Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Um jantar afrodisíaco... ou como todos estamos em sintonia poética

 

 

 

 

 

Perdição rima com amar até mais não;
Eram só ideias que não me saíam da mente – Mais não!
Pára de me tocar assim
Com os sabores do jantar afrodisíaco…
 
Afro ou Dionísio
A questão não é a raça
É a beleza do ser
E o que interessa é a graça.
 
Graça? Qual graça? Isto é uma completa desgraça!
É verdade, até sou engraçada…
E depois? E depois, uma vagina quente e molhada!
 
(Autoria: JG, Veruska, JV, CL, LC, JA)
 
 
Depois de passado um ano sobre a última vez, mais três casais (sem qualquer ligação entre eles, excepto a amizade que os unia) juntaram-se numa casa fechada e sem testemunhas, com o pretexto de mais uma vez celebrar o Dia de São Valentim.
 
À hora marcada lá foram chegando os convidados (registe-se aqui o facto de alguns terem recebido chamadas dos seus pais em jeito de despedida e esperando que fosse desta vez que os seus filhos/as se envolvessem romanticamente com alguém) todos muito elegantes e chiques acompanhados pela garrafa de vinho necessária à festa e os textos que seriam usados na desgarrada poética.
 
A comida de tão afrodisíaca que era, despertava na anfitriã algum temor pela forma como poderia acabar tal convívio; conjugar numa mesma noite efeitos tão díspares como aumento da frequência cardíaca, irritação dos órgãos genitais e aumento da testosterona poderia levar a situações não desejadas…
 
 
Mesmo antes da desgarrada de poesia e já sob o efeito de algum do vinho que corria a rodos, formou-se logo ali um colectivo de autores que arriscou na escrita de um poema que de alguma forma transparecesse o que se vivia nessa noite. Da qualidade dos versos escritos pouco se pode dizer tal é a sua riqueza de vocabulário, arrojo, métrica e recursos estilísticos, que revelam desde início uma total alheação por parte dos autores de tudo o que se passava na casa.
           
            Depois desta ousadia, rapidamente o colectivo de autores se transformou num conjunto de declamadores evidenciando-se o estilo de cada um através do que liam e como liam: a “menina de Cascais” leu um poema casto e pouco ordinário de José Régio, os que possuíam veia artística preferiram Bertolt Brecht, a erudita leu amiúde textos de vários autores desde Bocage a António Boto, a mestranda em literatura comparada leu três textos muito actuais sobre o cortejamento (de Ovídio), a noite de núpcias (de Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores) e o adultério (também de Miguel Sousa Tavares in Equador) e o beato, fã de procissões e de bivalves preferiu alguns autores brasileiros que embora brejeiros, revelavam uma profundidade de sentimentos difícil de expressar.
 
            A noite terminou já quase de manhã com a sensação de missão cumprida!
 
publicado por Veruska às 22:56

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Domingo, 23 de Março de 2008

Um jantar requintado ... ou um reality show privado

Numa noite que se pretendia romântica, três mulheres e três homens fecharam-se numa casa rodeados por duas câmaras – uma de filmar e outra de fotografar. A decoração em tons de vermelho e rosa primava pelo bom gosto, as velas acesas criavam um ambiente intimista e a música que se ouvia embalava cada um dos protagonistas num sonho impossível de explicar.

 

A escolha dos intervenientes recaiu em três charmosas senhoras de grande inteligência e com atributos impossíveis de listar, em virtude do espaço disponível para este texto ser demasiado pequeno.  Já no que diz respeito aos cavalheiros, eles foram escolhidos após um complexo e rigoroso processo de selecção, que incluiu vários testes para avaliar a sua disponibilidade para o amor, a sua capacidade de escolha de um bom vinho, a sua habilidade para dançar ao som de ritmos latinos, o seu sentido de humor e a sua elevada resistência física a ingredientes que são tidos como afrodisíacos.

 

O menu requintado dessa noite incluía vários alimentos cujas propriedades levavam ao despertar de sentidos e de emoções há já muito tempo adormecidas: o gengibre, os coentros, as nozes, a pimenta, o chocolate, a canela…É de salientar desde já um pequeno erro de casting – uma das intervenientes não tolerava o sabor ou aroma da pimenta, canela ou mesmo de especiarias mais exóticas. Caso tal evento se tratasse de uma experiência científica e não de uma mera confraternização, facilmente se teria explicado a razão pela qual tal senhora não esteja, actualmente, envolvida romanticamente com qualquer cavalheiro…

 

Tal como em qualquer reality show não existia um roteiro definido e pretendia-se apenas que cada um dos protagonistas mostrasse a “vida como ela é”.  Assim sendo, logo desde o início tudo correu como previsto. Quem tinha tido um dia agitado e com muitos compromissos foi pontual, quem morava mais perto e não tinha tido nada para fazer chegaria atrasado.  A anfitriã recebia cada um que chegava com um sorriso de tamanho imensurável e alegria genuína. Logo nos primeiros minutos a inibição provocada pela presença das câmaras desapareceu e já ninguém sentia que elas estavam lá.

