Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012

A China "vitoriosa"... ou como eu queria um casaco igual ao das meninas hospedeiras

 

Ontem foi o meu aniversário e assim que saltei da cama o meu pensamento foi decidir o que deveria vestir nesse dia. Teria de ser algo emblemático, algo que de alguma forma me trouxesse recordações sobre o meu passado impregnado de felicidade e perspetivasse o meu futuro, pelo menos o mais próximo, como esperançoso. 

 

Após alguma reflexão optei pela minha “saia da Guatemala”.  Uma saia comprida, toda bordada à mão em vários tons de azul e que desencadeia cá em casa comentários do tipo “hummmmm, vais tão pouco sexy para o trabalho...”

 

Tenho consciência que a saia não terá o melhor corte, e por ventura também não assentará na perfeição no meu corpo, mas trata-se de uma peça de roupa com História. Foi adquirida por tuta e meia em Panajachel (Guatemala) depois de horas agoniantes de viagem a fintar deslizamentos de terras, enxurradas e conduções perigosas. Mais do que a aventura que me levou a essa pequena localidade, ela simboliza o fim de uma época dourada que me levou a conhecer in loco outros lugares e gentes.

 

Mas o que tenho para dizer hoje não termina com a análise daquilo que simboliza a minha “saia da Guatemala”. Como tenho alguma noção de moda, sei desde sempre que com saias compridas o que melhor se coordena é um casaco curto de preferência cintado.  Ora, coisas desses não faltam no meu armário. Existem em todas as cores (e não quero aqui rivalizar com a Merkel) preto, branco, verde, azul, roxo, carmim, cinzento, etc., etc.

 

Pego no preto e imagino-me já com uma cintura híper-definida e um contraste estonteante com o azul celeste predominante da minha saia.  Sinto-o ligeiramente apertado nos ombros, mas nada que me demova dos meus intentos. Afinal fui mãe há APENAS 1 ANO e nem tudo voltou ainda ao sítio. Mirei-me e remirei-me ao espelho e a toillete estava bonita apesar dos comentários que vinham da sala “A mãe, hoje vai tão pouco sexy…:):)”.

 

Mas o verdadeiro problema surgiu quando tentei apertá-lo de forma a realçar a minha cintura que apesar de não ser de vespa, é ainda o que de mais fino tenho neste meu corpo. Não consegui. Tentei de novo e nada. Encolhi a barriga e nada. Despi-o e experimentei o cinzento, depois outro preto e nada. Enlouqueci e comecei a tentar abotoar os vários blazers que existem no meu armário e nada.  Pelos vistos o meu excesso de peso, o que ainda perdura após SÓ 1 ANO decorridos do nascimento do meu filho está todo concentrado no meu peito.

 

Hoje, um dia depois destes acontecimentos, sinto-me triste. Preciso urgentemente de diminuir o meu busto (sei que isto vai contra os princípios fundamentais de muita gente, mas é o que eu preciso). Quero ficar como as hospedeiras chinesas lindas vestidas com longos casacos vermelhos e sentir-me também eu, vitoriosa por ter ganho mais esta batalha.

publicado por Veruska às 18:28

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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

Um bocadinho do meu México, da minha Guatemala e do meu Belize

 

 

 

 

 

 

   Do México nunca quis saber, da Guatemala já tinha ouvido dizer que era linda e do Belize desconhecia tudo, inclusive que de um país se tratava. Toda a minha motivação para esta viagem se prendia com a Civilização Maia.

 

 

   Queria ver ruínas, espreitar pirâmides e perceber o que de tão especial envolvia essa civilização outrora tão importante. Do resto não esperava grande coisa. Não estava ansiosa pelas praias e sentia-me apreensiva com o elevado número de quilómetros que iria percorrer de autocarro. Talvez a excepção fosse mesmo o trekking no vulcão Pakaya, em erupção desde a década de 60 e os cenotes que de tanto falara aos meus alunos nas últimas semanas de aulas.

