Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

O Segredo...ou telefonemas de gajos que gozam

 

Tenho uma formação científica e por essa razão não acredito em nada cuja Teoria não tenha sido já transformada em Tese. Isto incluiu conceitos como “Deus”, “Vida após a Morte”, “Destino”, “Astrologia”, etc. Mas como isto de ter um pensamento científico pode ser asfixiante para quem pretende uma vida com um pouco mais de cor, afirmo frequentemente para mim própria que ainda estamos numa fase tão inicial do conhecimento que isso nos impede de compreender coisas que nos parecem incompreensíveis.
 
Ciclicamente aparece sempre alguém que se anuncia como um portador de uma boa-nova que depois de apresentar as razões da nossa infelicidade, elenca o que devemos fazer para que a felicidade passe a ser uma constante na vida de cada um de nós.  Oiço sempre com atenção e com a expectativa de que algo de realmente novo surja e que finalmente o meu lado “místico” possa tomar conta de mim.  
 
O último fenómeno global nesta área deveu-se a um livro intitulado “O Segredo” que foi ou se calhar ainda é, um dos mais vendidos em todo o mundo.  Não o li, nem sequer vi o DVD; bastou-me ouvir a sua autora num programa de televisão a utilizar as palavras “física quântica”, “energia”, “lei da atracção” e “magnetismo” para eu perceber que se tratava de mais um logro (não dou o menor crédito a quem acrescenta termos científicos a um discurso que ninguém entende). No entanto, como na realidade sempre uma praticante da “Lei da Atracção” (segundo o Segredo, claro) estou sempre expectante em relação a tudo o que me acontece, incluindo o sucedido no fim-de-semana passado.
 
Tudo começa com uma chamada telefónica que recebo na manhã de sábado ao sair do um hipermercado com um carrinho cheio de compras.  Nesse telefonema alguém que se identificava como Pedro Reis, um antigo colega da escola secundária, apelava à minha memória dizendo repetidamente que eu era uma “porreiraça” pois sempre o tinha deixado copiar nos testes de Química. O nome não me dizia nada, mas lá num cantinho recôndito da minha memória sabia muito bem que sempre deixei os colegas copiarem por mim (sobretudo durante a faculdade). Usava essa estratégia para aumentar a minha popularidade entre os mais cábulas que eram sempre os colegas mais interessantes e divertidos.
 
Claro que sabia perfeitamente que não tinha tido nenhum colega com esse nome, e mesmo que ele tivesse existido nunca teria o meu número de telemóvel; na década de oitenta, telefones só fixos e às vezes nem isso. Mas como estava decidida a testar mais uma vez a “Lei da Atracção” lá fui fazendo o meu papel de ingénua e de crente em tudo o que ouvia.  
 
Conversa para cá, conversa para lá, e o tal Pedro Reis pergunta-me se eu também não me lembrava do Edson. Claro que não me lembrava de nenhum Edson; jamais conheci uma pessoa com esse nome e mesmo antes de lhe ouvir a voz termino a chamada. Tinha decidido que mais uma vez isto da “Lei da Atracção” não estava a funcionar; era impossível que a “Lei da Atracção” estivesse a responder aos meus pensamentos; acreditem que era mesmo impossível!
 
Mas como a minha racionalidade me incitava a ir mais longe, assim que cheguei a casa e utilizando o serviço 118, identifiquei a morada e o nome associados à chamada recebida – uma empresa de Consultoria e Recursos Humanos em Lisboa, situada num prédio onde tinha estado em Agosto a tratar de outro assunto numa outra empresa também lá sediada. A haver explicação para tudo isto decerto que será que afinal a Srª. Rhonda Byrne é dona de uma multinacional com um call-center sediado em Portugal e cujo único segredo que possuirá é a forma como teve acesso aos meus dados pessoais.
 
