Recentemente uma amiga minha sentiu necessidade de comemorar com os seus amigos mais próximos, o primeiro aniversário da sua casa que se pretende de sonho. Sendo a anfitriã uma pessoa culta e viajada, quis primar pela originalidade e em vez de se cingir ao comum jantar, resolveu acrescentar a tão importante celebração uma sessão de karaoke. Em conjunto com umas amigas tratou de toda a logística e agendou o acontecimento para uma noite fria de Outono.
Na data e hora marcadas, a campainha foi soando de forma ritmada e harmoniosa, anunciando os convivas que de sorriso nos lábios se apresentavam. À medida que cada um chegava, era-lhe oferecido um “After Eight” e em jeito de agradecimento cada convidado devia beijocar todos os outros que já se encontravam em tão acolhedor lar (sortudos foram os que chegaram primeiro – comeram mais chocolates e foram mais beijados do que beijaram…). Após este cerimonial cada um depositou nas mãos da anfitriã a garrafa de vinho ou licor compradas ou as sobremesas com tanto carinho confeccionadas (baba de camelo, tiramisú, bolo de ananás…).
Como já vai sendo hábito neste tipo de eventos, entre os convidados existiam mais mulheres do que homens. Como nessa noite se jogava uma partida de futebol entre dois importantes clubes, os poucos elementos do sexo masculino concentravam toda a sua atenção na televisão, que passou a deter uma posição de destaque na casa. À margem de tudo isto, as mulheres desnudavam os ombros, subiam as saias e riam toldadas pelo álcool que brotava de uma garrafa de forma fálica que tanto sucesso fazia.
Os comensais deliciaram-se com o repasto que foi feito de carne e peixe bem confeccionados, regado com bom vinho e finalizado com os deliciosos bolos, doces e afins. Uma vez que a geração dominante neste jantar foi já educada numa democracia, houve a liberdade de escolher a loiça mais adequada para cada um - houve quem se decidisse por um prato de sobremesa para comer o bacalhau com natas e que depois tenha optado por um prato de tamanho regular para comer a sobremesa e houve quem logo desde início tenha assumido que iria comer muito, escolhendo um prato de sopa para a refeição principal.
No final do jantar e numa onda de revivalismo, as mulheres dedicaram-se às tarefas domésticas e os homens concentraram-se no Benfica que jogava ou não fossem eles aspirantes a bons chefes de família. A excepção foi uma jovem que se viu obrigada, de forma pesarosa e contrariada, a permanecer na sala junto dos homens, por a lotação da cozinha estar já em muito ultrapassada.
Após os noventa minutos regulamentares do jogo de futebol, a televisão voltou a ser novamente a peça central de tão animado serão, ao projectar as letras das canções que iriam ser cantadas por quem possuísse uma voz bem afinada e melodiosa. Rapidamente três grupos se formaram: o júri que criticava de forma construtiva quem cantava, os que cantavam bem sem terem necessidade de protagonismo e aqueles que tinham uma particular simpatia pelo microfone. Este último grupo apresentou um reportório variado que incluiu canções em língua inglesa e portuguesa e nalguns casos até esboçou uma pequena coreografia que muito enriqueceu a sua prestação. Os que cantavam bem preferiram manter uma postura sóbria optando por desempenhar o papel de coro de acompanhamento. O júri esteve sempre bem em todas as opiniões que emitiu.
De tudo o que aconteceu nessa noite duas lições aprendi:
- quem não fala transformar-se-á numa sombra - um dos convivas não interagiu com o restante grupo e por essa razão na minha memória ele perdurará para sempre como uma mancha escura na parede perto da varanda;
- as línguas estrangeiras são tramadas para aprender – constatei por quem cantava, que a língua inglesa falada é substancialmente diferente da língua inglesa escrita.
. ...
. O poder da publicidade......
. Que coisa estúpida... ou ...
. ...
. ...
. ...
. Concentração motard de Fa...
. ...
. ...
. ...
. Uma experiência quase cie...