 

 

   Como balanço destas semanas posso dizer que o México que visitei (Iucatão e Chiapas) é uma espécie de paraíso com praias de água muito quente e cidades lindas de cores vibrantes, que a Guatemala possui uma beleza natural que desconhecia totalmente e que o Belize é um país que se estranha e depois se entranha.

 

 

   Das praias do México já toda a gente ouviu falar. Dizem que a água é azul e quente e o areal é fino e cheio de coqueiros que ajudam a amenizar o calor. Tudo isso é verdade e por isso mesmo não vou sequer mencionar a frustração que senti ao querer refrescar-me com um banho de mar ou de piscina e não conseguir. Do Belize esperava encontrar também praias fantásticas, talvez melhores que as mexicanas e como tudo isso é mentira, não vou sequer mencionar a frustração que senti ao constatar que os areais e as zonas balneares simplesmente não existiam. Claro que como compensação, sei que alguns autóctones de rastas no cabelo e com falta de alguns dentes ficaram a amar estas portuguesas das “big maletas”.  Também não irei falar de todos os momentos mais difíceis vividos na Guatemala, onde os deslizamentos de terra são constantes e nos obrigam a horas de espera nas estradas ou a recorrer a soluções marcadas por uma grande dose de improviso.  Falarei sim, de como foi fantástico visitar os vestígios da Civilização Maia e como o contacto com a Natureza me deixou deslumbrada.

 

 

 

 

I – Descobrindo a Civilização Maia

 

 

   Tinha a certeza absoluta que iria gostar de tudo o que envolvesse a cultura Maia e por isso sabia que as ruínas que iria visitar culminariam em experiências magníficas. Comecei o meu périplo por Chichen Itzá – de facto magníficas, mas ainda assim as menos espectaculares – e continuei por Uxmal, Palenque, Tikal – as mais fantásticas – terminando em Tulum.

 

 

   As ruínas estão por todo lado, e mesmo quando elas não existem as referências Maias existem associadas a esses locais. É o caso do Canyon de Sumidero onde milhares de Maias se suicidaram atirando-se ao rio preferindo morrer dessa forma a serem capturados pelos espanhóis.

 

 

   O cenário ainda é mais maravilhoso quando se pensa que tudo isto está, quase sempre, rodeado por uma floresta densa cheia de vida.

 

 

 

II – Eu “dentro do BBC Vida Selvagem”

 

 

 

 

   Mas a grande surpresa foi sem dúvida a vida natural desses países.  E quando falo em surpresa, refiro-me ao facto de tudo aquilo que vemos nos documentários sobre a Natureza existir mesmo. Tive a oportunidade de verificar que:

 

 

           - a Floresta Tropical é tão densa que não é necessário erguer muros de delimitação das propriedades;

 

 

           - os mosquitos e outros insectos nos atacam sem dó nem piedade;

 

 

           - existem mesmo tarântulas nas florestas;

 

 

           - as iguanas estão por todo o lado;

 

 

           - os crocodilos são muito grandes e têm um ar assustador;

 

 

           - os caranguejos nos assustam à noite pois conseguem atravessar uma ilha de ponta a ponta;

 

 

          - o equivalente às lagartixas em Portugal são pequenos lagartos “nojentos”;

 

 

          - as baratas no Belize têm o triplo do tamanho das baratas algarvias (dou graças a Deus por não a ter visto e por as minhas amigas a terem conseguido tirar do quarto).

  

   Como experiência impossível de esquecer fica o trekking no vulcão Pakaya e o snorkling no Belize.  No primeiro, apesar de não ter visto lava (desde a erupção de Maio que a lava está muito profunda), pude sentir o calor por ela emanada e ver aquilo de que um vulcão é capaz de fazer.  Da segunda ficam-me tanto boas como má recordações; atravessei um recife de coral verificando que afinal os documentários que via do Jacques Cousteau quando era miúda são reais; nadei com raias e tubarões (que eram vegetarianos) e só não vi os manatins porque fui picada por uma medusa e tive de voltar para o barco onde estive algumas horas a agonizar com dores.

