Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

O meu filho não tem tido otites... ou uma cura homeopática para a doença de que padecemos

 

O Inverno que passou revelou-se soalheiro e pouco chuvoso, mas ao invés de ele me trazer recordações simpáticas, identifico-o em grande medida com as otites do meu filho.  Assim que iniciou a sua vida no infantário, as doenças não pararam de chegar, criando em mim a ansiedade de ver um bebé com poucos meses de vida em sofrimento.

 

Nunca me cheguei a culpabilizar por esses factos, mas o que é certo é que sentia sempre um desconforto muito grande por cada embalagem de antibiótico que o miúdo tinha de tomar (cada dente, uma otite…cada otite, um antibiótico…).

 

Com o Verão tudo isto passou e as bactérias resolveram fixar-se na adulta cá de casa, fazendo com que necessitasse de fazer vários ciclos de antibiótico (mais concretamente, três) numa época em que disfrute do Sol e do mar deveriam ser os únicos objetivos.

 

Com a chegada de mais uma estação fria, húmida e ventosa, a preocupação ressurge. Não queria estar de novo doente, nem que o meu miúdo repetisse o sucedido 6 meses antes e muito menos pôr em causa a frequência das aulas de natação que ele deveria iniciar por volta dos 12 meses. Após manifestação destas preocupações ao pediatra e mediante a sua total ausência de soluções, decidi iniciar-me no mundo da homeopatia.  A esperança de que algo poderia ajudar no problema que temia que viesse a repetir-se, superava em muito a desconfiança nas terapias alternativas e por isso lá comprei as bolinhas doces para dar ao miúdo 3 vezes ao dia.

 

No mesmo dia em que iniciei a administração das mini-pastilhas, sou informada através de uma reportagem da TVI de que os medicamentos homeopáticos se baseiam em diluições sucessivas até o seu princípio ativo deixar de estar presente. Senti-me desde logo ludibriada, pois afinal tinha pago quase 10€ por sacarose e ainda por cima como o meu filho não tinha consciência da razão pelo qual estava a fazer a terapêutica, o efeito placebo também não existiria.

 

Quase 3 meses depois do início da toma das bolinhas, o meu filho ainda não teve uma única otite. Já choveu, já fez frio, ele já andou ao vento e até já lhe nasceram 5 dentes e nada. Consequência da homeopatia ou não, o que é certo é que o problema não surgiu nestes últimos meses e a natação poder-se-á mesmo iniciar nas próximas semanas.

 

Mas não é só no meu lar que a homeopatia começa a ter um papel de destaque na resolução antecipada de potenciais problemas. A nação apresenta-se doente e por isso é vital que se encontre forma de restabelecer o equilíbrio e por isso nada melhor do utilizar as bolinhas de sacarose.

 

Foi o que se assistiu ontem na TVI durante a entrevista do Passos Coelho.  As declarações do Primeiro Ministro indiciaram uma diluição da importância hierárquica de alguns elementos do governo (“o nº 2 no Governo é o ministro das Finanças e terceiro é o ministro de Estados e dos Negócios Estrangeiros") mas tal como um placebo, as consequências reais estão aí para durar.

 

É verdade que a homeopatia pode não ter um funcionamento plausível, mas lá que parece que ela funciona, parece!

 

publicado por Veruska às 17:08

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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

O desafio de Vítor Gaspar... ou uma singela lista de sugestões

 

 Fonte: ionline

 

 

Vítor Gaspar desafia os deputados a apresentarem propostas de cortes nas despesas.  Afinal vivem-se momentos de intensa austeridade e o parlamento deverá também ele tentar reduzir a sua fatia de gastos, tal como os restantes portugueses têm feito ao longo destes últimos tempos.

Não tento fazer aqui um exercício de demagogia, mas sim contribuir com sugestões plausíveis, de aplicação muito prática e que estou certa, granjeariam por parte dos deputados e outros trabalhadores da nossa democracia um afeição desmesurada.

 

1º) Existência de apenas comida vegetariana nas cantinas/bares das instituições públicas

 

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Alimentação e de acordo com os especialistas,  “a população mundial terá de mudar totalmente para uma alimentação vegetariana nos próximos 40 anos se quiser evitar uma catástrofe alimentar planetária”. Como o exemplo vem de cima, devem ser os nossos políticos a iniciar esta tão grande mudança.

