Sábado, 31 de Agosto de 2013

Para mim já não há piropos (II)... ou como eu queria tanto dizer "já tenho"

 

 

Até à cerca de 3 anos, fui obcecada por escritores, livros, palavras e ideias repletas de imaginação, fantasia e felicidade. Lia, lia, sem parar; assim que acabava um livro, saía para comprar mais. Comprava porque gostava das capas, porque gostava do título, do resumo ou simplesmente porque gostava de os tocar.

 

Quando descobria um autor lia tudo dele quase até à exaustão. Foi o que aconteceu quando descobri o Milan Kundera nos anos 90. Não sei por onde comecei, mas nunca mais esqueci A Insustentável Leveza do Ser ou A Valsa do Adeus ou ainda A Imortalidade. Com o início dos meus trintas e com a opção por parte do autor pela escrita na língua francesa, este meu gosto desvaneceu-se. No entanto, até hoje existe algo que nunca esqueci de um dos seus últimos livros que li (talvez A Lentidão ou A Ignorância) – uma mulher caminha na praia e pela primeira vez os homens que por ela passam já não viram a cabeça para a olhar com admiração.

 

Não sei que idade ela teria, mas de repente dei comigo a pensar que também eu já não fazia virar a cabeça dos homens, se é que alguma vez o tivesse feito… Pior, nem sequer faço virar a cabeça dos senhores que tentam aliciar quem por eles passa a aderir ao Barclaycard, aqui em Faro no Fórum Algarve, junto ao Jumbo.

 

Já tentei um sem número de estratégias. Passo por eles sozinha, acompanhada, com o miúdo, sem o miúdo, bem vestida, mal vestida. Uma vezes sorrio, outras vezes tento desviar-me (como se eles me obstruíssem o caminho) e até já deixei que o meu filho entrasse para dentro do stand para ir atrás dele. Já observei quem passava e imitei quem era abordado. Ora abraçava o meu marido, ora desabraçava-o; às vezes pegava no miúdo outras vezes substituía-o pelo telemóvel. Mas nada. Nunca aconteceu nada. Nenhum dos senhores do Barclaycard quiseram saber de mim.

 

Por isso para mim já não há piropos. Não há assédio, não há violência doméstica, nem sequer a hipótese de sorrir aos senhores do Barclaycard e dizer a mais pura das mentiras com um sorriso sedutor nos lábios “Já tenho!”.

publicado por Veruska às 21:32

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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013

Para mim já não há piropos (I)... ou como é que coisas destas acontecem no meu país

 

 

Fonte: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1850585#.UiB9VWjnhmo.facebook

 



Do feedback das redes sociais (como se isso significasse mais coisas do que “o que se vê no Facebook”) houve desde cedo uma notícia do i que sobressai – o BE quer acabar com os piropos na rua. Não é que aprove este tipo de galanteio, mas desde pequena que gosto de responder à letra a quem me dirige palavras ou frases que podem incluir “És tão boa” ou “Fogo, comia-te toda”. Quando digo, responder à letra é mesmo ripostar utilizando obscenidades ou linguagem grosseira que podem fazer corar uma pessoa.

 

Felizmente, como nunca fui objecto frequente de tais esquemas poéticos corta-se-me aqui veia inspiradora e necessito de avançar para assuntos mais sérios.  Pois é, duas bloquistas vão promover a reflexão sobre os piropos e uma forma de os controlar nas ruas. Assim numa primeira leitura, pareceu-me um exagero. Um bom piropo pode divertir, aliviar a tensão e até permitir um pouco de ócio a quem trabalha nas obras. Pareceu-me um pouco forçada a relação com a violência doméstica. Por outro lado o machismo subjacente a estas palavras ou frases são mais alvo de chacota que outra coisa, residindo nela punição mais do que suficiente.

 

Enquanto refletia sobre a temática surge a notícia de que o “Tribunal da Relação do Porto absolveu o psiquiatra João Villas Boas do crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, que estava a ter acompanhamento devido à gravidez”. De acordo com a notícia “agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de ser enquadrados como violentos”.

 

Assim de repente, só me apetece mandar este psiquiatra falar com as meninas do BE para que estas lhe exemplifiquem muito bem as questões da violência doméstica, exemplificando coisas como “onde enfiar os piropos” ou o que uma mulher pode fazer durante a prática forçada de sexo oral.

 

 

 

publicado por Veruska às 14:38

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Domingo, 11 de Janeiro de 2009

O microclima de Meimão...ou como tem estado muito frio em Faro

 

 
Tento não alterar as minhas rotinas só por estar frio e por essa razão, hoje vesti um pouco mais de roupa do que é habitual e saí por volta das 11 horas da manhã para o meu passeio a pé. Sempre que o surf ou a noitada de sábado o permitem, gosto de caminhar até à baixa de Faro ouvindo algumas das minhas músicas preferidas. Não me preocupo em usar maquilhagem ou em vestir um modelito que combine e nem mesmo em colocar uns brincos. Simplesmente pego nos meus óculos de Sol e lá vou eu de ar totalmente desmazelado passear durante uma hora.
 
