bonito e não fica bem.

 

 2. Fazer a pesquisa do mercado

Aqui é necessário perder 1 ou 2 horas no início. Esta pesquisa inclui não só a do e-bay, mas também as das lojas e de blogs de moda para marcarmos uma ou outra tendência que nos agrade. Depois torna-se fácil, pois aquilo que queremos acaba sempre por aparecer mais cedo ou mais tarde (o “chinês” também vai sempre à Pedra Dura, Zara, etc. e tem os mesmos gostos que nós, e que a Pipoca e a Mini-Saia). Aconselho visitar o e-bay por 10 ou 15 minutos todos os dias mais ou menos à mesma hora; primeiro veem-se os artigos newly listed e depois os ending soonest.

 

3. Escolher os free shipping

No que diz ao preço a pagar, este não deve ultrapassar os 5 euros (claro que se quisermos algo parecido com os artigos J.Crew, se calhar já compensa pagar 10 €; eu pelo menos já o fiz). Colares a 6, 7 e 8 euros existem aos pontapés nas lojas. Ah, e falo de custos totais, por isso o free shipping é obrigatório.

 

4. Em compra por leilão, licitar perto do final do período de disponibilidade

A forma de comprar pode ser direta ou então entrar em jogo num leilão. Não se pense que um leilão é sempre um bom negócio. Na maior parte das vezes não o é, pois o preço final é frequentemente superior ao pedido pelo vendedor em compra direta. No entanto vale a pena experimentar, sobretudo porque o site tem a opção de estabelecer um teto máximo de licitação e de fazer tudo sozinho por nós.  Quem quiser sentir a emoção do jogo e fazer o trabalho do computador, basta licitar no fim do período de disponibilidade vencendo os outros que também querem andar bonitas como nós.

 

5. Criar a nossa lista de vendedores preferidos

Quando se encontra o “chinês” que vende os produtos supimpas que nós gostamos, podemos ser umas malucas e adicioná-lo à nossa lista de vendedores preferidos. Assim quando queremos uma peça nova, vamos diretamente à sua loja e a transação é mais agradável e menos morosa.

 

6. Não desesperar com a espera pela encomenda

Demora tempo (normalmente mais de um mês), mas compensa. Não é todos os dias que se compram peças a 1,2,3 euros e lindos. Caso alguma coisa corra mal, é só escrever ao vendedor e reclamar. A situação resolve-se sempre com a devolução do dinheiro para a nossa conta pay-pal e nunca há problemas (pelo menos nunca os tive).

publicado por Veruska às 14:21

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Sábado, 19 de Abril de 2014

Diário de uma cardíaca (5)... ou como corri durante 15 minutos seguidos ao ar livre

 

 

Desde que me lembro que a corrida faz parte das minhas memórias; das menos agradáveis, mas ainda assim, das minhas memórias. Recordo o horror das corridas de aquecimento à volta da escola durante as aulas de Educação Física, o enfado de assistir a provas de atletismo sabe-se lá onde só porque o pai corria e o esforço ígneo em ganhar gosto pela corrida precavendo a hipótese de não haver ginásios no Algarve (pensamento totalmente estúpido que tive há cerca de 12 anos atrás quando me vi forçada a sair de Cascais).

 

Resisti com todas as minhas forças a essa forma de atividade física. Sempre argumentei com coisas do género “Correr?! Só atrás de um gajo bom” ou mais recentemente “Correr?! Nem atrás de um gajo bom”. Na realidade o que este pseudo-humor esconde é uma total falta de espirito de sacrifício para suportar cansaço, suor ou respiração ofegante. É verdade que desde os 24 anos de idade que frequento ginásios, que já pratiquei inúmeras modalidades diferentes e que consigo ter momentos fantásticos de prazer ao fazer uma ponte numa aula de body-balance ou em cima de uma bicicleta numa aula de spinning, mas lá no fundo, bem no fundo, o que eu faço bem é ronha.  Socorro-me das tonturas para não ir mais longe nos alongamentos ou das dores nas costas para recusar os abdominais em prancha e até da falta de forma para não me esforçar muito na passadeira ou na elíptica.