 

    Ah, e sobrevivi às várias longas viagens de autocarro (claro, que com a ajuda de fármacos - é o meu problema com a droga, já sabem! ahahahahah )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Veruska às 00:59

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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

Eu não vi Vikings e por isso fiquei triste

 

 

            O imaginário cinematográfico mais uma vez catalisou a minha vontade de descobrir novos lugares. Desta vez foi um filme de 1958 protagonizado por Kirk Douglas – The Vikings (comerciantes, guerreiros, piratas da Escandinávia) – que eu vi várias vezes ao longo da minha adolescência.  Inicialmente a motivação que me levava a visitar Oslo não era mais do que aproveitar um voo barato mas ao fim de algum tempo a vontade de conhecer um pouco da história Viking tomava conta de mim.

 

            Todos me diziam que Oslo era pequeno, não tinha uma beleza espectacular e que era uma cidade extremamente cara. Tais afirmações não funcionaram como desmotivação mas sim como elementos catalisadores de descobrir e aprender coisas novas. Queria ver como eram os noruegueses, se existiam trols (criaturas antropomórficas do folclore escandinavo), ver um fiorde ou perceber o que é isso de se ser escandinavo.

 

            Na cidade muito fria, visitam-se museus, muitos museus (infelizmente as lojas estavam fechadas devido à Páscoa), janta-se em restaurantes simpáticos e bebem-se copos em bares ainda mais simpáticos. A multiculturalidade está presente em todo o lado, embora os mais bonitos sejam mesmo os noruegueses de tez clara, cabelo louro e ar muito saudável.

 

            Os Trols também existem e são mesmo avistados de vez em quando na rua, caminhando sozinhos com roupa andrajosa, cabelo despenteado e ar levemente assustador. Já dos Vikings nem referência; os museus onde se encontram alguns dos artefactos deste povo estavam fechados devido à Páscoa e por isso não puderam ser visitados. Foi mesmo esse o ponto negativo de toda a viagem – o não ter visto o Museu dos Barcos Vikings - e agora que acabei de descobrir que um dos concertos incluído no Inferno Festival, mais conhecido por Black Easter, decorreu nesse museu, não consigo deixar de sentir um bocadinho de inveja e tristeza por não ser “metaleira”.

 

publicado por Veruska às 12:16

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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Mais um bocadinho do meu Japão

 

Apesar de passada quase uma semana após o meu regresso ainda é muito difícil organizar as minhas ideias e apresentar-vos um relato coerente e que traduza exactamente o que senti durante os dias em que estive por terras japonesas. Tudo o que vivi irá fazer parte das minhas memórias para sempre. Tão importantes foram os sismos de grande intensidade que experienciei em Tóquio, a serenidade de Koyasan, a chatice de Takayama, a imponência de Nikko, como os arranha-céus de Shinjuku.
 
Depois de muitas tentativas lá consegui organizar (embora de uma forma muito subtil) uma pequena parte do meu pensamento.
 
1º) A tecnologia quase ausente
 
            Foi por Osaka que iniciei a descoberta do Japão. Também foi em Osaka, mais propriamente no aeroporto que a primeira fantasia sobre o Japão caiu por terra. Ao desembarcar naquela que é considerada uma grande metrópole fiquei desde logo pouco impressionada com o seu aeroporto – os painéis electrónicos informativos eram praticamente inexistentes, espalhados pelos corredores existiam vários cartazes escritos “à mão” e até o controlo policial parecia demasiado arcaico. Ora, não era essa a história que me tinham contado sobre o Japão; desde sempre que tinha a ideia que o Japão era o país mais avançado do mundo em termos tecnológicos…
 
            Claro que tudo isto não tinha passado de um susto de muito curta duração. Logo no controlo policial a comunicação foi possível através de um monitor que debitava as instruções necessárias para realizar o registo de dados biométricos em… português.
 