 

As garrafas de vinho foram-se alinhando e como de surpresa só se pretendia o conteúdo das cartas de amor, cada protagonista foi lendo a brochura informativa, sobre os efeitos físicos que poderia experienciar após a degustação de tão afrodisíaco manjar. Esses efeitos incluíam a estimulação do sistema circulatório, o aumento na produção de sémen, o aumento do desejo, a irritação dos órgãos genitais e da região urinária e o aumento da sensação de bem-estar. Sentiu-se desde logo um pequeno desconforto: tratava-se de uma quinta-feira e no dia seguinte todos teriam de acordar cedo para ir trabalhar; dormir sozinho sob o efeito de tão poderosos ingredientes poderia levar a “baixa médica” por período indeterminado.

 

Após o jantar, e dando cumprimento à tradição associada ao Dia de São Valentim, foram trocadas cartas de amor. Todos ficaram emocionados e logo surgiram os agradecimentos e carinhos.  Para que tudo terminasse da melhor forma possível, de imediato o espaço se transformou e a banda sonora também.  A música de inspiração latina soava e dois casais resolviam arriscar na salsa, na bachata e até no tango. Quem não dançava registava em fotografia ou em filme tudo o que acontecia.

 

 

Como notas negativas ficam o desconforto que sente quando se permanece por longos períodos de tempo em ambientes pouco iluminados e a dificuldade que a anfitriã teria em fintar a vizinha do andar de baixo nos dias que se seguiriam, com medo que esta se tornasse violenta depois de ter tido dificuldade em dormir nessa noite.

 

No dia seguinte todos acordaram bem dispostos e com vontade de repetir este formato audiovisual apesar de este não contemplar um prémio final em dinheiro, tão usual em outros “reality show’s”. Na sequência deste evento, saiu mesmo a intenção de declarar o dia 14 de Fevereiro não só o Dia dos Namorados mas também o Dia dos Encalhados.

 

publicado por Veruska às 10:40

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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Uma valsa inacabada... ou uma garrafa que apenas respirou

 

 

A dança é uma actividade maravilhosa. É através dela que se pode expressar corporalmente o que se sente quando se ouve uma música que nos faz vibrar. A expressão corporal associada a esta actividade pode ser totalmente improvisada ou, pelo contrário, coreografada. Qualquer uma delas proporciona sempre prazer absoluto para quem a pratica.  
 
Existem muitos tipos de danças: as clássicas, as latinas, as brasileiras…  De entre estas saliento a valsa. Sendo esta uma dança de compasso ternário, caracteriza-se por ter três tempos: um tempo forte e dois tempos fracos.
 
Devido à sua versatilidade, esta dança pratica-se também com muita frequência fora das pistas de dança. Considero mesmo, que é no interior de muitos lares acolhedores que ela tem a sua maior expressão. Claro que aqui, esta valsa apesar de muito idêntica à valsa de salão tem algumas particularidades que importa salientar: em vez de se usar todo o corpo, dá-se mais ênfase aos movimentos executados com o tronco, especialmente braços e boca e também se utilizam acessórios específicos: copos e garrafas de vinho. O vinho poderá ser branco ou tinto, embora este último seja a preferência mais comum.
 
O ritual começa sempre com o alinhamento das várias garrafas, de forma a que todos se possam regozijar com a quantidade e a qualidade do vinho que irá ser consumido.    Depois retira-se a rolha à primeira garrafa, para que o vinho possa respirar durante alguns minutos antes de ser bebido.
 
Dá-se então início à dança propriamente dita - leva-se o copo à boca, engole-se e sorri-se com satisfação; leva-se o copo à boca, engole-se e sorri-se com satisfação; leva-se o copo à boca... Por vezes este compasso ternário inclui também um contratempo que irá alterar toda a melodia. Um exemplo é a quebra do saca-rolhas que altera a acentuação métrica natural do compasso, que passa agora a ser: olha para a garrafa, põe as mãos na cabeça e pragueja; olha para a garrafa, põe as mãos na cabeça e pragueja; olha para a garrafa…
 
Outra das diferenças que existe entre estes dois tipos de valsa é o efeito fisiológico que provoca nos dançarinos. No caso da valsa de salão, quem a pratique sentirá um ligeiro cansaço físico acompanhado de uma sensação de prazer, euforia e bem-estar geral despoletada pelas endorfinas produzidas durante a actividade física. Já no que diz respeito à valsa praticada com o vinho, o cansaço físico é acompanhado de fala entorpecida, gargalhadas descontextualizadas e sensação de “cabeça pesada”. Também é frequente aos praticantes desta última, sobretudo aos com menos prática da actividade, a coloração arroxeada dos lábios, dentes e língua. De comum às duas temos a sensação de relaxamento, que é muito mais acentuada no segundo caso, pois a partir de certa altura os dançarinos encontram-se tão relaxados que o pudor dá lugar à libertinagem (acentuam-se os decotes, desnudam-se as pernas, roçam-se as peles...).
 
A valsa termina quando os dançarinos estão num estado pré-comatoso, por vezes mesmo antes de serem bebidas todas as garrafas alinhadas no início do sarau, levando a um desperdício que deveria ser punido por lei.
 
 
Deve-se dançar até ao fim e nunca deixar por beber uma garrafa que já respirou.
publicado por Veruska às 17:13

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