 

Mas agora que sou doente cardíaca e posso dizê-lo, já quase estabilizada, o exercício físico e a perda de peso têm de ser uma prioridade. Não adianta encher-me de comprimidos e embarcar nesta velhice prematura descartando logo ao início uma batalha que provavelmente consigo vencer. Por essa razão, calcei os ténis, coloquei o monitor de frequência cardíaca (grande aliado destes meus dias sem ritmo) e lancei-me à estrada. No primeiro dia não abusei, mantive-me atenta aos sinais (qualquer cansaço extremo ou falta de ar, obrigam a paragem imediata) e desfrutei a medo da paisagem à beira ria que me envolvia.  No segundo dia, descontraí, evitei verificar a frequência cardíaca (muito baixa por causa da medicação) e conjuguei a paisagem com a música de sempre do meu mp3. Acabei por correr 15 minutos sem parar. Acho que foi a primeira vez na vida que o fiz.

 

Ao terceiro dia, que ainda virá, vou conjugar os meus ténis novos (oferta da cara-metade que até comprou outros para ele ) com a minha nova playlist  e espero conquistar o mundo!

 

publicado por Veruska às 16:04

link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Brincar aos pobrezinhos na Comporta... ou brincar aos riquinhos no Algarve

 

Fonte: http://www.boattoursriaformosa.com/en/ria_formosa.php


Eu já sabia que brincar não era uma atividade exclusivamente infantil.  Eu própria sou o mais perfeito exemplo disso. Não é que goste de estar ocupada a vestir ou despir bonecas, ou a praticar artes culinárias com tachos em miniatura, mas a ideia de me divertir com outras pessoas num cenário fantasioso continua a ser-me apelativo.

 

No dia a dia às vezes é difícil praticar a atividade, mas mesmo perante os obstáculos mais difíceis lá vou galhofando, muita das vezes em regime solitário e outras vezes perante a incompreensão de quem me rodeia.

 

Também as pessoas chiques brincam. Cristina Espírito Santo brinca aos pobrezinhos na Comporta. Não possuo mais detalhes sobre a sua atividade de lazer, mas depreendo que ela, durante esse período, agarre numa esfregona e lave o chão, chupe as cabeças do camarão comprado no hipermercado ou quiçá, arrisque a ler a Nova Gente num final de tarde.

 

Eu também brinco durante as férias e, tal como ela, também saio da minha zona de conforto. É verdade, durante o Verão brinco aos riquinhos. Vou a banhos no Ancão, arrisco numa ementa gastronómica mais elaborada, disfruto de momentos únicos ao pôr-do-sol e passeio em locais de sonho.

 

A diferença: uma de nós não tem dinheiro para gastar em luxos!

 

publicado por Veruska às 12:01

link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 5 de Abril de 2009

O que há de comum entre Greg Burk, Hugo Alves e Andy McKee... ou uma tristeza interior muito grande

 

Greg Burk, Hugo Alves e Andy McKee são três músicos dotados e cheios de talento.  Os dois primeiros tocam piano e trompete, respectivamente e o segundo aquilo a que se chama guitarra estilo fingertype. Além da música, do aspecto saudável, absolutamente normal e nada alucinado têm em comum um facto que me faz reflectir sobre o que passei nos últimos dias na minha terra natal – Cascais.
 
O que estes três artistas têm em comum é os concertos que deram no Centro Cultural de Cascais, instituição já com alguns anos mas que só esta semana passou novamente a fazer parte da minha vida. Este equipamento cultural fica localizado naquilo a que sempre chamei “Casas da Gandarinha” uma série de edifícios antigos habitados por retornados das ex-colónias (pelo menos era o que o meu pai me dizia, insinuando que amizades com quem morava ali não eram de bom tom) e onde morava o meu Marco de cabelo dourado encaracolado por quem tive uma paixoneta durante todo o meu nono ano de escolaridade e parte do décimo.  É com alguma nostalgia que recordo as manhãs passadas sentada perto do Quartel à espera que o dito Marco (um desalinhado que, suspeito hoje, andaria “metido na droga”) assomasse a uma janela, facto que nunca se concretizou.
 
