Terça-feira, 3 de Julho de 2012

A especulação chegou à Ciência, nomeadamente à Física com a hipótese de ter sido descoberto o bosão de Higgs, partícula “essencial à explicação do mundo que nos rodeia, uma vez que é ela que confere, segundo o Modelo-Padrão, a sua massa às outras partículas (como os quarks, electrões e protões) - e que, sem ela, a matéria tal como a conhecemos, incluindo nós próprios, não poderia existir”.
Joe Incandela, professor de Física a trabalhar actualmente no CERN, explica como define a “partícula de Deus”: “Para mim, o Universo - ou seja, o espaço-tempo - não é vazio. É uma espécie de tecido - e, em todos os pontos desse tecido, há partículas que podem, de repente, existir e deixar de existir. Uma delas é o Higgs. O Higgs existe potencialmente; não está realmente lá, mas está lá num sentido virtual”.
O bosão de Higgs é simultaneamente uma onda e uma partícula, um conceito de difícil compreensão para a maior parte das pessoas, Por vezes dará jeito encará-la como uma onda e outras vezes como uma partícula, algo difícil de percepcionar no nosso quotidiano, embora em raras situações também comportamentos duais existam. Um dos exemplos que me ocorre é o do ministro Miguel Relvas (não é que tenha alguma coisa contra o senhor ou que queira denegrir a sua imagem, mas o que é um facto é que ele se põe mesmo a jeito).
Ora veja-se o percurso académico do senhor:
- 1984 – Inscrição no curso de Direito
- 1985 – Conclusão da cadeira de Ciência Política e Direito Constitucional e subsequente transferência para o curso de História
- 1995/1996 – Reingresso na Lusíada para o Curso de Relações Internacionais
- 2006 – Admissão na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
- 2007 – Conclusão da licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais.
Tal como no bosão de Higgs, Miguel Relvas existe e deixa de existir no universo académico português; ora frequenta um curso, ora frequenta outro, ora estuda numa Universidade, ora estuda noutra. Ao longo do seu percurso só consegue concluir uma cadeira mas adquire o grau de licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais em apenas um ano lectivo, concluindo-se que ele mesmo ausente, só poderá estar lá virtualmente.
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Os muçulmanos, e por ventura todos os que crêem em Deus, consideram o círculo a figura perfeita. O círculo é delimitado por uma circunferência, que não tem início, não tem fim e todos os seus pontos são equidistantes de um centro. São as noções de infinito e perfeição aliadas num único símbolo representando o Supremo Criador. Da figura geométrica círculo, para o sólido geométrico esfera, a transposição é fácil. Também na esfera, a superfície curva que a delimita é constituída por pontos equidistantes de um ponto central e, diria eu, tal como no círculo a perfeição de uma esfera é inegável.
Ao seccionar uma esfera obtém-se uma cúpula que pode ter várias utilizações, especialmente no domínio da arquitectura. O exemplo óbvio prende-se com as cúpulas ou abóbadas existentes em igrejas e outros monumentos. Se em épocas passadas, tal recurso estilístico arquitectónico era patente em edificações religiosas, hoje a sua utilização é mais abrangente e até já estádios desportivos elas existem.
Por Portugal ser um país inovador e com grande capacidade inventiva, outros usos têm sido encontrados e utilizados em larga escala nomeadamente as rotundas, cada vez mais presentes. Com a requalificação da Estrada Nacional Nº 125 que atravessa o Algarve de ponta a ponta, serão intervencionados 273 km de estrada, construir-se-ão 71 rotundas e gastar-se-á um orçamento de aproximadamente 263 milhões de euros (correspondente a 150 milhões de euros mais 75% de derrapagem orçamental). O anúncio desta obra, que envolve muitos mais números do que aqueles que já citei foi feito no dia 26 de Abril em conjunto pelo Primeiro Ministro, José Sócrates, e pelo Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino.
Por coincidência, ou talvez não, também em Lisboa se encontrou uma nova forma de aplicar as cúpulas semiesféricas. Leonel Moura idealizou aquilo a que se chamou “jardim portátil” que é “uma espécie de "ilha" constituída por um banco com rodas e uma oliveira” onde as pessoas se podem sentar e descansar. Assim, no dia 25 de Abril, 45 destes jardins portáteis foram colocados no Terreiro do Paço e inaugurados, como não podia deixar de ser, por António Costa, o presidente socialista da Câmara Municipal de Lisboa.
Em todas estas acções a mensagem é clara – Deus está por todo o lado e faz-se representar em todas as formas. Espera-se que a qualquer momento, também José Sócrates ou algum dos seus colaboradores incentivem a construção de iglus na Serra da Estrela.
