Sábado, 19 de Abril de 2014

Diário de uma cardíaca (5)... ou como corri durante 15 minutos seguidos ao ar livre

 

 

Desde que me lembro que a corrida faz parte das minhas memórias; das menos agradáveis, mas ainda assim, das minhas memórias. Recordo o horror das corridas de aquecimento à volta da escola durante as aulas de Educação Física, o enfado de assistir a provas de atletismo sabe-se lá onde só porque o pai corria e o esforço ígneo em ganhar gosto pela corrida precavendo a hipótese de não haver ginásios no Algarve (pensamento totalmente estúpido que tive há cerca de 12 anos atrás quando me vi forçada a sair de Cascais).

 

Resisti com todas as minhas forças a essa forma de atividade física. Sempre argumentei com coisas do género “Correr?! Só atrás de um gajo bom” ou mais recentemente “Correr?! Nem atrás de um gajo bom”. Na realidade o que este pseudo-humor esconde é uma total falta de espirito de sacrifício para suportar cansaço, suor ou respiração ofegante. É verdade que desde os 24 anos de idade que frequento ginásios, que já pratiquei inúmeras modalidades diferentes e que consigo ter momentos fantásticos de prazer ao fazer uma ponte numa aula de body-balance ou em cima de uma bicicleta numa aula de spinning, mas lá no fundo, bem no fundo, o que eu faço bem é ronha.  Socorro-me das tonturas para não ir mais longe nos alongamentos ou das dores nas costas para recusar os abdominais em prancha e até da falta de forma para não me esforçar muito na passadeira ou na elíptica.

 

Mas agora que sou doente cardíaca e posso dizê-lo, já quase estabilizada, o exercício físico e a perda de peso têm de ser uma prioridade. Não adianta encher-me de comprimidos e embarcar nesta velhice prematura descartando logo ao início uma batalha que provavelmente consigo vencer. Por essa razão, calcei os ténis, coloquei o monitor de frequência cardíaca (grande aliado destes meus dias sem ritmo) e lancei-me à estrada. No primeiro dia não abusei, mantive-me atenta aos sinais (qualquer cansaço extremo ou falta de ar, obrigam a paragem imediata) e desfrutei a medo da paisagem à beira ria que me envolvia.  No segundo dia, descontraí, evitei verificar a frequência cardíaca (muito baixa por causa da medicação) e conjuguei a paisagem com a música de sempre do meu mp3. Acabei por correr 15 minutos sem parar. Acho que foi a primeira vez na vida que o fiz.

 

Ao terceiro dia, que ainda virá, vou conjugar os meus ténis novos (oferta da cara-metade que até comprou outros para ele ) com a minha nova playlist  e espero conquistar o mundo!

 

publicado por Veruska às 16:04

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Domingo, 9 de Março de 2014

Diário de uma cardíaca (I)... ou porque é que não me lembrei dos efeitos secundários

 

 

 

Durante anos achei que não tinha qualquer problema especial e desde há umas semanas sei que isso não é verdade. Pelos vistos durante anos – acho que devem ser mesmo muitos anos – sofri e continuo a sofrer de arritmias. Muitas arritmias; tantas que elas justificam coisas como o cansaço extremo que por vezes me impedia de conseguir falar e as noites de insónia. 

 

O diagnóstico médico foi fácil, afinal quando se têm mais de 11000 arritmias em cerca de 15 horas não há erro que possa acontecer. Já para mim, a assunção de que poderia ser uma pessoa com uma insuficiência coronária não encaixou bem nos espaços emocionais que ainda restam por ocupar nesta minha cabeça oca.  Depois do espanto total veio a revolta. A revolta que me levou a deixar a medicação assim sem mais nem menos.

 

Na realidade não foi bem deixar a medicação, foi mais substituí-la por outra que me agradasse mais. Afinal de contas sou formada em química; posso não saber o que é um beta bloqueador, mas o nome não me inspirava nada de bom e ainda por cima não me parecia que ele me tivesse ajudado a melhorar, antes pelo contrário. Assim sendo, lá se foi embora o beta bloqueador e entrou o bom do ansiolítico que na minha óptica seria o substituto adequado para a minha falta de ânimo física e psíquica.

 

O resultado não foi nada bom. Realmente a capacidade de trabalho duplicou ou mesmo triplicou, mas a taxa de arritmias deve ter subido novamente para valores que ultrapassam em mais de 20 vezes o que é comum, com o inconveniente de agora aquilo que sempre senti e que antes não me incomodava, se assemelhar à goteira interminável de uma torneira que não nos deixa concentrar em mais nada.

 

Este período de rebeldia durou 24 horas e serviu para escrever mentalmente um lindo post que foi depois lido em voz alta ao cardiologista que continha pérolas como:

- Se eu me sinto mal a tomar a medicação, mais vale sentir-me mal sem a tomar!

