Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

Mais um São Valentim... ou a poesia presente num prosador

 

 

 

Para mim há algo que deveria marcar o Dia de São Valentim. Não quero saber da cor vermelha (ou encarnada), se as setas do cupido me atingem no coração ou mesmo se o homem dos meus sonhos acorda junto a mim e me dá um beijo em vez da tosse cavernosa que insiste em partilhar comigo.  Para mim, o importante é mesmo a POESIA que deveria ser transversal a todas as situações quotidianas nesse dia de 14 de Fevereiro.

 

Imagino mesmo um mundo repleto de fantasia em que todos seríamos peões de uma realidade sublime, plena de beleza, encantando todos com quem nos cruzássemos e inspirando qualquer ser, independentemente da sua natureza. Concebo que cada um de nós, durante esse dia, fosse capaz de pronunciar palavras com um timbre capaz de inebriar os anjos, uma altura capaz de emocionar os passarinhos e uma intensidade capaz de desencadear uma harmonia impossível de descrever. Durante essas fantásticas 24 horas, o movimento dos planetas deixaria de ser importante, a Lei da Gravitação Universal deixaria de comandar os nossos movimentos e todos flutuariam num éter pleno de maravilha.

 

Não existiriam preconceitos, comportamentos inadequados e nem sequer nada que não fosse belo. Tudo o que diríamos seria importante para quem ouvisse, e as palavras pronunciadas seriam leis que comandariam de forma nobre todos os nossos sentimentos.  Não interessaria a métrica, nem se existia rima; o importante residiria na componente emotiva do que fosse declarado.

 

Infelizmente o meu dia dos namorados não foi assim. A poesia não chegou até mim de nenhuma lado.  Flutuar foi impossível face ao meu ligeiro excesso de peso e nem sequer o que pronunciei deve ter sido importante para os que me rodeiam.  No entanto, congratulo-me por saber que afinal pelo menos Francisco José Viegas esteve imerso em POESIA (embora de caráter moderno) e tenha elevado as comemorações do Dia dos Namorados a um outro nível.

 

 

publicado por Veruska às 16:02

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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

O doping de Relvas... ou uma trama bem urdida

 

Na imprensa de hoje há um título que causou em mim uma descarga de adrenalina- “Armstrong fez parte do programa de doping mais sofisticado do mundo”. Sou uma grande fã de filmes que girem em torno da temática do terrorismo/espionagem e a ideia de que um atleta, que em tempos passou férias no Algarve, pudesse estar envolvido num esquema ilegal e que ainda por cima este se situaria no topo da sofisticação, devia ser por si só tema de uma série policial que eu iria devorar do primeiro ao último capítulo.

 

De acordo com a imprensa norte-americana, “os dados reunidos no extenso documento provam, "sem margem para dúvidas", que o antigo ciclista norte-americano e a US Postal "montaram o mais sofisticado, profissional e bem-sucedido programa de doping da história do desporto". E, pelos vistos há mesmo quem confesse o uso de substâncias ilícitas para melhorar o rendimento; Hincapie (um parceiro de Armstrong), afirma . "Cedo na minha carreira profissional tornou-se claro que, devido ao uso generalizado de substâncias proibidas, não era possível competir ao mais alto nível sem elas".

 

Por cá, é Miguel Relvas que protagoniza um caso com semelhanças ao do ciclista ex-campeão.  Desde que veio a público a forma como Relvas se licenciou, que se intuía que este possuiria muitos dons impossíveis de explicar. Agora vem a público que ele presumivelmente estará envolvido num projeto que pretendia formar várias centenas de técnicos municipais para ocuparem os setes lugares existentes nas pistas de aviação municipais e heliportos portugueses. Não sei como é que ele consegue tais feitos, nem de quem se rodeia para levar a cabo os seus intentos, mas que existirá uma trama bem urdida que tem um fim em vista, lá isso existe.