Na primeira noite cheguei bastante cedo ao local, recolhi o meu bilhete e esperei que as portas do auditório se abrissem. Os espectadores eram poucos e maioritariamente estrangeiros e com idade superior a 50 anos.  Não sei se pelo meu ar demasiado circunspecto e observador ou pela roupa que vestia demasiado normal para Cascais (desta vez não tinha carregado na minha mala roupa para sair, ou maquilhagem e nem sequer uns sapatos ou botas de salto alto) ou ainda por não ser loira, senti-me observada por todos os ângulos: os casais franceses olhavam e comentavam, as nórdicas sorriram-me e o casal português lançava-me olhares pouco simpáticos. Nesses minutos que antecediam o espectáculo dei comigo a pensar que começava já a sentir-me desenraizada e que se calhar a pouco e pouco o Algarve se estava a entranhar através de todos os meus poros.
 
É nesse altura que vejo um homem cujas feições me pareciam familiares, a olhar-me com um ar quase lânguido de alto a baixo enquanto recolhia os seus bilhetes. Nessa altura apeteceu-me fugir tal era o meu desconforto. Alguns minutos depois percebi que afinal o tal homem era o marido de uma pessoa conhecida que não via há 10 anos; assim que ele me foi novamente apresentado retorquiu em jeito rápido “Eu bem me parecia que te conhecia” e mudou imediatamente para o modo “marido simpático para as amigas da esposa”!
 
Na noite seguinte voltei. O concerto era gratuito e a promessa de ver um guitarrista fingertype (coisa que desconhecia) envolto por uma guitarra muito estranha foram motivações suficientes para mim.  Desta vez, a afluência de público era muito maior, a juventude imperava e o roça roça à porta da sala era inevitável.  Quando o embaraço sem sentido que sentia por vestir a mesma roupa, se desanuviava (não me parecia que fosse observada detalhadamente por ninguém) oiço uma voz com uma entoação fantástica que me diz “Então, está cá outra vez?!”.  Viro-me e vejo que quem me falava assim e me mostrava um maravilhoso sorriso era nada mais, nada menos, do que o Segurança de serviço, um senhor com mais de 50 anos, de cabelo totalmente branco e com a falta de um incisivo.
 
À medida que pensava “porquê eu?”, “o que é que eu tenho?”, “o que é que ele quer de mim?” e “porque é que não é um jeitoso que mete conversa comigo?”, o Segurança lá me ia congratulando por ainda ter conseguido um bilhete. Também me explicou que parecia que o artista dessa noite era muito bom e que os CD’s dele eram fantásticos e até me pediu para observar o meu bilhete para melhor me explicar onde iria ficar sentada. Confesso que fui antipática. Não alimentei a conversa, desviei o olhar por várias vezes e até tentei com todas as minhas forças não sorrir, não fosse ele sentir-se incentivado de alguma forma.  O monólogo lá terminou com o Segurança a dizer-me já com uma ar mais sério e menos íntimo “Sabe, eu conhecia-a pela mala…”.
 
Gostava de acreditar que foi realmente a mala que me fez tão notada nas noites culturais de Cascais, mas parece-me que os 7 anos que levo de Algarve já transformaram profundamente esta menina da linha (e para pior…)!
 
publicado por Veruska às 19:47

link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|

.eu

.pesquisar

 

.Agosto 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.últimos reflexos

. Vamos esquecer isto... ou...

. Um post útil (2)... ou co...

. Diário de uma cardíaca (5...

. Brincar aos pobrezinhos n...

. O que há de comum entre G...

.caixa de Pandora

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2011

. Agosto 2010

. Abril 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Uma experiência quase cie...

. Os vossos favoritos

.links

.espreitadelas

Contador grátis
Link

.mais comentados

blogs SAPO

.subscrever feeds