Ah, claro que quando sugiro a comida vegetariana, não estou a falar de tofu, soja e todas aquelas outras “mariquices” importadas e caríssimas.  Refiro-me a uma singela salada de alface, com uma rodela de tomate daqueles meio esponjosos e sem sabor.  Poderá acrescentar-se um pouco de curgete de vez em quando, de preferência comprada quando não está em promoção no Continente.

Vamos evitar também o feijão verde que esse também está pela hora da morte. E a rúcula também seria de banir porque é um legume muito chique e conotada com uma certa classe social.

Na área das frutas aconselharia apenas o abacaxi importado da Costa Rica.  É das frutas mais baratas por aqui(no Allgarve, leia-se); em dia de promoção consegue ser 1€ mais barato do que as maçãs e as peras.

 

2º) Incentivar o consumo de peixe-espada preto para os que não conseguem mesmo ser vegetarianos

 

Isso das cavalas e sardinhas só beneficiam mesmo a saúde de cada um. Quando se pensa em redução de custos o melhor é mesmo promover o consumo de peixes altamente contaminados com metais pesados, como é o caso do peixe-espada, e esperar que os que o consomem desenvolvam doenças mortais e morram enquanto esperam por vagas nos hospitais.

 

Esta medida além de poupar dinheiro, vai também de encontro ao pretendido pelo ministro Miguel Macedo, visto que em última análise os médicos poderão vir a ter mais disponibilidade para consultar novos pacientes.

 

3º) Taxar todos os jogos de sorte/azar


À semelhança do que se vai fazer com o Euromilhões, a Lotaria Nacional, a Lotaria Instantânea, o Totobola, o Totogolo e o Totoloto julgo que se deveriam taxar todos os jogos.

Penso que seria importante começar pelos jogos “da batota” dos reformados. Porque não cobrar também a taxa de 4,5% nas apostas de uma “suecada” ou de uma “busca”. E, claro, que aqueles que jogam a feijões também não estariam isentos. Uma percentagem devia ser cobrada e aplicada na sopa diária vendida nas cantinas e bares da Assembleia da República.

 

E quando tudo falha, porque não rebentar com umas caixas multibanco para arranjar umas notas???!!!!! Mesmo que sejam só de 20 euros, já dão para pagar uns jantares…

publicado por Veruska às 14:46

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012

À espera de Cosmopolis...ou à espera de Godot?!?

 

Num final de tarde amorfo e sem nada de especial consegui convencer quem comigo partilha cama e mesa a ir ver o segundo capítulo da SAGA Twilight. Gostei de ver o jovem que se transmutava em lobo por “dá aquela palha” e revelava com toda a sua impetuosidade os seus abdominais sem photoshop e a adolescente sofrida pelo amor impossível de concretizar e pela mal disfarçada impotência de resolver o triângulo amoroso em que se envolvera.  Mas se haveria qualquer coisa ainda de mais marcante nesse filme era Robert Pattinson, branco como cal, olheiras marcadas e tez amargurada por lhe ter calhado em sorte ser um vampiro com várias centenas de anos preso a um corpo longe de acompanhar a maturidade de tantos séculos.

 

Não voltei a ter contacto com mais nenhum episódio da SAGA, mas Robert Pattinson voltou a fazer parte da minha realidade cinéfila através de Cosmopolis. O enredo seduzia-me.  A ideia de um gestor de topo vaguear através da cidade de Nova Iorque dentro de um carro atraía-me como não consigo explicar. Na sua rota, um Robert Pattinson menos vampiresco, observa a urbe que o rodeava e intui sobre o colapso que se aproximava.

 

Apesar de ter gostado do filme, este quase faria parte da minha categoria “filmes de cineclube que dá jeito ver para parecermos intelectuais” não fosse ter saído da sala com a sensação de que a inspiração para a interpretação da personagem principal teria estado no ministro das finanças Vítor Gaspar (imposição de Paulo Branco, suponho). A face inexpressiva, a forma pausada de articular as palavras, o “estar à nora” e nunca perder a compostura, etc etc, estava tudo lá.

 

Finalmente vários meses depois, todo este imaginário leva-me a ansiar pelas 15 horas, altura em que veria o meu Robert Pattinson português falando de forma a que todos conseguissem perspetivar o colapso do império pessoal de cada um. Comuniquei em pensamento para mim mesma – “Estou à espera do meu Cosmopolis”- e tratei de jogar um pouco de Angry Birds para aliviar a tensão.