Ao longo dos 18 dias em que permaneci nas terras do Sol Nascente as minhas expectativas não saíram defraudadas pois todos os dias constatava que a tecnologia apesar de subtil estava lá para ficar, sendo um dos casos mais clássicos as fantásticas casas-de-banho estilo ocidental. Nestes espaços quase tudo é electrónico - a descarga do autoclismo desencadeada por um movimento de mão, o bidé incorporado nas sanitas de tampo aquecido e o som de descarga também activado por sensores com o objectivo de impedir que se oiçam os verdadeiros barulhos quando se utilizam as instalações sanitárias.            
 
 
2º) Assustando as criancinhas
 
Sendo um Japão um país com uma das maiores economias mundiais e pertencendo a várias organizações internacionais esperava que a comunicação não fosse um problema tão presente nestas semanas passadas por lá.
 
O primeiro problema real surgiu no segundo dia em plena estação de Osaka (metro e comboios) quando nos deparamos com inscrições praticamente só em caracteres japoneses, dezenas de corredores e centenas ou milhares de pessoas em passo apressado. Várias foram as tentativas frustradas de comunicação. Rapidamente constatei que o inglês não é uma língua compreendida ou falada pelos japoneses (houve mesmo sensação de que alguns recepcionistas dos hotéis por onde passei, não percebiam uma palavra de inglês). A par de tudo isto, rapidamente percebi que o meu aspecto ocidental era também um entrave à aproximação dos autóctones.
 
Quando os interpelava alguns afastavam-se, outros riam de forma disfarçada e algumas criancinhas choravam e fugiam. Fui alvo de fotografias tiradas de forma discreta e utilizando algumas das mesmas estratégias que eu própria usava quando queria fotografar meninas vestidas com iucata ou rapazes de penteados estranhos, unhas pintadas e sobrancelhas rapadas.
 
Tal como nos explicaram e apesar dos japoneses serem um povo muito simpático, cortês e prestável, as relações com os ocidentais não são uma coisa desejável. E quanto à aprendizagem do inglês esta é praticamente inexistente e facilmente relegada para segundo plano.
 
3º) Os malucos dos japoneses
 
O Japão é um país de contrastes. A par da tradição sempre presente nos templos e santuários espalhados por todas as cidades existe também a sensação de que o Japão e mais concretamente Tóquio, não é real e que não deve ser mais do que vários hologramas  que projectam uma realidade virtual saída de um qualquer livro de banda desenhada.
 
Nas ruas coexistem pessoas de quase todas as tribos urbanas que se possam imaginar e de mais algumas que eu nem imaginava que existiam. De todas, aquelas que mais me impressionaram foram as “Lolitas” (raparigas que vestem roupas de inspiração vitoriana ou rococó tentando imitar bonecas de porcelana). Dos rapazes também muito se poderia dizer, especialmente daqueles que só vestem roupa de designers conceituados, usam maquilhagem, pintam as unhas e arranjam o cabelo de uma forma impossível de explicar.
 
A vida nocturna também merece aqui um parágrafo específico. Num primeiro olhar quase se poderia dizer que ela era inexistente, mas depois de alguns dias compreendi que ela existe, só que de uma forma totalmente diferente da existente em Portugal. Até por volta das 22 horas os restaurantes estão cheios e as ruas intensamente iluminadas pelos néons, fervilham de vida. À medida que os restaurantes vão fechando (e eles fecham pouco depois das 22 horas) algumas pessoas vão para as salas de jogo jogar pachinko e a maioria delas vai não se sabe para onde. Nas ruas ficam apenas os proxenetas que, de tão bem vestidos, conseguem ofuscar qualquer pessoa. No Japão há prostitutas para todos os gostos, desde as “european cats” até às senhoras vestidas com trajes tradicionais japoneses.
 