- Eu tenho Síndrome de Meniére, será que não é isso que me está a acontecer embora continue à espera das vertigens??!!

- Se minha frequência cardíaca está a 40 pulsações por minuto será que o coração não pode parar???!!!

 

E quando todos os argumentos foram desmontados, cruzei as pernas, endireitei as costas e com um ar altivo pejado de sotaque de menina de Cascais, continuei dizendo:

- Sinto-me mal e não estou para isto!

- Dê-me mas é um comprimido como deve ser e acabe-me com isto, já!

- Sabe doutor, não tenho perfil nem pachorra para situações destas!

 

Escusado será dizer que saí de lá a tomar a mesma medicação, com a ameaça de que a situação clínica só deveria estabilizar daqui a uns dois meses e que deveria ter paciência com os efeitos secundários do medicamento e evitar a interrupção do tratamento de forma abrupta.

 

Ups!.Efeitos secundários???!!! Aqui estava a minha grande falha; não tinha pensado nos efeitos secundários que estão perfeitamente quantificados na bula. Tenho para aí metade deles: batimento cardíaco lento, exaustão, náuseas, sensação de frio nas extremidades, fraqueza muscular e até os pesadelos.

 

Estou tramada, mas muito criativa!

publicado por Veruska às 15:12

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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

O fanico... ou mais uma aventura murakamiana

 

 

Desde que tive o fanico que a minha vida não mudou. Tem sido exatamente igual à vida que tive antes de ter o fanico. Continuo a acordar à mesma hora, a fazer as minhas refeições da forma que sempre fiz e a transformar o meu tempo ocioso de forma constante sem grandes modificações.

 

Com o fanico, não veio a serenidade e nem a ansiedade. Simplesmente tudo continuou da mesma forma que sempre foi.  É certo que durante o fanico não sabia o que me estava a acontecer. Primeiro fiquei interrogativa sobre os sintomas, depois fiquei receosa com o prolongar da situação e por fim fiquei chorosa com o intensificar da condição.

 

Com o fanico, não me preocupei com ninguém, nem achei que poderia ser ali o meu fim ou início de algo realmente preocupante. Também não curti com a viagem de INEM de sirene ligada pelas ruas de Faro, pois o paramédico insistia em conversar comigo sobre alimentação, exercício físico, hábitos saudáveis e até sobre o novo nome da rua onde moro.

 

Com o fanico também não fiquei mais permissiva às coisas que me rodeiam, arranjando desculpas para aquilo que corre mal.  Irritei-me ligeiramente com o segurança que me viu chegar ao Hospital de mala chique pendurada no antebraço e pensou que eu fosse acompanhante de um qualquer doente e que só depois de ver que me colocavam pulseira laranja é que percebeu que eu estava mesmo a ter um fanico. Também não gostei de ter de ir pedir a minha medicação depois de uma espera que considerei longa e que estaria a levar ao início de novo fanico.

 

Mas com o fanico gostei de uma nova coisa – a de estar mais de uma hora à espera de realizar exames médicos. Esta delonga foi amortizada com a leitura de mais um livro de Haruki Murakami (só mais um de entre tantos que já lí; quase todos acho) – O Sono. Foi aí que percebi que mais uma vez o universo murakamiano resolveu invadir o veruskiano.  Tal como n’O Sono onde na realidade nada acontece a não ser a leitura de Anna Karenina, também na história do meu fanico a única coisa relevante foi mesmo a leitura de um conto.

 

Se no final d’O Sono tudo se conjuga para mais um final “à Murakami” onde não se encontram respostas e ainda surgem mais questões, também no final de toda esta minha história, auguro e anseio, por uma resolução/explicação do fanico “à Murakami”- uns bichos imaginários, e talvez malucos, entraram no meu coração maravilhoso e resolveram espicaçá-lo para que eu saísse do torpor dos últimos tempos.

publicado por Veruska às 16:38

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Segunda-feira, 11 de Março de 2013

Todos falam da cetona de framboesa... ou como eu passei a ter umas unhas impecáveis

 

 

Das primeiras vezes que vi o Dr. Oz na televisão, mais concretamente nos programas da Oprah, fiquei maravilhada.  Aquele homem com muito bom aspeto e cativante na forma de falar dizia coisas muito interessantes e mostrava corações, úteros, pulmões verdadeiros, e isso provocava em mim uma sedução difícil de compreender.

 

Comprei os livros, divulguei as coisas que ele preconizava e até pensei em comprar um ou outro dos suplementos que ele ia publicitando.  Mas à medida que o tempo ia passando e a sua popularidade ia subindo, o meu interesse começou a diminuir, começando mesmo a compará-lo a um Macgyver da medicina.

