
Duas cidades de países diferentes podem ter tanto em comum que até nos deixam perplexos. As semelhanças de que falo fazem de Faro e Pamplona duas cidades que apesar de não poderem ser oficialmente designadas como geminadas, deveriam de o ser. Podem distar mais de 1000 km e serem necessárias mais de 10 horas de condução para percorrer a distância entre elas, mas quando existe uma afinidade ela revela-se mesmo nos aspectos menos esperados.
Pamplona tem o triplo de municípios de Faro, cinco vezes e meia mais habitantes, uma denominação com o dobro das letras e tradições tauromáquicas que embora ainda incipientes em Faro têm ganhado um estatuto próprio desde há 28 anos a esta parte.
Em Pamplona, uma parte importante da aficion manifesta-se nas festas de São Fermin. Durante todos os dias dos festejos acontece aquilo que é conhecido por encierro - uma largada de touros bravos nas ruas do centro histórico da cidade. Durante esta corrida os populares vestidos com um traje branco e usando um lenço vermelho ao pescoço correm fugindo do touro e aqui e ali provocam-no de forma a que fuga ainda seja mais rápida.
Em Faro o gosto tauromáquico manifesta-se também nas ruas de um local que também pode ser considerado um centro histórico – a ilha de Faro. Durante os dias em que decorre a Concentração Internacional de Motos de Faro, acontece aquilo que a que chamo picanço. Durante algumas horas e após o pôr-do-sol, populares vestidos com trajes tradicionalmente associados ao evento, utilizam as suas motos para fugirem. Durante a fuga executam hábeis peões com o seu motociclo, extraem rateres do seus motores, queimam gasolina de forma intensa e chegam mesmo a realizar manobras perigosas para eles e para todos os que assistem a essa manifestação artística.
Em ambas as festas existe o gosto pela adrenalina, o espírito de aventura e o gosto por participar numa tradição local. Em Pamplona fogem de um touro, em Faro não fogem de ninguém; nem da Polícia que assiste impávida e serena a todo o acontecimento!