O consumismo é uma realidade japonesa e o poder de compra dos japoneses faz com que a loja mais frequente no Japão seja, quase de certeza, a Chanel seguida de muito perto pela Louis Vuitton. Os homens usam malas de senhora e as senhoras calçam botas de borracha Hermès ou de qualquer outra marca do género. Para os que têm menor poder económico também existem boutiques e sapatarias sendo estas últimas caracterizadas pelo peculiar sistema de catalogação dos sapatos – os tamanhos existentes são o S, o M ou o L.
 
Nos espaços fechados não se fala ao telemóvel e nem se fuma. Nos espaços ao ar livre também não. Quem quer fumar vai para um smoking point e quem quer falar ao telemóvel não sei como faz. Durante este tempo todo não devo ter visto mais de três pessoas a falar ao telemóvel. Não cheguei a perceber o que fazem eles com este aparelho para o qual olham constantemente, teclando como se não houvesse dia de amanhã.
 
 
Em suma, é uma viagem que recomendo vivamente a todos.

 

publicado por Veruska às 21:41

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

A Argentina e o Chile... ou como foram as minhas férias

 
Numa viagem a outro continente, a países de que pouco se conhece (pelo menos eu desconhecia), o que seleccionar como os aspectos mais relevantes? É precisamente essa a questão que coloco neste momento. A menos de 24 horas do regresso a Portugal, já contei tudo o que se passou à minha família, já descarreguei as fotografias para o computador, já mostrei tudo o que comprei à minha mãe…e mesmo assim não sei por onde começar, ou mesmo o que devo contar! 
 
Como a dificuldade que sinto é enorme acho que me devo centrar nos três pensamentos recorrentes que foram surgindo à medida que os dias iam passando e que podem muito bem servir de base a toda a descrição.
 
Pensamento I – Buenos Aires é melhor que Nova Iorque!
 
Embora não saiba porquê, adoro cidades, de preferência cidades grandes com muitos prédios também eles grandes e muitas pessoas a caminhar nas ruas. A minha viagem a Nova Iorque foi inesquecível e talvez por isso ainda fiquei a gostar mais de grandes metrópoles. Esta era para mim “A Cidade”, logo a seguir a Londres e quem sabe a Tóquio (onde ainda não fui). Nunca pensei que Buenos Aires pudesse algum dia vir a encabeçar esta lista (aqui assumo a minha ignorância sobre a América do Sul, continente que associo de imediato ao Brasil, local que não me seduz absolutamente nada). Pois, Buenos Aires é absolutamente fabulosa: a arquitectura é impossível de descrever, a vida da cidade também é impossível de descrever, a hospitalidade dos argentinos é infinita e a sedução que a cidade exerce sobre as pessoas que por ela caminham é viciante.
 
Gostei de tudo (dos argentinos, das refeições de luxo a preços muito baixos, do museu MALBA…) mas tenho de eleger como mais marcante o Tango. Pouco tempo antes de partir para a Argentina descobri a música de Astor Piazzolla e partir daí fiquei completamente viciada naquela melodia melancólica que me levou a dar a maior das importâncias a um instrumento que para mim era secundário e a que associava a formas de arte menores (se é que isso existe) – a concertina. Depois comecei a perceber o que era isso do Tango, e da forma como era dançado e fiquei apaixonada! Tudo isto aumentava ainda mais a minha expectativa em relação a Buenos Aires e tinha mesmo como o principal objectivo da viagem fazer coisas relacionadas com o Tango: ver espectáculos, ouvi-lo e até mesmo dançá-lo. Os objectivos foram em muito alcançados:
- vi três espectáculos de Tango (o turístico que não prestou, excepto a interpretação do Piazzolla; o genuíno protagonizado por aquilo que pareciam ser amadores ou semi-professionais em final de carreira; o profissional estilo “La Féria” que foi muito bom);
- fiz uma aula de tango em que dancei com vários dançarinos desde os que pouco sabiam até aos muito bons (sou obrigada a salientar um deles – o cinquentão, de ar sedutor com olho azuis e cabelo grisalho – que fez com que dançasse como jamais imaginaria que fosse possível);
- dancei num dos locais mais tradicionais de Buenos Aires – a Confiteria Ideal – e apesar de não ter suscitado muitos convites por parte dos cavalheiros presentes na sala, dançar naquela pista de dança foi uma experiência que jamais esquecerei.
 