 
 
 
publicado por Veruska às 00:09

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Plano tecnológico... ou um salto temporal ao contrário

Assim que se ouviram, ainda que ao longe, as palavras “choque” e “tecnológico” tratei logo de arranjar um computador portátil e contribuir para tão ambicioso plano, embora que ainda de uma forma muito modesta: neguei-me ao pagamento de algumas facturas de operadoras que disponibilizavam o acesso portátil à Internet explicando-lhes detalhadamente quantos bytes correspondiam a um gigabyte, explorei intensamente as redes peer-to-peer, desenvolvi rotinas de busca de ligações sem fios não protegidas na minha área de residência e empenhei-me em ver todos os episódios do House e do Prison Break antes de passarem em Portugal.
 
Hoje, mais de dois anos depois de anunciado, continuo com o mesmo entusiasmo a defender tão inovadoras ideias e a aplicá-las no dia a dia. Por tudo isto regozijei-me pelo aparecimento de um outro Plano Tecnológico de menor abrangência, mas não de menor ambição – o Plano Tecnológico da Educação. De acordo com o seu texto o objectivo é “colocar Portugal entre os cinco países Europeus mais avançados ao nível de modernização tecnológica do ensino” e para tal várias medidas serão levadas a cabo como o tão fantástico kit tecnológico (310 000 computadores, 9 000 quadros interactivos (QI) e 25 000 videoprojectores que equiparão as escolas até 2010).
 
Como sou uma pessoa com iniciativa resolvi frequentar uma acção de formação sobre a utilização dos já referidos QI para produção de materiais didácticos. Inscrevi-me e não pensei mais no assunto, até que na véspera da primeira sessão, recebo vários sms’s de amigos muito felizes por estarmos todos inscritos na mesma acção e de se estar a pensar em transformar a 1ª sessão numa espécie de “Party Zone”…
 
Lá cheguei no dia combinado e realmente foi muito bom.  Encontrei quem não via há muito tempo e conversei como se não houvesse dia de amanhã. Também prestei atenção ao formador (um grande apreciador das imagens do clip-art do software que exemplificava) e fiquei entusiasmada com as maravilhas que ele me mostrava, ausentes de qualquer desvantagem. No final da sessão foi proposto como trabalho de casa, a elaboração de um texto sobre a nossa experiência QI. Em virtude de não ter acesso a estes equipamentos propus-me, logo ali, a escrever um texto sobre um outro tema qualquer à escolha, algo que foi imediatamente rejeitado pelo formador, dando-me a indicação de que deveria procurar um QI e relatar a primeira experiência que tiver com ele.
 
Menos de 24 horas depois, a ordem natural das coisas a que chamamos destino fez o seu papel e eu entro numa sala de aula de uma comum escola, e vejo preso a uma parede um QI muito branquinho.  Nesse instante o tempo parou e senti-me impelida a acariciá-lo, a tocar-lhe nas canetas, a percorrer com os meus dedos a sua moldura preta e até a sorrir; tinha compreendido a expressão de êxtase absoluto manifestada pelo formador na tarde anterior – o QI era lindo e nada mais interessava no mundo!
 
Mas como isto do devir é uma realidade, depressa a contagem do tempo recomeçou e dei por mim a observar a sala onde me encontrava: existiam as singelas cortinas brancas de pano nas janelas, o quadro de parede era o protagonista da sala, o giz causava-me alergia, o apagador era mais velhinho do que se possa imaginar, os mapas estavam amontoados a um canto e a reciclagem de papel não era ainda uma realidade. Acabara de sofrer um salto temporal e estava no passado!
publicado por Veruska às 19:37

link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

.eu

.pesquisar

 

.Agosto 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.últimos reflexos

. O avanço tecnológico... o...

. Homem de cuecas... ou o e...

. Prova Geral de Acesso... ...

. O desemprego jovem em Por...

. O fosfenismo... ou como a...

. O Segredo...ou telefonema...

. Plano tecnológico... ou u...

.caixa de Pandora

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2011

. Agosto 2010

. Abril 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Uma experiência quase cie...

. Os vossos favoritos

.links

.mais comentados

blogs SAPO

.subscrever feeds