Domingo, 12 de Abril de 2009

A Sexta-feira Santa... ou a auto-mutilação de um exibicionista em Faro

O Carnaval é um período de excessos e a Quaresma, que lhe segue, é um período de contenção. As renúncias quaresmais tornam-se centrais na vida diária dos católicos convictos, o peixe é consumido com convicção à sexta-feira pelos fiéis e os folares comem-se com a desculpa de cumprir a tradição.
 
            No dia seguinte ao término da Quaresma, a Sexta-feira Santa, os cristãos devem reflectir sobre a vida plena de sofrimento de Jesus na Terra. É também este dia que marca o final da época mais restritiva e que inicia os dias de abundância que culminam com o festejo da ressurreição de Cristo, no domingo de Páscoa.
 
            Os tempos são de mudança e se até no nosso país alguns Bispos utilizam o You Tube para espalhar a sua palavra, porque não encontrar novas formas de celebrar aquele que simboliza o dia da Paixão de Cristo?!?! Foi o que fez um desconhecido este ano em Faro, perto do Largo de São Francisco.
 
            Ao início da tarde, enquanto caminhava de olhar baixo e me deixava levar por uma qualquer canção de que por certo gostaria muito, senti que a imagem de um pénis acabava de entrar no meu campo de visão (atenção que eu sou uma rapariga solteira em idade casadoira e por essa razão essas coisas perturbam-me). Esse pénis estava enquadrado por um casaco azul escuro e por umas calças castanhas que me eram familiares. Ao erguer o olhar reconheci de imediato o homem em questão – o Exibicionista – que se encontrava em pleno acto de masturbação ou melhor dizendo de auto-mutilação tal era a impetuosidade da situação. Como sempre, contemplava de forma deslumbrada a Ria Formosa e tentava disfarçar sem qualquer sucesso, o movimento repetitivo e intermitente com que dava alegria ao seu rosto.
 
Depois de uns dois anos de ausência, não fico feliz por o ter reencontrado, mas considero esta sua atitude uma grande inovação que porventura, trará de volta à Igreja algumas das ovelhas tresmalhadas do rebanho do Senhor.
 
 
 
publicado por Veruska às 16:35

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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Dentro em breve mudo-me para o Allgarve... ou como a Trinny e a Susanah já foram copiadas pelos portugueses

 

Dentro de sensivelmente três semanas, e como tem vindo a acontecer desde de há dois anos a esta parte, vou trocar temporariamente o Algarve pelo Allgarve, “um destino turístico de qualidade, associado ao glamour e sofistação”. Apesar da pouca distância temporal até ao início desta “experiência que marca”, a agenda ainda não está definida, embora se saiba desde já que ocorrerão eventos nas áreas do desporto, da música (no qual se inclui o Festival Med, o meu preferido), da gastronomia, da arte, entre outros.
 
Quanto aos preparativos, alguns já se iniciaram e um pouco por toda a cidade de Faro, e presumo que por todo o Algarve, já se vai percebendo que tudo irá ficar pronto a tempo. Este ano existem algumas inovações. Em primeiro lugar a parceria existente entre o Turismo do Algarve e a Câmara Municipal de Faro intensificou-se, e por toda a cidade já se encontram cartazes com funções meramente estéticas que informam sobre algumas das intenções da edilidade (muitas delas já conhecidas há anos…). Em segundo lugar a possibilidade de desenvolver no nosso país, utilizando recursos totalmente nacionais, o estilo peculiar das especialistas de moda Trinny e Susanah.
 
Posso dizer que muito aprendi com estas senhoras. Desde as saias mais adequadas ao meu tipo de corpo, passando pelas camisolas de decote em V (as que enquadram melhor as minhas mamocas) até aos acessórios, todos os conselhos foram sempre muito úteis e ajudaram-me a perceber como é que devo tirar partido da roupa. Foi por essa razão que fiquei feliz (e aqui agradeço a Tiago Coen que prontamente me alertou para este facto) quando percebi que também já em Faro (embora ainda a uma escala muito reduzida) o “What not to Wear” já tinha a sua própria agenda.
 
A abertura da Loja do Cidadão, inaugurada dia 3 de Abril, foi rodeada de preparativos inovadores que incluíram um workshop ao género “What not to Wear”. A formação destes administrativos foi muito mais do que desenvolver competências que lhes permitam realizar um pedido de Cartão de Cidadão num tempo de espera inferior a 7 horas e entregar esse documento sem que para tal seja necessário esperar mais de 2 horas. Estes funcionários desenvolveram também competências ao nível da assertividade que incluiu a sua forma de vestir. De acordo com a formação promovida pela Agência de Modernização Administrativa e para que não se ponha em causa o atendimento de qualidade que se pretende, as funcionárias foram proibidas de usar saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos.
 
Se por um lado me congratulo por Portugal ter tido o arrojo de encontrar também fashion guru’s que nos ensinem a bem vestir, por outro lado sinto-me triste por mais uma vez não termos sido capazes de encontrar técnicos de elevado valor. Se a Trinny e a Susanah tivesse conhecimento desta lista iriam prontamente rebater ponto por ponto estas intenções de bom gosto. Todos sabemos que se as pernas são bonitas uma saia curta só pode assentar bem, se as camisas apertam desabotoar proporciona alívio, se a elegância é inexistente uns bonitos sapatos de salto alto trazem-na de volta, se umas calças são brancas umas cuecas de cor branca não são aconselháveis (especialmente nas africanas) e se a ganga for escura o requinte impera.
 