 

Fosse ele ciclista e acredito que tivesse a determinação e perseverança de conseguir feitos que rivalizariam com os de Armstrong. 

publicado por Veruska às 15:36

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012

À espera de Cosmopolis...ou à espera de Godot?!?

 

Num final de tarde amorfo e sem nada de especial consegui convencer quem comigo partilha cama e mesa a ir ver o segundo capítulo da SAGA Twilight. Gostei de ver o jovem que se transmutava em lobo por “dá aquela palha” e revelava com toda a sua impetuosidade os seus abdominais sem photoshop e a adolescente sofrida pelo amor impossível de concretizar e pela mal disfarçada impotência de resolver o triângulo amoroso em que se envolvera.  Mas se haveria qualquer coisa ainda de mais marcante nesse filme era Robert Pattinson, branco como cal, olheiras marcadas e tez amargurada por lhe ter calhado em sorte ser um vampiro com várias centenas de anos preso a um corpo longe de acompanhar a maturidade de tantos séculos.

 

Não voltei a ter contacto com mais nenhum episódio da SAGA, mas Robert Pattinson voltou a fazer parte da minha realidade cinéfila através de Cosmopolis. O enredo seduzia-me.  A ideia de um gestor de topo vaguear através da cidade de Nova Iorque dentro de um carro atraía-me como não consigo explicar. Na sua rota, um Robert Pattinson menos vampiresco, observa a urbe que o rodeava e intui sobre o colapso que se aproximava.

 

Apesar de ter gostado do filme, este quase faria parte da minha categoria “filmes de cineclube que dá jeito ver para parecermos intelectuais” não fosse ter saído da sala com a sensação de que a inspiração para a interpretação da personagem principal teria estado no ministro das finanças Vítor Gaspar (imposição de Paulo Branco, suponho). A face inexpressiva, a forma pausada de articular as palavras, o “estar à nora” e nunca perder a compostura, etc etc, estava tudo lá.

 

Finalmente vários meses depois, todo este imaginário leva-me a ansiar pelas 15 horas, altura em que veria o meu Robert Pattinson português falando de forma a que todos conseguissem perspetivar o colapso do império pessoal de cada um. Comuniquei em pensamento para mim mesma – “Estou à espera do meu Cosmopolis”- e tratei de jogar um pouco de Angry Birds para aliviar a tensão.

 

Ouvi e ouvi. Vi gráficos. Acompanhei as primeiras reações pelos jornais online e pelas redes sociais.  Pensei eu que estava à espera do “meu Cosmopolis” mas acho que estive foi à espera de Godot!

publicado por Veruska às 16:17

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Quinta-feira, 12 de Julho de 2012

The Gap... ou como é necessário revalidar a carta de condução a partir dos 30 anos

 

Já tive muitos sonhos. Sonhei com profissões, com modos de vida, com aspirações, com conquistas e sei lá mais o quê.  Também sonhei com corpos. Corpos belos, esbeltos, harmoniosos, tonificados… Não era que cobiçasse alguém em especial, mas desejava nessa altura que o meu materializasse tudo o que atrás escrevi.

 

Uma das minhas aspirações era conseguir a “The gap” entre as minhas coxas internas.  Coisa que nunca sucedeu apesar das horas de ginásio a que submetia as minhas pernas. Eram as aulas de Step, seguidas das de Body Pump com cargas que hoje me assustam só de pensar nelas, intercaladas com as de Body Combat, seguidas de longos percursos de patins em linha ao longo da costa do Guincho desafiando o vento que teimava em me alterar o equilíbrio.

 

Nunca a consegui e por volta dos 30 anos compreendi que existia vida para além da “The gap”, mudei de cidade e nunca mais me preocupei com tal aspecto da minha vida.  Hoje sei que apenas algumas mulheres a conseguem. Sim, algumas têm sorte e essa fenda inter-coxas está lá desde sempre e só depois de muita asneira alimentar desaparece sem nunca mais retornar.