 

Tal como na série de aventuras dos anos 80, não posso dizer que tudo se trataria de uma charlatanice, mas na realidade o princípio científico que jaz por detrás do que é dito está lá mas de forma tão diluída, mas tão diluída que se calhar o efeito real da coisa já não existe.

 

É o caso da cetona de framboesa, divulgada num dos tais programas do Dr. Oz e que pelos vistos é uma ajuda essencial na perda de peso. Na realidade não há estudos que o comprovem. Tudo o que se sabe é que a sua estrutura molecular parece estar de acordo com a hipótese de promoção de perda de peso.

 

Como também sou uma mulher da ciência (embora não da medicina) quero aqui armar-me um pouco em Dr. Oz da estética e divulgar uma descoberta fantástica. Padeço de Síndroma de Menière há já muito tempo e, depois de uma ausência quase total de sintomas durante alguns anos, este fim-de-semana fui premiada com a sintomatologia total.  Entre tonturas, náuseas, pressão no ouvido e olhos lá procurei a medicação, ajustei-a e iniciei o período de espera pelo desaparecimento dos sintomas.

 

Curioso, é o facto de a partir do momento que iniciei o anti-vertiginoso – dicloridrato de betahistina – passei a conseguir pintar as unhas sem as borratar. Não interessa se as pinto com a mão direita ou mão esquerda, com tons mais claros ou mais escuros ou concentrada no que estou a fazer ou à pressa.  O resultado é sempre o mesmo; unhas perfeitamente pintadas. 

 

Invisto na saúde, mas poupo na manicure!

publicado por Veruska às 20:54

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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

O meu filho não tem tido otites... ou uma cura homeopática para a doença de que padecemos

 

O Inverno que passou revelou-se soalheiro e pouco chuvoso, mas ao invés de ele me trazer recordações simpáticas, identifico-o em grande medida com as otites do meu filho.  Assim que iniciou a sua vida no infantário, as doenças não pararam de chegar, criando em mim a ansiedade de ver um bebé com poucos meses de vida em sofrimento.

 

Nunca me cheguei a culpabilizar por esses factos, mas o que é certo é que sentia sempre um desconforto muito grande por cada embalagem de antibiótico que o miúdo tinha de tomar (cada dente, uma otite…cada otite, um antibiótico…).

 

Com o Verão tudo isto passou e as bactérias resolveram fixar-se na adulta cá de casa, fazendo com que necessitasse de fazer vários ciclos de antibiótico (mais concretamente, três) numa época em que disfrute do Sol e do mar deveriam ser os únicos objetivos.

 

Com a chegada de mais uma estação fria, húmida e ventosa, a preocupação ressurge. Não queria estar de novo doente, nem que o meu miúdo repetisse o sucedido 6 meses antes e muito menos pôr em causa a frequência das aulas de natação que ele deveria iniciar por volta dos 12 meses. Após manifestação destas preocupações ao pediatra e mediante a sua total ausência de soluções, decidi iniciar-me no mundo da homeopatia.  A esperança de que algo poderia ajudar no problema que temia que viesse a repetir-se, superava em muito a desconfiança nas terapias alternativas e por isso lá comprei as bolinhas doces para dar ao miúdo 3 vezes ao dia.

 

No mesmo dia em que iniciei a administração das mini-pastilhas, sou informada através de uma reportagem da TVI de que os medicamentos homeopáticos se baseiam em diluições sucessivas até o seu princípio ativo deixar de estar presente. Senti-me desde logo ludibriada, pois afinal tinha pago quase 10€ por sacarose e ainda por cima como o meu filho não tinha consciência da razão pelo qual estava a fazer a terapêutica, o efeito placebo também não existiria.

 

Quase 3 meses depois do início da toma das bolinhas, o meu filho ainda não teve uma única otite. Já choveu, já fez frio, ele já andou ao vento e até já lhe nasceram 5 dentes e nada. Consequência da homeopatia ou não, o que é certo é que o problema não surgiu nestes últimos meses e a natação poder-se-á mesmo iniciar nas próximas semanas.

 

Mas não é só no meu lar que a homeopatia começa a ter um papel de destaque na resolução antecipada de potenciais problemas. A nação apresenta-se doente e por isso é vital que se encontre forma de restabelecer o equilíbrio e por isso nada melhor do utilizar as bolinhas de sacarose.

 

Foi o que se assistiu ontem na TVI durante a entrevista do Passos Coelho.  As declarações do Primeiro Ministro indiciaram uma diluição da importância hierárquica de alguns elementos do governo (“o nº 2 no Governo é o ministro das Finanças e terceiro é o ministro de Estados e dos Negócios Estrangeiros") mas tal como um placebo, as consequências reais estão aí para durar.

 

É verdade que a homeopatia pode não ter um funcionamento plausível, mas lá que parece que ela funciona, parece!

 

publicado por Veruska às 17:08

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