 

Ouvi e ouvi. Vi gráficos. Acompanhei as primeiras reações pelos jornais online e pelas redes sociais.  Pensei eu que estava à espera do “meu Cosmopolis” mas acho que estive foi à espera de Godot!

publicado por Veruska às 16:17

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Quinta-feira, 12 de Julho de 2012

The Gap... ou como é necessário revalidar a carta de condução a partir dos 30 anos

 

Já tive muitos sonhos. Sonhei com profissões, com modos de vida, com aspirações, com conquistas e sei lá mais o quê.  Também sonhei com corpos. Corpos belos, esbeltos, harmoniosos, tonificados… Não era que cobiçasse alguém em especial, mas desejava nessa altura que o meu materializasse tudo o que atrás escrevi.

 

Uma das minhas aspirações era conseguir a “The gap” entre as minhas coxas internas.  Coisa que nunca sucedeu apesar das horas de ginásio a que submetia as minhas pernas. Eram as aulas de Step, seguidas das de Body Pump com cargas que hoje me assustam só de pensar nelas, intercaladas com as de Body Combat, seguidas de longos percursos de patins em linha ao longo da costa do Guincho desafiando o vento que teimava em me alterar o equilíbrio.

 

Nunca a consegui e por volta dos 30 anos compreendi que existia vida para além da “The gap”, mudei de cidade e nunca mais me preocupei com tal aspecto da minha vida.  Hoje sei que apenas algumas mulheres a conseguem. Sim, algumas têm sorte e essa fenda inter-coxas está lá desde sempre e só depois de muita asneira alimentar desaparece sem nunca mais retornar.

 

As manequins preocupam-se muito com este aspecto da sua aparência e por essa razão as marcas que nelas se apoiam utilizam todas as artimanhas para que o seu equilíbrio natural perdure mesmo quando dele já nem rasto há.  Quando tudo falha, o Photoshop faz maravilhas, embora a noção de maravilha tenha vindo afastar-se da minha própria noção de maravilha. Desafio mesmo qualquer mulher com mais de 30 anos a afirmar que as imagens da Victoria’s Secret possam ter algo de belo.

 

O ponto fulcral aqui é mesmo a idade.  Parece que os 30 anos funcionam como um marco pleno de clarividência que nos leva a desistir das “The Gap” da vida. Mas como por cá, ver mais além é sinal de “xico-espertismo” e se calhar o melhor “é mesmo lixá-lo, para ele aprender”, há já quem ouse pôr em causa as capacidades físicas a partir dessa idade obrigando os condutores a uma revalidação carta de condução

 

Ah, mas como a revalidação é administrativa, a verdadeira razão por trás desta medida não serão as condições médicas e psicológicas do condutor, mas sim, o amealhar de mais alguns euros…

publicado por Veruska às 16:18

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Terça-feira, 26 de Junho de 2012

Estágio em contexto de trabalho... ou como um furto pode ser legitimado


 

Há alguns anos lembro-me de ter ficado abismada quando vi o deputado Ricardo Rodrigues roubar os gravadores ou gravador dos jornalistas da revista Sábado. A subtracção foi feita de forma discreta e só denunciada pelas gravações vídeo que decorriam simultaneamente. 

 

Também me recordo de pensar que devia de haver algo de errado em toda a situação. Parecia-me impossível que um deputado pudesse protagonizar tão desprezível acto e ainda por cima ter negado que o tivesse feito.  Não fossem as imagens existentes e se calhar ainda hoje os jornalistas da Sábado passariam por impostores.

 

Ricardo Rodrigues, alegou que os jornalistas estariam a tentar “denegrir a sua imagem pública” e que o registo áudio seria o meio de prova.  Alguns anos depois, o Tribunal dita que o referido senhor é culpado dos crimes de atentado à liberdade de imprensa e crime de atentado à liberdade de informação ficando obrigado a um pagamento de uma multa de 4950 euros.

 

Não sei se esta será a decisão final ou se, pelo contrário, o processo poderá ser alvo de recurso para outras instâncias. Mas curioso no meio disto tudo é a nota com que termina o artigo do Público no qual me baseei para escrever este post. De acordo com o escrito pelo diário “depois de Ricardo Rodrigues ter ficado com os gravadores, foi nomeado para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários, e integra, actualmente, a Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, na condição de suplente”.

 

Compreendo agora que o senhor deputado não larapiou qualquer gravador em vão.  Ele estava apenas a prestar provas da arte de surripiar. Não me parece que tenha tido uma boa nota.  Apenas a suficiente para fazer parte do Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários.  Caso tivesse conseguido evitar as câmaras durante o acto, estou certa que não seria um mero suplente da Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, mas sim um membro efectivo já com obra feita.

publicado por Veruska às 16:16

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