Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Preciso de uma Candy... ou como o Big Brother nos observa


                                                                                          

 

O dia de hoje foi marcado por dois acontecimentos que apesar de aparentemente desconexos, muito revelam sobre a verdadeira essência da nossa existência.  Os eventos a que me refiro resultam do facto de a minha internet wireless não estar a funcionar adequadamente e de hoje ter ido comemorar o Dia da Mãe no infantário frequentado pelo meu filho.

 

Quem lê este post, poderá achar que a relação entre tudo o que já afirmei ou mesmo a ideia transmitida pelo título poderá ser oca de qualquer conteúdo, ideia que sairá reforçada no final deste texto, mas parte do encanto de se manter um diário semi-fantasioso desta minha humilde existência reside no universo fantástico da minha imaginação que, de importante, pouca coisa debita.  

 

Tudo começa com uma chamada quase enigmática de uma pessoa que se intitulava meu gestor ZON para o próximo mês. A pessoa em causa disponibilizava-se para me ajudar em tudo o que estivesse ao seu alcance para resolver o problema de ligação do meu notebook à net wireless. Claro que esta chamada não surgiu de forma espontânea. Foi necessário passar muito tempo ao telefone com assistentes que se mostravam impotentes para resolver o problema, enviar meia dúzia de reclamações para três instituições diferentes e receber dois técnicos em casa para avaliar o que estava a correr mal.

 

Mas hoje, depois de falar com o meu gestor ZON, recebo uma chamada de um outro técnico muito conhecedor da situação. Diz-me logo em tempo real quais os equipamentos que tenho ligados à net, pede-me para ligar e desligar o router e rejeita qualquer hipótese de se fazerem mais testes de configuração do portátil. Ela fala-me dos equipamentos que tenho ligados em casa referindo-se à consola, ao portátil “normal” e até a uma impressora wireless que eu julgava desligada.  Foi mesmo ele que detectou em primeiro lugar a ligação do notebook dizendo-me “já tenho um VERA-PC ligado; sabe-me dizer a que equipamento se refere?”

 

Claro que sabia e muito bem. Tratava-se do computador que tantos problemas estava a dar e como que por milagre estava novamente a funcionar depois de quase um ano de jejum de ZON wi-fi. Tentei questioná-los sobre o que tinha feito e como o teriam feito, pois a única acção que tinha realizado foi o de ligar e desligar o router. Nada me adiantaram e salientaram por várias vezes que teria sido uma coincidência o reinício do router ter ocorrido em simultâneo com o reinício de actividade do meu “pequenino”. Fiquei espantada, muito espantada mesmo, pois desconhecia que seria possível alguém que se encontra em Lisboa ter tal conhecimento daquilo que se passa dentro da minha casa. 

 

Depois do espanto veio a preocupação. Encontro-me num processo de litígio com a ZON e a PC Medic (empresa que presta a assistência informática aos clientes ZON) e de repente tudo fica resolvido e de uma forma que me leva quase a pensar que afinal nunca houve problema nenhum.

 

De seguida dirijo-me ao infantário do meu filho para assistir à festa de comemoração do Dia da Mãe com a expectativa de confraternizar com as restantes mães e conhecer alguns dos coleguinhas do meu filho. Calço umas botas mais confortáveis que os sapatos de salto alto que tinha usado durante o dia todo, agarro no telemóvel e no meu porta-chaves com um rinoceronte em peluche e vou a correr para a escolinha. Depois dos cumprimentos iniciais lá vou eu com o miúdo ao colo para um canto com sombra iniciar as novas amizades.  Vou falando com as mães que também chegaram cedo como eu e a medo lá vamos trocando experiências e rindo com as gracinhas de cada um dos nossos filhos.

 

Mas à medida que mais convidadas vão chegando vou reparando que algumas delas se fazem transportar de uma mala de plástico. A forma é a de um pequeno baú, mas as cores seduzem qualquer um. Há em cor-de-rosa, em dourado com brilhantes e até com imitação de pele de cobra. Estas mães juntam-se em grupo, falam de forma descontraída, mas nunca, nunca, abandonam a sua Candy (mala da Furla).

 

Agora percebo porque é que isto acontece. Também já elas terão tido litígios com a ZON e para que as suas vidas se mantivessem em segredo trataram de colocar todos os seus maiores bens numa câmara isoladora plástica. Eu também preciso de uma!

publicado por Veruska às 23:32

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Domingo, 6 de Maio de 2012

O desemprego jovem em Portugal... ou como de pequenino é que se torce o pepino


 

Em muitas situações a resolução para os problemas está nas hipóteses mais simples, e não nas mais complexas. Aliás, em muito aspectos da nossa vida quotidiana o que é singelo, sem enfeites, puro ou natural sobrepõem-se em muito ao que é entrelaçado ou denso. Também na forma como se gere uma nação, esta premissa deve ser aplicada pois a sua adequação é quase universal a todas as situações.

 

O primeiro-ministro, Passos Coelho, não negligencia o que atrás foi exposto, pois já por muitas vezes o ouvimos fazer declarações simples, pejadas de inocência quase ocas de conteúdo mas que depressa são compreendidas pela população. Recorde-se a expressão “menos piegas” ou a mais recente “não querer dourar a pílula”. Mas como das palavras se deve passar aos actos, já foram encetados projectos que visam ultrapassar algumas das dificuldades que atravessam o nosso país, nomeadamente no campo do desemprego.