Sei sem hesitação, que não possuo as condições exigidas para trabalhar na Loja do Cidadão, mas sinto-me um pouco preocupada por ser funcionária pública e trabalhar em Faro, pois tenho receio que estes conselhos se estendam a outras áreas da Administração Pública.
publicado por Veruska às 17:49

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Domingo, 5 de Abril de 2009

O que há de comum entre Greg Burk, Hugo Alves e Andy McKee... ou uma tristeza interior muito grande

 

Greg Burk, Hugo Alves e Andy McKee são três músicos dotados e cheios de talento.  Os dois primeiros tocam piano e trompete, respectivamente e o segundo aquilo a que se chama guitarra estilo fingertype. Além da música, do aspecto saudável, absolutamente normal e nada alucinado têm em comum um facto que me faz reflectir sobre o que passei nos últimos dias na minha terra natal – Cascais.
 
O que estes três artistas têm em comum é os concertos que deram no Centro Cultural de Cascais, instituição já com alguns anos mas que só esta semana passou novamente a fazer parte da minha vida. Este equipamento cultural fica localizado naquilo a que sempre chamei “Casas da Gandarinha” uma série de edifícios antigos habitados por retornados das ex-colónias (pelo menos era o que o meu pai me dizia, insinuando que amizades com quem morava ali não eram de bom tom) e onde morava o meu Marco de cabelo dourado encaracolado por quem tive uma paixoneta durante todo o meu nono ano de escolaridade e parte do décimo.  É com alguma nostalgia que recordo as manhãs passadas sentada perto do Quartel à espera que o dito Marco (um desalinhado que, suspeito hoje, andaria “metido na droga”) assomasse a uma janela, facto que nunca se concretizou.
 
Na primeira noite cheguei bastante cedo ao local, recolhi o meu bilhete e esperei que as portas do auditório se abrissem. Os espectadores eram poucos e maioritariamente estrangeiros e com idade superior a 50 anos.  Não sei se pelo meu ar demasiado circunspecto e observador ou pela roupa que vestia demasiado normal para Cascais (desta vez não tinha carregado na minha mala roupa para sair, ou maquilhagem e nem sequer uns sapatos ou botas de salto alto) ou ainda por não ser loira, senti-me observada por todos os ângulos: os casais franceses olhavam e comentavam, as nórdicas sorriram-me e o casal português lançava-me olhares pouco simpáticos. Nesses minutos que antecediam o espectáculo dei comigo a pensar que começava já a sentir-me desenraizada e que se calhar a pouco e pouco o Algarve se estava a entranhar através de todos os meus poros.
 
É nesse altura que vejo um homem cujas feições me pareciam familiares, a olhar-me com um ar quase lânguido de alto a baixo enquanto recolhia os seus bilhetes. Nessa altura apeteceu-me fugir tal era o meu desconforto. Alguns minutos depois percebi que afinal o tal homem era o marido de uma pessoa conhecida que não via há 10 anos; assim que ele me foi novamente apresentado retorquiu em jeito rápido “Eu bem me parecia que te conhecia” e mudou imediatamente para o modo “marido simpático para as amigas da esposa”!
 
Na noite seguinte voltei. O concerto era gratuito e a promessa de ver um guitarrista fingertype (coisa que desconhecia) envolto por uma guitarra muito estranha foram motivações suficientes para mim.  Desta vez, a afluência de público era muito maior, a juventude imperava e o roça roça à porta da sala era inevitável.  Quando o embaraço sem sentido que sentia por vestir a mesma roupa, se desanuviava (não me parecia que fosse observada detalhadamente por ninguém) oiço uma voz com uma entoação fantástica que me diz “Então, está cá outra vez?!”.  Viro-me e vejo que quem me falava assim e me mostrava um maravilhoso sorriso era nada mais, nada menos, do que o Segurança de serviço, um senhor com mais de 50 anos, de cabelo totalmente branco e com a falta de um incisivo.
 
À medida que pensava “porquê eu?”, “o que é que eu tenho?”, “o que é que ele quer de mim?” e “porque é que não é um jeitoso que mete conversa comigo?”, o Segurança lá me ia congratulando por ainda ter conseguido um bilhete. Também me explicou que parecia que o artista dessa noite era muito bom e que os CD’s dele eram fantásticos e até me pediu para observar o meu bilhete para melhor me explicar onde iria ficar sentada. Confesso que fui antipática. Não alimentei a conversa, desviei o olhar por várias vezes e até tentei com todas as minhas forças não sorrir, não fosse ele sentir-se incentivado de alguma forma.  O monólogo lá terminou com o Segurança a dizer-me já com uma ar mais sério e menos íntimo “Sabe, eu conhecia-a pela mala…”.
 
Gostava de acreditar que foi realmente a mala que me fez tão notada nas noites culturais de Cascais, mas parece-me que os 7 anos que levo de Algarve já transformaram profundamente esta menina da linha (e para pior…)!
 
publicado por Veruska às 19:47

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