Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Os detergentes amoniacais... ou como fui enganada

Não sou uma maníaca das limpezas e desinfecções, mas desde pequena que há um produto que faz parte do meu imaginário – o Sonasol “verde”.  Das minhas memórias de infância ficou o cheiro amoniacal, a utilidade plena em quase todas as situações e, a mais marcante de todas, o facto de lavar o chão com um solução deste detergente não implicar a necessidade de o passar por água (este último factor teve uma enorme importância no despertar da minha atitude científica e quiçá, até terá sido decisivo para me formar em Química…).
 
Com o passar dos anos, muitas das minhas escolhas de consumo foram-se alterando, muitas outras opções foram surgindo, ainda mais comportamentos foram modificados, mas o Sonasol “verde” acabou por se instalar na minha vida. Mas como os tempos são de crise e como considero que existem no mercado muitas alternativas de qualidade à marca que me acompanhou desde menina decidi pesquisar produtos similares produzidos por outras empresas, sobretudo com o intuito de baixar os meus custos fixos em produtos de limpeza. A qualidade não era algo a desprezar e por isso avaliava a quantidade de espuma produzida quando se preparava a solução de lavagem, o aroma que não deveria ser demasiado amoniacal, o grau de expurgação e a ausência de manchas no chão depois de seco.
 
Testei vários produtos e finalmente encontrei o melhor – o Ultra-Pro Amoniacal – um produto marca branca vendido nas várias lojas Pingo-Doce e Feira Nova. Mas, recentemente, tive uma quebra de stock na minha casa e de forma a resolver o problema sem andar de supermercado em supermercado comprei praticamente sem pensar (uma espécie de compra por impulso) um outro detergente amoniacal de marca Suave Sim (também uma marca branca, esta do Jumbo).
 
Depois da primeira utilização rapidamente percebi que tinha saído desta compra defraudada; o meu Suave Sim tinha um cheiro quase nauseabundo longe do aroma purificante que queria, praticamente não fazia espuma quando dissolvido na água corrente e a sua suavidade era tal que à limpeza não ajudava nada. Numa análise mais profunda percebi que afinal o meu novo amoniacal tão verdinho e tão lindo não passava de uma mistura aí de 99,9% de água com 0,1% de um corante verde e água corada nunca limpou nada! Isto é que é enganar o consumidor!
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publicado por Veruska às 20:51

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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

O Cartão do Cidadão... ou como irradio felicidade por estar mais alta

 

  

 

Numa segunda-feira muito fria e cinzenta cheguei, por volta das 7h e 30min (da manhã, claro), à porta da Conservatória do Registo Civil de Faro. Não me ia casar, não me ia divorciar ou registar qualquer criança como minha descendente, ia pura e simplesmente fazer o meu Cartão de Cidadão pois o meu Bilhete de Identidade estava prestes a caducar.
 
Já tinha ouvido estórias maquiavélicas sobre todo o processo:
- que só atendiam 10 pessoas por dia,
- que a “máquina” onde se tirava a fotografia era muito lenta (????),
- que apenas uma funcionária fazia o atendimento,
- que algumas pessoas não conseguiam ser atendidas, depois de um dia inteiro de espera,
- etc.
 
Decidi então aceitar os conselhos de quem já tinha passado pelo processo, acordei cedo e rumei ao centro de Faro com uma garrafa de água, uma barra de cereais e um livro dentro da mala. Fui a décima sétima a chegar, tal como prontamente me disseram sorrindo-me de volta e afirmando “hoje ainda vai ser atendida…”. Nessa primeira hora e meia de espera, resolvi sentar-me num murete controlando simultaneamente as pessoas que chegavam, certificando-me que elas percebiam que estavam atrás de mim e as páginas do meu livro do Agualusa. Durante esse período foi-me impossível abstrair do monólogo levado a cabo por um recém-divorciado que estava ali porque necessitava de actualizar o seu estado civil. Pois, eu dele fiquei a saber quase tudo: que tinha dois filhos, o que pagava de pensão alimentar, que não pretendia casar-se nunca mais mas sim ir casando, etc, etc.
 
Pouco antes das nove horas e depois de terem conseguido desligar o alarme que tinha tocado ininterruptamente todo o tempo em que tinha estado por ali, um segurança chegou até junto de nós e distribuiu umas senhas provisórias ordenando as 30 pessoas que iriam ser atendidas nesse dia. Claro que tal tarefa se revelou muito complicada pois alguns dos presentes tentavam “dar o golpe”. 
 
A etapa seguinte mostrou-se ainda mais complicada de ser ultrapassada e ainda com menor sentido. As portas do edifício foram abertas e todos correram escada acima em direcção ao local de atendimento. Foi então que o segurança, que exercia a função de “protector da máquina de senhas”, ordenava a todos que formassem uma fila de acordo com a numeração das fichas provisórias. Mais confusão, mais gente a dar o golpe, mas depois de alguma luta, lá consegui uma senha definitiva com o número 17.
 
Desafio seguinte, arranjar um cadeira vaga para que pudesse continuar a ler o meu livro do Agualusa.  Agi como se de uma ave de rapina me tratasse: avaliei o espaço, identifiquei os mais fracos (eu sou boa pessoa e não queria roubar nenhuma cadeira a nenhuma velhota) e desloquei-me em voo picado para o único assento livre longe do painel de chamada mas perto, muito perto, do recém-divorciado que agora já era desprezado por todos com a excepção de dois adolescentes. Durante horas a fio, li, ouvi o recém-divorciado a contar mais histórias que não interessavam a ninguém (mas sempre de olhos fixados no livro, não fosse ele tentar conversar comigo), ouvi uma senhora do atendimento a ordenar aos gritos às pessoas que esperavam pela sua vez a calarem-se, vi mais pessoas a “dar o golpe”, vi outros utentes que demoraram mais de hora para fazerem o almejado Cartão do Cidadão pois não gostavam da fotografia que a máquina registava, etc, etc.
 
Por volta das 13 horas, já depois do recém-divorciado ter ido embora, tentei convencer algumas das pessoas que ainda esperavam a fazerem uma reclamação no respectivo livro. Registo aqui o espanto por ninguém, à excepção de mim, o querer fazer. Por volta das 13h e 30min fui finalmente atendida, excepcionalmente bem atendida e tudo não demorou mais de 15 minutos.  
 
Como notas positivas, registo o facto de ter lido mais um livro e de a verdade voltar novamente a imperar – posso ter esperado 7 horas para ser atendida mas a minha altura voltou a ser 1,68 m e não os 1,66 m do tempo em que nada disto era “tecnológico”.
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publicado por Veruska às 21:13

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