 

As manequins preocupam-se muito com este aspecto da sua aparência e por essa razão as marcas que nelas se apoiam utilizam todas as artimanhas para que o seu equilíbrio natural perdure mesmo quando dele já nem rasto há.  Quando tudo falha, o Photoshop faz maravilhas, embora a noção de maravilha tenha vindo afastar-se da minha própria noção de maravilha. Desafio mesmo qualquer mulher com mais de 30 anos a afirmar que as imagens da Victoria’s Secret possam ter algo de belo.

 

O ponto fulcral aqui é mesmo a idade.  Parece que os 30 anos funcionam como um marco pleno de clarividência que nos leva a desistir das “The Gap” da vida. Mas como por cá, ver mais além é sinal de “xico-espertismo” e se calhar o melhor “é mesmo lixá-lo, para ele aprender”, há já quem ouse pôr em causa as capacidades físicas a partir dessa idade obrigando os condutores a uma revalidação carta de condução

 

Ah, mas como a revalidação é administrativa, a verdadeira razão por trás desta medida não serão as condições médicas e psicológicas do condutor, mas sim, o amealhar de mais alguns euros…

publicado por Veruska às 16:18

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Quinta-feira, 5 de Julho de 2012

Sofia Aparício pensa que é uma princesa... ou como tremo só de pensar na minha pós-cesariana

O meu filho nasceu de uma cesariana muito complicada. A possibilidade do desfecho culminar numa tragédia para mim, para ele ou para ambos era muito alta e por isso todo percurso que levou até esse momento foi penoso, cheio de altos e baixos, conflitos emocionais e medos impossíveis de descrever.

 

            Mas foram nos dias de recuperação em meio hospitalar, que se seguiram ao parto do meu filho, que se desenrolaram os acontecimentos que desencadeiam hoje em mim um novo temor. Por esses dias, uma senhora muito jovem, de cabelo comprido, figura elegante, olhar vibrante e ausente, vai convalescer na enfermaria onde me encontrava.  Por estar acamada na outra ponta do quarto, não pude entabular qualquer conversa com a jovem que intuia simpática (intuação totalmente errada e grandemente condicionada pela forte medicação analgésica que condicionava o meu pensar).

 

            Chegada a hora das visitas, apercebi-me que afinal ela não seria portuguesa, que tinha dois filhos terríveis e que o marido era muito pouco civilizado. Nesse período em que a enfermaria se transformava com a animação das conversas cruzadas entre quem estava presente, se exultavam os bebés recém-nascidos e se tentavam encontrar pontos de contacto entre quem se desconhecia, eu sofria, sofria e muito. Os filhos da senhora, que agora já não me parecia tão bela (mudança de opinião despoletada pelo avistamento de alguns dentes de ouro), corriam ao longo do quarto, chocando frequentemente com a minha cama, provocando a contração muscular do meu corpo que acentuava as já muito intensas dores.

 

            Depois de mais alguns episódios de desregramento total que incluíram o esposo a fumar em plena enfermaria, os miúdos a desenrolarem todo o papel higiénico do wc das grávidas/puérperas e outras coisas que me recuso a explicitar neste blog, lá foram eles expulsos tendo  da enfermaria e confinados a um quarto individual.

 

            Sete meses depois, aquilo que já parecia esquecido volta de novo a assombrar-me. A jovem magra que podia ter muito “bom aspecto” mas que parece “acabada”, os cabelos compridos ligeiramente desgrenhados, o sorriso forçado e inexpressivo parece reaparecer numa manequim fantástica – Sofia Aparício.

 

            Pelos vistos, Sofia julga-se “uma princesa” e por isso adorna-se com um dente de ouro. Eu acho que mais cedo ou mais a tarde a vou ver a pedir num semáforo…

            

publicado por Veruska às 14:31

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