 
Pensamento II – A Patagónia é melhor que a Suíça!
 
A entrada na Patagónia deu-se pelo lado argentino, e ocorreu na cidade de Bariloche situada junto à cordilheira dos Andes. Para mim tudo foi novidade: a temperatura atmosférica, a neve (acho que vai ser agora que me vou render aos desportos de inverno…), o lago gigantesco rodeados por montanhas cobertas de neve e…surpresa das surpresas…o CHOCOLATE! Por incrível que pareça, a especialidade de Bariloche é o fabrico artesanal de chocolate. As lojas são inúmeras e a hospitalidade tão característica dos argentinos impelem-nos a aceitar todo o chocolate que nos oferecem a provar – os bombons de chocolate branco recheados com pasta de framboesa, o chocolate de leite em rama, o chocolate branco com sabor a pimentão, as framboesas frescas cobertas com uma camada fina de chocolate branco e outra de chocolate de leite…Posso dizer, apesar de me sentir um pouco envergonhada com isso, “Eu tomei uma overdose de chocolate!”
 
Também foi a partir desta cidade que iniciei a travessia da Cordilheira dos Andes, para chegar ao Chile. Devido à neve que caía intensamente, a paisagem era extremamente bonita e o perigo de transitar em estradas naquelas condições também era considerável, o que até tornou tudo mais interessante.
 
A grande surpresa foi mesmo o Chile, que apesar de corresponder à imagem de “América do Sul” que tinha dos filmes (eu sou assim, vocês já sabem… :)), tem também uma grande influência alemã (dá para perceber porque é que alguns Nazis se refugiaram por lá).
 
Só para finalizar, vi um vulcão (o segundo da minha vida, lol) – o Osorno.
 
Pensamento III – Valparaiso tem mais funiculares que Lisboa!
 
Muitas coisas haveria para salientar no Chile (o cruzeiro até Peulla, a beleza de Santiago rodeada pela Cordilheira dos Andes…) mas vou apenas falar de Valparaiso, uma cidade portuária com 45 colinas e 15 funiculares centenários (ou quase) ainda em funcionamento.   Num primeiro olhar a cidade pareceu-me uma favela, tal era a forma como as casas se amontoavam naquele anfiteatro natural virado para o Pacífico, mas após alguns minutos de caminhada vi que mais uma vez estava no meio daquilo a que chamo “isto é a América Latina dos filmes”! :) A cidade é lindíssima (mais uma vez, não dá para descrever :( )e por isso é que é Património Cultural da Humanidade.
 
Foi no alto de uma dessas colinas, depois de ter “apanhado” mais um dos funiculares do dia e de ter caminhado pelas ruas mais íngremes por onde alguma vez caminhei, que cheguei a “La Sebastiana” – uma das casas-museu de Pablo Neruda. Se tivesse de escolher apenas um acontecimento de toda a viagem, provavelmente seria a visita a esta casa onde morou Pablo Neruda (esse maluco, que “a sabia toda”…ahahah). A partir daqui sempre que encontrava uma casa-museu Pablo Neruda, lá estava eu a visitá-la com as expectativas no máximo; na realidade só visitei mais uma – La Chascona, em Santiago – e tal como em Valparaíso foi fabuloso (ficou a faltar-me a de Isla Negra). Confesso que até a fiquei a gostar mais um bocadinho de poesia e de lamechices!
 
 

             Muito mais haveria para descrever, mas assumo aqui a minha total incapacidade para traduzir por palavras o que vi e o que senti.

publicado por Veruska às 13:22

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