            O percurso é sempre o mesmo e raramente é alterado; sei onde vai estar a ria, onde vou atravessar as ruas, onde vão estar as cegonhas e até onde não vai estar o exibicionista que já não “dá as caras” há mais de um ano. Gosto desta rotina que me proporciona um conforto meio alheado da realidade que é acentuado por não conseguir ouvir os ruídos que existem à minha volta (vivam os leitores de mp3) e não sei se por coincidência, se por os outros sentirem repulsa do meu aspecto ou por ficar num estado supra-real, em sete anos de passeios, só por uma vez encontrei uma pessoa conhecida que quis falar comigo.
 
            Mas hoje foi um dia diferente. Um homem muito jeitoso que estava de conversa com um colega (ambos guias turísticos) e com mais de 30 anos com quem me cruzo regularmente e com quem nunca tinha interagido dirigiu-me a palavra dizendo-me “Olá e muito bom dia!”. Eu olhei para ele e pensei “o gajo confundiu-me com uma turista e quer-me impingir um bilhete mas já o vou lixar” e respondi-lhe com um ar sorridente “muito bom dia” ao mesmo tempo em que pensava “ah, estás a ver, EU SOU PORTUGUESA e não quero ir passear até à Deserta; ou se calhar até queria desde que tu me acompanhasses…”
 
            Mas quando cheguei a casa pensei que se calhar havia uma razão para esta súbita mudança de atitude por parte do jeitoso, mudança essa que não se devia ao facto de na manhã de hoje não haver ninguém na rua e de ele, provavelmente, estar com dificuldades para cumprir os objectivos de vendas de passeios turísticos. Aliás penso que aqui a chave de todo o enigma é mesmo o frio.
 
            De acordo com alguém que ouvi falar na rádio, o El Niña é o fenómeno responsável por esta vaga de frio. Este fenómeno meteorológico, inicialmente local, consiste num arrefecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e acaba por provocar alterações climáticas que afectam todo o planeta. Como é sabido, os microclimas influenciam não só a agricultura e a pastorícia, mas também toda a sociedade. De certeza que em Meimão (freguesia de Penamacor) só um microclima poderá explicar o facto de existirem cerca de 41 homens solteiros (num universo de cerca de 300 habitantes) que em virtude da escassez de mulheres em idade casadoira se têm dedicado ao associativismo.  
           
            Agora percebo que afinal esta frente polar traz com ela não só o frio, mas também hábitos saudáveis de engate, a uma cidade muitas vezes classificada como gay. Claro que em todas as situações há sempre perdas e ganhos; se eu e as minhas amigas poderemos ter muito a ganhar com isto, já a comunidade muito irá chorar, em virtude da nossa disponibilidade para organizar eventos gastronómicas se passar a dirigir para outro público-alvo.
 
publicado por Veruska às 18:47

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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Diálogos e monólogos... ou um novo desporto radical

A actividade física sempre teve um papel muito importante na minha vida. De entre todos os desportos tenho uma especial preferência pelos radicais, já que estes apesar de estarem associados a condições extremas e elevados riscos físicos, permitem um estreito contacto com a natureza.
 
Recentemente tomei contacto com um desporto que na sua essência é muito radical: o blind date. Tal como o kitesurf, o bodyboard, a BMX ou bungy jumping, é praticado sobretudo ao fim-de-semana, leva a uma produção muito grande de adrenalina e necessita de equipamento muito dispendioso - é muito importante investir em algumas peças fundamentais: no caso dos homens a meia de cor escura que combine com os sapatos, e no caso das senhoras a mala que se conjugue harmoniosamente com a restante indumentária. Nesta actividade também se deve respeitar de forma absoluta o ambiente e as normas de segurança: não utilizar as unhas para esfregar qualquer parte do corpo ou retirar qualquer tipo de material de orifícios naturais, não atirar para o ar afirmações que possam ser menos simpáticas, não permitir que existam longos períodos de silêncio…
 
De Verão pratica-se quase sempre ao ar livre e de Inverno são os espaços fechados que acolhem tão emergente modalidade. Não é um desporto individual, mas também não deve ser considerado um desporto de equipa, pois só dois jogadores estão em campo ao mesmo tempo, e raramente há substituições durante o período regulamentar. Já no período de prolongamento, por vezes as regras alteraram-se totalmente, passando a existir uma norma única – sair rapidamente de campo. 
 
Os praticantes da modalidade classificam-se em duas categorias: os que utilizam o diálogo e aqueles que preferem o monólogo. O desafio é uma constante em ambas as classes. Quando se pratica o diálogo é necessária uma rapidez de raciocínio muito grande, para que se possa responder rapidamente de forma clara evitando todos os assuntos que sejam susceptíveis de causar embaraço e/ou grandes intervalos de tempo silenciosos. Se se quiser ganhar a partida, será importante omitir ou realçar comportamentos e/ou atitudes que levem o parceiro a pensar que temos as características por ele desejadas. No caso de se desejar ganhar o torneio, o melhor é jogar limpo. Uma competição de monólogo é exigente para ambos os praticantes, mas não de igual forma.   Quem o pratica tem de ter a habilidade de conseguir sempre encontrar um tema de conversa que não suscite a troca de ideias; quem o assiste tem de conseguir sorrir muito e manter uma postura interessada mesmo quando a mente teima em estar ausente.
 
Com o diálogo é mais fácil atingir um bom resultado no final do período regulamentar e com o monólogo o resultado normalmente não é favorável a nenhuma das partes envolvidas. Independentemente da estratégia utilizada, o importante é o “fair play”.
 
publicado por Veruska às 17:17

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