A quadra natalícia chegou e com ela chegaram também todos aqueles acontecimentos sem os quais não seria Natal: as iluminações de rua, os pais natais por todos os centros comerciais e os ringues de patinagem no gelo. Se em relação aos dois primeiros já todos nos habituamos, o último é um fenómeno relativamente recente e que estranhamente se assemelha a um acontecimento que é por muitos considerado o “mais feliz de uma vida” – o casamento.
Há alguns dias dei por mim a observar vários adolescentes que patinavam numa pista de gelo artificial, numa tarde solarenga e excepcionalmente quente para a época. A primeira coisa em que pensei foi no consumo energético necessário para manter a pista “gelada” quando o Sol estava tão forte, mas logo de seguida comecei a fixar-me mais na coreografia que se desenhava à minha frente. Os patinadores, que eram maioritariamente rapazes, descreviam quase sempre círculos no mesmo sentido e patinavam com muita rapidez. Por vezes havia uma pequena variação – em vez dos círculos, movimentavam-se no sentido longitudinal da pista tentando interagir com as poucas raparigas que também por lá andavam. Apesar da dificuldade óbvia dos patinadores em se equilibrarem nos patins, ao fim de algum tempo já se tinha formado um par que dançava de uma forma algo harmoniosa.
Enquanto observava este fenómeno, que em breve será considerado por muitos mais uma tradição tipicamente portuguesa a par com o “halloween” ou até quem sabe o “4 de Julho”, lembrei-me do casamento. Tal como a patinagem, o matrimónio também pode ser considerado uma dança a dois e para que seja levado a cabo com sucesso é extremamente importante que ambos os intervenientes se consigam equilibrar nos patins e que executem as mais variadas acrobacias com destreza e elevada mestria técnica.
Mais tarde, quando falei com um jovem que era frequentador assíduo do já referido ringue de patinagem no gelo, descobri que o horário em que se patinava e toda a atitude que se mantinha durante a actividade eram cuidadosamente planeados com antecedência e que pouco ficava ao acaso. Também quando se prepara um casamento nada é deixado à toa, pois tudo é estudado de forma pormenorizada desde a compra do vestido de noiva até à escolha do local do copo-de-água. Tal como para os patinadores que vão iniciar uma competição, também para os noivos o período que antecede a cerimónia é muitas vezes considerado stressante. A disponibilidade é pouca e as solicitações são muitas (é necessário enviar mail’s atestando o momento de felicidade que se avizinha, colocar uma entrada no diário do Hi5, alterar a mensagem de apresentação do MSN…).
Durante este período, às vezes também ocorre um fenómeno semelhante ao da patinagem, só que tem lugar numa pista de dança em vez da pista de gelo – o noivo quando se cruza com elementos do sexo feminino descreve trajectórias circulares em torno de si próprio. Durante este ritual a interacção também existe e quando mais tarde ele é questionado sobre a razão pela qual não mencionou que era um noivo prestes a transformar-se em marido, ele só consegue responder “esqueci-me”.
Por vezes o mais importante é colocar os patins e rodopiar sem parar.
. ...
. O poder da publicidade......
. Que coisa estúpida... ou ...
. ...
. ...
. ...
. Concentração motard de Fa...
. ...
. ...
. ...
. Uma experiência quase cie...