Sábado, 20 de Setembro de 2008
Numa aula de Tango em plena Buenos Aires, chega um homem barbudo de ar enigmático, pousa a pasta que carregava, não fala com ninguém e fixa o seu olhar no chão.
Eu que descansava um pouco, antes de reiniciar mais uma tentativa de dança, sinto uma enorme curiosidade em tentar perceber o que ele observava. Só poderiam ser os pés das pessoas que dançavam.
Eu sei que o Tango é uma dança muito elegante em que os pés deslizam, as pernas se entrecruzam e a sensualidade nunca está ausente, mas para mim teria de haver mais qualquer coisa. Reflecti, reflecti e cheguei à conclusão que o já referido senhor teria um gosto particular por pés (ou sapatos). Claro que desde sempre soube que esse gosto particular por pés não é assim tão raro e muito menos exclusivo dos homens. O que para mim é novidade é a forma dissimulada como as pessoas, sobretudo os homens, realizam as suas fantasias mais íntimas.
O fetiche pelos pés está presente em muitas situações e será porventura o mais frequente na nossa sociedade:
- A Cinderela com os seus sapatos de cristal, inculcando logo nas meninas de tenra idade a ideia de que “gaja que é gaja anda de saltos”;
- A bota Botilde especialmente desenvolvida para raparigas mais “arrapazadas”, para que quando se tornem adultas se viciem em comprar botas, muitas botas (pretas, castanhas, azuis, verdes, cinzentas e até brancas; sim eu tenho umas botas brancas);
- A série “Sexo e a Cidade” que gira em torno de quatro amigas trintonas nova-iorquinas que são lindas muito lindas, e que todo o seu glamour resulta das centenas de euros que gastam em sapatos de marca, especialmente do Manolo Blahnik (para quem não tem esse dinheiro resta-lhe a consolação de comprar uma calçadeira em forma de sapato com um salto de 12 cm do mesmo estilista, numa loja de design…);
- A atribuição do prémio “Bota de Ouro” ao melhor marcador conseguindo deslocar para o campo dos adeptos futebolísticos algumas mulheres que ainda resistem a gostar desse desporto tão primário.
Acho que começo a acreditar que Deus existe mesmo, também é podófilo, e que é por isso que não tem feito nada de jeito nestes últimos milénios!
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Deus é tido como a origem e o fim de todas as coisas, mas na realidade o Homem, à semelhança do seu Criador, também conseguiu conceber e concretizar um Universo paralelo onde pode revelar toda a sua supremacia – o mundo virtual. O que distingue estas duas realidades são as características dos seres humanos. Só pertence ao mundo virtual quem for omnipresente, omnisciente e omnipotente – características que simplesmente não existem no mundo real e que são tidas como exclusivas do Criador.
Para que se consiga ascender a este mundo etéreo é necessário submeter os candidatos a ritos de passagem, que curiosamente são muito semelhantes a provas de ciclismo. O processo é sinuoso, exigente, demorado e divide-se em várias etapas. A estratégia de cada um dos candidatos deve ser adaptada às suas capacidades e ser acompanhada passo a passo por um treinador muito conhecedor do terreno a pisar. Na impossibilidade de encontrar tal técnico poderá sempre optar-se por uma abordagem mais clássica – conquistar o número máximo de troféus porque assim, quase de certeza que o Título de Vencedor Individual será seu.
Por essa razão, é necessário investir em várias frentes:
- diversificar os sites por onde se deixam os vários comentários (Hi5, blogs, myspace) - Prémio Combinado;
- comentar todos os post’s em blogs e páginas pessoais imediatamente após terem sido publicados - Prémio Sprints;
- ser juvenil e airoso – Prémio Juventude;
- ser persistente, não desistindo face ao primeiro obstáculo – Prémio Pontos…
O treino regular e intenso é determinante para a obtenção da Camisola Amarela e qualquer forma de aliciamento deve ser rejeitada de imediato (parabentear ou implorar por um comentário não fica bem e desencadeia um sentimento de manipulação por parte de quem é alvo de tais manobras).
É com a consciência de que, quem partilha conhecimento pratica o bem, que aconselho todos os senhores Carlos, Albertos,… desta vida a praticarem, mas a praticarem muito para que um dia consigam vestir a tão almejada Camisola Amarela.
Como nota final, gostaria ainda de acrescentar que nem sempre aquilo que se deseja é o que mais prazer nos proporciona e que por vezes uma singela e inesperada referência o nosso ego nos alimenta.