 

Como tem vindo a ser noticiado, o desemprego é um dos grandes problemas actuais do país, tendo o governo português proposto “à Comissão Europeia a atribuição de bolsas que promovam estágios profissionais e empreguem esses estagiários”. Esta medida poderia beneficiar 91 mil jovens sem trabalho, mas para ser levada a cabo necessitará do apoio de Bruxelas, que poderá tardar ou mesmo não se concretizar.

 

De forma a superar de imediato esta situação, o governo decidiu então deixar-se de linguagem simplificada e partir para a acção , tendo as iniciativas começado já na escola do 1º Ciclo do Pontal, em Portimão.  Aqui foram criadas patrulhas de segurança, constituídas pelos alunos cuja missão é “tomar nota do nome dos colegas da escola que apresentam comportamentos inadequados”, promovendo-se assim o desenvolvimento de competências ao nível da observação, interpretação dos factos e “bufaria” preparando-os desde cedo para cargos políticos.

 

Já no ensino secundário se aplicam outras estratégias, mais inspiradas em conceitos como “improvisação”, “desenrasquanço” ou “ilusão” preparando-se os adolescentes para a função de “testa de ferro”. A primeira acção foi levada a cabo por dois jovens que tentaram assaltar a avó de um deles com recurso a um íman, uma serra de 15 cm e uma corda de 1,27 m.

 

Aguarda-se agora com expectativa a abordagem a realizar pelos estudantes universitários, mas estou certa de que estes poderão almejar cargos ainda mais distintos.

 

 

publicado por Veruska às 10:14

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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Não consegui fazer compras no Pingo Doce... ou como um activista francês consegue entrar numa central nuclear


                                                                                          

 

Já há vários dias que corria o rumor de que o Pingo Doce iria fazer uma promoção bombástica. O desconto de 50% parecia ser consensual, embora não se soubesse concretamente quais as condições que iriam ser aplicadas.

 

Sendo eu uma incondicional dos supermercados da Jerónimo Martins, preparei-me para o evento pensando no que necessitava de adquirir e a melhor forma de o fazer no menor espaço de tempo possível organizando tudo o que precisava apenas num carrinho. Efabulei sobre tudo o que poderia acontecer nesse dia. Gostaria de comprar fraldas e afins a preços baixos, acrescentar uns cremes hidratantes, repor o stock de produtos de limpeza e trazer umas guloseimas.  A poupança que tencionava fazer seria enorme, porque sendo eu uma grande aficionada dos produtos de marca própria do dito supermercado estaria já a ganhar com o baixo preço a que elas são vendidas.

 

Preocupava-me o facto de ser o feriado de 1º de Maio, dia em que por motivos vários, teria de participar nas comemorações que iriam realizar-se em Alte. Não conseguiria realizar as compras logo à abertura e corria o risco de ao final do dia já haver muita confusão.

 

O meu dia decorreu sem acesso aos meios de comunicação social e as poucas notícias de que tive conhecimento vieram pelo telefonema de uma amiga que me relatou alguma confusão, umas prateleiras vazias e me aconselhou algumas estratégias para me ser prontamente atendida nas caixas.

 

Espalhei a boa-nova ao longo do dia e quando finalmente me dirigi ao Pingo Doce em Faro (Figuras) deparei-me com um cenário de alguma confusão mas que se parecia afastar do caos a que mais tarde vim a ter conhecimento.  Estacionei o carro com alguma facilidade (consequência de ser cliente assídua da superfície comercial e saber já como posso estacionar em “lugares alternativos”), agarrei em vários sacos reutilizáveis, peguei no meu filho de 5 meses, endireitei as costas, respirei fundo e iniciei a marcha que me levaria ao interior do supermercado.

 

A zona da fruta/legumas estava cheia de produtos e a da charcutaria embalada também, o que me proporcionou algum alento.  As pessoas amontoavam-se e os produtos também. Muitos tinham adoptado a mesma estratégia de levar um bebé com eles, outros achavam indecente que se estivessem a usar crianças neste tipo de situação.

 

Empinei o nariz e comecei a tentar chegar aos corredores mais internos para avaliar se valeria a pena enfrentar aquela confusão. Ao fim de poucos metros fiquei logo bloqueada por carrinhos, sacos com compras, caixas com amontado de objectos, etc. Tive de sair dali rapidamente.  E foi mesmo rapidamente. Tive sorte e colei-me a um senhor de cadeira de rodas que me foi servindo de “abre-alas”.

 

            Por todo o lado se fala nos aspectos negativos em redor desta promoção sem precedentes, mas ninguém fala daquilo que já se aprendeu com o que aconteceu em Portugal.  Refiro-me concretamente ao jovem que conseguiu entrar numa central nuclear francesa.  Ele “chegou num parapente a motor à central nuclear francesa de Bugey, accionou um dispositivo que libertou fumo e depois aterrou no interior da central”.  Estou certa de que terá passado o Dia do Trabalhador a tentar fazer compras no Pingo Doce.

publicado por Veruska às 12:48

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